Vice pede união, e venezuelanos choram e lamentam morte de Chávez

'Sem Chávez, não sei o que acontecerá aqui. Nós pobres poderíamos ser esquecidos novamente', disse vendedor na Praça Bolívar

Foto: AP
Partidários do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, choram ao saber de sua morte

Em resposta à convocação do vice-presidente Nicolás Maduro , venezuelanos se dirigiram nesta terça-feira à Praça Bolívar, em Caracas, para homenagear o líder venezuelano, Hugo Chávez , que morreu às 16h25 locais (17h55 de Brasília) após uma longa batalha contra um câncer. A praça é uma homenagem a Simon Bolívar, herói da independência do século 19 que Chávez dizia ser sua maior inspiração.

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"Essa é a pior coisa que poderia ter acontecido ao país", disse o vendedor de refrigerante Nelson Ramirez, de 38 anos. "Sem Chávez, não sei o que acontecerá aqui. Nós pobres poderíamos ser esquecidos novamente."

Com voz embargada e lágrimas escorrendo em seu rosto por diversas vezes, Maduro anunciou a morte do presidente "após uma dura batalha contra uma doença por quase dois anos " em um pronunciamento à TV. Ele não especificou a causa da morte, embora o governo tenha dito na noite anterior que uma nova e severa infecção respiratória havia enfraquecido Chávez.

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Ao anunciar a morte, Maduro conclamou os venezuelanos a serem "herdeiros dignos do homem gigante" que Chávez era. "Que não haja nenhuma fraqueza, nenhuma violência. Que não haja ódio. Em nossos corações deve haver apenas um sentimento. Amor. Amor, paz e disciplina."

"Aqueles que nunca apoiaram o comandante Hugo Chávez, respeitem a dor da população. Este é o momento de pensar em nossas famílias, em nosso país."

A morte de Chávez põe fim a um governo de 14 anos e deixa um movimento político socialista em controle da nação apesar de a doença de Chávez tê-lo impedido de assumir seu quarto mandato em 10 de janeiro após sua reeleição em outubro .

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De acordo com o chanceler Elías Jaua, Maduro assumirá o comando do país interinamente enquanto se convocam eleições para os próximos 30 dias. "Está muito claramente estabelecido o que acontece, e o que sempre defendemos, agora que se produziu uma ausência absoluta, assume o vice-presidente da República como presidente e se convocam novas eleições nos próximos 30 dias", disse Jaua em comentários televisionados.

De acordo com a Constituição do país, porém, quem deveria governar interinamente no período da eleição até a posse do novo presidente eleito seria o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Diosdado Cabello.

Mas não havia sinal de Cabello no momento em que Maduro, apontado pelo líder venezuelano em dezembro como seu potencial sucessor , anunciou a morte de Chávez. Horas antes do anúncio, o vice fez um discurso inflamado contra inimigos que, alegou, tentavam minar a democracia venezuelana.

Veja imagens da população chorando por morte de Chávez:

Nesse pronunciamento, Maduro anunciou que a Venezuela ordenou a expulsão de dois adidos aeronáuticos dos EUA sob a acusação de conspirar para desestabilizar o país e também afirmou que havia pistas de que a doença de Chávez havia sido causada por "inimigos históricos da pátria" . O ministro da Defesa da Venezuela também apareceu na televisão para anunciar que o Exército continuará leal à Constituição após a morte de Chávez.

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O economista Carlos Quijada, 38 anos, que disse estar triste que a morte e não uma derrota eleitoral tivesse escrito o obituário de Chávez, afirmou: "Agora há muita incerteza sobre o que acontecerá", afirmou.

*Com AP

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