Após morte de Chávez, presidente do Irã diz que líder venezuelano é 'lembrete de bondade' e governo da Síria ressalta sua posição honrosa diante da 'conspiração contra Assad'

Aliados de Hugo Chávez ao redor do mundo expressaram pesar pela morte do presidente venezuelano. Chávez morreu na terça-feira (5), em Caracas, depois de uma luta de quase dois anos contra o câncer .

Opositor ao "imperialismo norte-americano", Chávez projetou a Venezuela fora da América Latina e abraçou países que possuem relações tensas com os EUA, como o Irã, a Síria e a Rússia. Autoridades desses e de outros países do mundo lamentaram a morte do líder venezuelano de 58 anos.

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Manifestante palestino segura cartaz com foto de Hugo Chávez durante marcha na Cisjordânia
Reuters
Manifestante palestino segura cartaz com foto de Hugo Chávez durante marcha na Cisjordânia


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O Irã declarou um dia de luto nacional, nesta quarta-feira (5), após a morte de Chávez. O presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, que havia firmado uma amizade pública com Chávez caracterizada por elogios mútuos e abraços pode comparecer ao funeral na sexta-feira (8), segundo informou a agência Irna.

"Hugo Chávez é um nome conhecido por todas as nações. Seu nome é um lembrete de bondade, coragem, dedicação e incansáveis esforços para servir ao povo, especialmente aos pobres e àqueles excluídos pelo colonialismo e pelo imperialismo", disse Ahmadinejad.

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"Ofereço minhas condolências a todas as nações, a grande nação da Venezuela e sua respeitosa família por este acontecimento trágico", disse em um comunicado publicado em seu site oficial.

Na Rússia, o presidente Vladimir Putin chamou Chávez de "um extraordinário e forte homem que olhava para o futuro e sempre pensava grande". O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, disse que a morte de Chávez "é uma tragédia. Ele foi um grande político".

Churkin participava de uma reunião na Organização das Nações Unidas (ONU) com jornalistas na qual o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ofereceu suas "mais profundas condolências ao povo venezuelano".

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O presidente chinês, Hu Jintao, que deixa o poder este mês, e seu sucessor, Xi Jinping, também enviaram seus lamentos ao vice-presidente Nicolás Maduro, presidente interino da Venezuela até as eleições. O porta-voz da chancelaria chinesa Hua Chunying caracterizou o líder venezuelano como um "bom amigo do povo chinês".

A China forjou uma amizade prática com Chávez centrada no petróleo venezuelano. Bilhões de dólares em empréstimos chineses, pagados em petróleo, ajudaram a financiar programas sociais e de bens de consumo, que tornaram Chávez popular em seu país.

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Na Síria, a mídia estatal lamentou a morte do presidente venezuelano, afirmando que ele tomou uma posição honrosa contra uma conspiração anti-Damasco. Chávez, aliado e convidado regular do presidente sírio, Bashar al-Assad, enviou combustível à Síria no ano passado para ajudar o país a superar a escassez causada por sanções ocidentais, e descreveu a revolta contra Assad como um complô internacional apoiado pelas potências ocidentais.

Assad enfrenta uma revolta que começou em março de 2011. Os protestos que eram primeiramente pacíficos ganharam força e se tornaram uma insurreição armada, na qual a ONU diz que 70 mil pessoas morreram .

A televisão estatal síria fez o anúncio da morte de Chávez, dizendo que ele havia "se levantado pelo legítimos direitos árabes, incluindo uma posição honrosa sobre a conspiração contra a Síria". "Ele repetidamente declarou sua solidariedade com a liderança da Síria e seu povo diante do feroz ataque imperialista, e condenou a pressão norte-americana ( na Síria )", disse a emissora.

Outras reações

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que os EUA estão interessados em começar uma nova relação com a Venezuela, após a morte de Chávez . "Nesse momento desafiador da morte do presidente Hugo Chávez, os Estados Unidos reafirmam seu apoio ao povo venezuelano e seu interesse em desenvolver uma relação construtiva com o governo venezuelano", disse Obama em comunicado.

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O presidente acrescentou que os EUA permanecem comprometidos com medidas que promovam princípios democráticos à medida que a Venezuela "começa um novo capítulo em sua história".

Em Israel, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Yigal Palmor disse que "o governo israelense decidiu não comentar a morte de Hugo Chávez". Essa reação expressa a hostilidade entre os dois países, principalmente desde que Chávez decidiu, em 2009, cortar relações com o país, durante a ofensiva israelense à Faixa de Gaza denominada "Operação Chumbo Fundido", em um gesto de solidariedade com os palestinos.

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Já do lado palestino, a reação à morte de Chávez foi de lástima. Nabil Shaat, um dos principais líderes do partido governista Fatah, que lidera a Autoridade Palestina, declarou que "a Palestina se despede de um amigo leal que defendeu apaixonadamente nosso direito à liberdade e à autodeterminação". "Sua contribuição para a causa da dignidade não tinha fronteiras e tocou os corações e as mentes do mundo árabe", disse.

Em uma longa nota à imprensa, o líder palestino citou as palavras de Simon Bolívar: "Desejo ver a América Latina se transformando na maior nação do mundo, não só por seu tamanho e riqueza, mas por sua liberdade e glória".

De acordo com Nabil Shaat, Hugo Chávez, "não só trabalhou continuamente pela liberdade e pela glória de sua América Latina amada, mas também por todos os povos oprimidos, incluindo a Palestina, um país que ele guardava em seu coração".

Disputa esperada

Com a morte de Chávez, espera-se agora uma disputa nas urnas entre Maduro e o governador de Miranda, Henrique Capriles , derrotado por Chávez na eleição presidencial de outubro . Essa será também a primeira prova de fogo para o chavismo como movimento político, já que não contará mais com Chávez.

Mesmo antes do anúncio da morte do líder venezuelano, o clima no país já era de pré-campanha. Capriles e os demais dirigentes da oposição, porém, têm tido cautela e respeito para tratar da morte do presidente, indicando um chamado ao diálogo.

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"Essa não é a hora da diferença, é a hora da união, a hora da paz", disse Capriles ao ler umcomunicado da coalizão opositora . "A Venezuela não pode se dar ao luxo de excluir ninguém. Aqui se impõe um diálogo nacional sincero entre todos os setores da vida venezuelana", afirmou.

Com Reuters, BBC e AP

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