Venezuela expulsa dois diplomatas dos EUA em meio à piora da saúde de Chávez

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Vice acusa americanos de espionagem e de conspirar contra a Venezuela e diz que Chávez, cuja doença teria sido causada por 'inimigos', passa 'pelas horas mais difíceis' desde cirurgia

O vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou nesta terça-feira que a Venezuela expulsou um adido da Força Aérea da embaixada dos EUA sob acusação de conspirar contra o governo. Posteriormente, o ministro de Relações Exteriores venezuelano, Elías Jaua, anunciou a expulsão de outro funcionário americano, também um adido da Força Aérea.

De acordo com o vice, que foi apontado por Chávez como seu potencial sucessor em dezembro, o diplomata reuniu-se com militares venezuelanos e tinha um plano conspiratório no âmbito econômico, político e militar para desestabilizar a Venezuela. 

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AP
Mulher lê jornal ao lado de muros cobertos por pôsteres com foto do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e suas filhas

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O anúncio de Maduro foi feito durante reunião com o gabinete ministerial, o alto comando do Exército e todos os 20 governadores leais ao chavismo em Caracas, depois de informações sobre a deterioração da saúde do presidente Hugo Chávez, de 58 anos. Entre os governadores presentes estava o irmão mais velho de Chávez, Ádan. Em relação à saúde de Chávez, Maduro disse que o líder venezuelano passa pelas "horas mais difíceis desde a operação" em dezembro, pedindo que a população reze pela "saúde e vida do comandante".

Segundo Maduro, o adido da Força Aérea americana David Delmonaco estaria espionando o Exército venezuelano e seria responsável por um plano que teria como objetivo somar militares venezuelanos à suposta conspiração contra o país. "Foi expulso e tem 24 horas para sair da Venezuela. Nossas Forças Armadas se respeitam. Emitimos uma nota oficial ao governo dos EUA (sobre o assunto)."

O porta-voz da embaixada dos EUA Greg Adams confirmou a identidade de Delmonaco, mas não fez nenhum comentário sobre o caso. Em Washington, o coronel do Exército Todd Breasseale, um dos porta-vozes do Pentágono, disse: "Temos consciência das alegações e podemos confirmar que o adido Aéreo está a caminho dos EUA." Posteriormente, Breasseale confirmou que o número 2 da seção Aérea, Devlin Costal, também havia sido expulso. "Costal se encontra nos EUA e não voltará à Venezuela."

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O vice-presidente venezuelano também afirmou que o país está atrás de pistas de outros elementos que configuram todo "esse quadro venenoso para buscar perturbações e estimular outras". "Não economizaram nenhum recurso para fazer o primeiro dano na economia. No âmbito político, há uma campanha permanente de rumores e mentiras nos dias tão difíceis que vivemos desde 8 de dezembro", disse Maduro, em referência à época em que se confirmou o retorno do câncer de Chávez.

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Cartaz do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é visto através de janela com formato de cruz de dentro da capela no hospital militar de Caracas

'Câncer causado por inimigos'

Em seu pronunciamento, Maduro também sugeriu que a doença de Chávez teria sido "induzida". Segundo ele, "há pistas" nesse sentido, acrescentando que no futuro será feita uma investigação científica a esse respeito. "Não temos dúvidas de que o comandante Chávez foi atacado com essa doença. Os inimigos históricos de nossa pátria buscaram o ponto para prejudicar a saúde de nosso comandante."

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Na noite de segunda-feira, o governo afirmou que o estado de saúde Chávez era "muito delicado" depois de o líder sofrer uma nova e severa infecção respiratória.

Chávez apontou Maduro como seu potencial sucessor antes de embarcar para Cuba para ser submetido à quarta cirurgia relativa a um câncer não especificado na região pélvica que foi detectado em meados de 2011. A Constituição pede que eleições antecipadas sejam convocadas se Chávez for declarado incapaz de governar ou se morrer. Reeleito em outubro, Chávez não pôde tomar posse em 10 de janeiro por causa da doença, cerimônia que foi prorrogada indefinidamente.

Em meio às notícias sobre a piora de saúde de seu líder, dezenas de partidários apaixonados de Chávez rezaram e choraram na manhã desta terça na capela católica no hospital militar onde o líder passou as últimas duas semanas desde que voltou de Cuba. "Há tanta tristeza e confusão", disse a chavista Marisol Aponte, uma agente comunitária nas favelas de Caracas, com a voz embargada de emoção. "Mas temos de ser fortes e colocar em prática tudo o que ele nos ensinou."

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O presidente, de 58 anos, não tem sido visto em público nem ouvido desde que foi submetido à cirurgia em 11 de dezembro. "A vontade de Deus será feita. Estamos apenas orando por ele, como sempre fizemos", afirmou Maria Fernandez, de 33 anos, que trabalha como voluntária em um escritório do Partido Socialista, que ocupa a antiga casa de Chávez na aldeia rural de Sabaneta, onde ele cresceu.

Apesar de poucos detalhes médicos, funcionários disseram que Chávez respira por meio de um tubo traqueal, está incapaz de falar e passa por uma nova rodada de tratamento de quimioterapia.

O governo está furioso com a especulação, particularmente entre a mídia pró-oposição, de que Chávez pode já estar morto. O líder da oposição Henrique Capriles acusou repetidamente  Maduro e outros de mentir sobre a condição de Chávez.

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Agravamento da condição

Chávez sofreu várias complicações após a cirurgia de 11 de dezembro, incluindo sangramento inesperado e uma infecção respiratória grave, que autoridades disseram que havia sido controlada.

"Hoje, há um agravamento de sua função respiratória, relacionado a seu sistema de imunidade enfraquecido. Há agora uma infecção nova, grave", disse o ministro da Informação Ernesto Villegas na noite de segunda.

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"O comandante-presidente permanece apegado a Cristo e à vida, consciente das dificuldades que enfrenta, e cumprindo rigorosamente o programa criado por sua equipe médica."

Chávez passou por várias rodadas cansativas de quimioterapia e radioterapia, que às vezes o deixaram careca e inchado. Ele declarou-se duas vezes erroneamente curado. A única imagem divulgada dele desde sua última operação foram quatro fotos publicadas pelo governo, enquanto ainda estava em Havana, que o mostraram deitado em uma cama de hospital.

*Com AP e Reuters

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