Presidente italiano considera novo governo tecnocrata, dizem fontes

Por Reuters |

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Perante impasse eleitoral da votação de fevereiro, Napolitano estuda adotar essa medida se líder da centro-esquerda fracassar em formar nova governo

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O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, considera nomear um novo governo tecnocrata, liderado por alguém de fora da política, para tirar o país do seu impasse pós-eleitoral, disseram fontes nesta terça-feira.

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Fotógrafos registram momento em que líder do Partido Democrata, Pier Luigi Bersani, deposita voto em Piacenza, Itália (24/02)

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Essa solução deve ser adotada se o líder da coalizão italiana de centro-esquerda, Pier Luigi Bersani, não conseguir formar um gabinete depois de receber autorização para isso de Napolitano.

Bersani conquistou maioria na Câmara dos Deputados na eleição de fevereiro e diz ter o direito de ser o primeiro a tentar formar um governo, embora não tenha maioria viável no Senado.

Mas o líder do Movimento 5 Estrelas, o comediante Beppe Grillo, que se tornou o fiel da balança na política italiana após catalisar o voto de protesto, respondeu a especulações sobre um gabinete tecnocrata dizendo que não o apoiaria.

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"Governos tecnocratas não existem na natureza, só governos políticos apoiados por maiorias parlamentares. O governo (do atual primeiro-ministro, Mario) Monti foi o mais político desde a guerra (Segunda Guerra Mundial)", escreveu Grillo no seu blog.

Segundo ele, um premiê tecnocrata seria apenas uma "folha de figueira" para cobrir as responsabilidades dos partidos tradicionais.

Por razões constitucionais, Napolitano só deve iniciar por volta de 15 de março, quando assume o novo Parlamento eleito em fevereiro, as consultas com os partidos políticos, e essa demora estimula os rumores e as manobras políticas.

Como nenhum partido tem maioria no Parlamento, a formação de um governo depende de um acordo entre pelo menos duas das três principais forças rivais - a centro-esquerda, de Bersani; o bloco de centro-direita, comandado pelo ex-premiê Silvio Berlusconi, e o alternativo Movimento 5 Estrelas.

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Líder do Movimento 5 Estrelas, o comediante Beppe Grillo, dá entrevista depois de votar em Gênova, Itália (25/02)

Grillo tem manifestado hostilidade às aberturas de Bersani, e acredita-se que dificilmente poderia apoiar um governo liderado pelo rival.

Na segunda-feira, Vito Crimi, recém-indicado líder do 5 Estrelas no Senado, disse que seu grupo não dará um voto de confiança a nenhum governo que seja liderado por um dos partidos principais, mas que poderia apoiar um gabinete "alternativo ao sistema partidário".

No dia seguinte, porém, Crimi afirmou que seus comentários foram mal interpretados, e que o 5 Estrelas não apoiará um governo tecnocrata. Ele acrescentou que o bloco tem a ambição de comandar o gabinete.

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O atual gabinete tecnocrata italiano, comandado por Monti, foi nomeado em 2011, com a missão de tirar a Itália de uma crise financeira que ameaçava fechar os mercados financeiros ao país.

Grillo passou boa parte da campanha eleitoral deste ano fazendo críticas duras ao governo de Monti. 

A liderança do Partido Democrático, de Bersani, deve se reunir na quarta para discutir seus próximos passos e definir um pacote de reformas a ser apresentado ao Parlamento. Bersani diz descartar uma aliança com Berlusconi, mas não com Grillo.

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