Morte de Chávez abre caminho para novas eleições na Venezuela

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Constituição prevê que, na ausência absoluta de presidente eleito, nova votação ocorra dentro de 30 dias; país seria governado interinamente por líder da Assembleia Nacional

O anúncio da morte do presidente venezuelano, Hugo Chávez, cuja doença o impediu de assumir seu quarto mandato em 10 de janeiro após sua reeleição em outubro, deve pôr em movimento uma eleição presidencial para sua sucessão.

Obituário: Morre aos 58 anos Hugo Chávez, presidente da Venezuela

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Reprodução de TV mostra vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante anúncio da morte de Chávez


Cronologia 1: Veja os principais momentos da trajetória política de Hugo Chávez

Cronologia 2: Chávez e sua luta contra o câncer

De acordo com o artigo 233 da Constituição do país, uma nova votação deve ocorrer nos 30 dias consecutivos seguintes à ausência absoluta do presidente. No período da eleição até a posse do novo presidente eleito, o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Diosdado Cabello, assume interinamente o poder.

O vice Nicolás Maduro, apontado pelo próprio Chávez em dezembro como seu potencial sucessor, anunciou que Chávez morreu "depois de enfrentar uma dura doença por quase dois anos". Mas apesar de sua morte pôr fim a um governo de 14 horas de duração, ainda deixa o país sob controle firme do partido governista.

O anúncio da morte de Chávez surgiu horas depois de Maduro anunciar que o governo havia expulsado dois diplomatas dos EUA do país e de dizer que não "tinha nenhuma dúvida" de que o câncer de Chávez, primeiramente diagnosticado em junho de 2011, foi induzido por uma conspiração de "inimigos históricos de nossa pátria".

Horas antes: Venezuela expulsa dois diplomatas dos EUA em meio à piora da saúde de Chávez

Ele comparou a situação à morte do líder palestino Yasser Arafat, alegando que Arafat foi "inoculado com uma doença".

O círculo de poder próximo a Chávez por muito tempo alegou que os EUA estavam por trás da tentativa de golpe para derrubá-lo em 2002, e o líder venezuelano por muito tempo usou a manobra antiamericana para angariar apoio: a Venezuela está sem um embaixador dos EUA desde julho de 2010.

Desde a ausência de Chávez, Maduro assumiu um maior papel no país, e alguns analistas indicaram suspeitas de que a sugestão de Maduro de que o país está sob ataque de uma conspiração dos EUA poderia ser um subterfúgio para adiar as eleições e agarrar-se mais ao poder.

Na noite de segunda-feira, o governo anunciou que o estado de saúde Chávez era "muito delicado" depois de o líder sofrer uma nova e severa infecção respiratória.

Ao anunciar a suposta conspiração contra o país, Maduro afirmou que o país havia expulsado um adido da Força Aérea da Embaixada dos EUA em Caracas sob acusação de conspirar contra o governo. Posteriormente, o ministro de Relações Exteriores venezuelano, Elías Jaua, anunciou a expulsão de outro funcionário americano, também um adido aeronáutico.

De acordo com o vice, o diplomata reuniu-se com militares venezuelanos e tinha um plano conspiratório no âmbito econômico, político e militar para desestabilizar a Venezuela.

AP
Partidários de Hugo Chávez se desesperam após notícia da morte do presidente da Venezuela

Segundo Maduro, o adido da Força Aérea americana David Delmonaco estaria espionando o Exército venezuelano e seria responsável por um plano que teria como objetivo somar militares venezuelanos à suposta conspiração contra o país. "Foi expulso e tem 24 horas para sair da Venezuela. Nossas Forças Armadas se respeitam. Emitimos uma nota oficial ao governo dos EUA (sobre o assunto)."

O porta-voz da embaixada dos EUA Greg Adams confirmou a identidade de Delmonaco, mas não fez nenhum comentário sobre o caso. Em Washington, o coronel do Exército Todd Breasseale, um dos porta-vozes do Pentágono, disse: "Temos consciência das alegações e podemos confirmar que o adido Aéreo está a caminho dos EUA." Posteriormente, Breasseale confirmou que o número 2 da seção Aérea, Devlin Costal, também havia sido expulso. "Costal se encontra nos EUA e não voltará à Venezuela."

O vice-presidente venezuelano também afirmou que o país está atrás de pistas de outros elementos que configuram todo "esse quadro venenoso para buscar perturbações e estimular outras". "Não economizaram nenhum recurso para fazer o primeiro dano na economia. No âmbito político, há uma campanha permanente de rumores e mentiras nos dias tão difíceis que vivemos desde 8 de dezembro", disse Maduro, em referência à época em que se confirmou o retorno do câncer de Chávez.

*Com AP e Reuters

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