Acusado de crimes contra a humanidade por violência eleitoral há cinco anos, vice-premiê, porém, ainda pode ser ultrapassado na apuração por primeiro-ministro Raila Odinga

Reuters

O candidato presidencial queniano Uhuru Kenyatta abriu uma vantagem inicial na apuração de votos da eleição do Quênia nesta terça-feira, em uma votação com comparecimento de milhões de eleitores apesar da violência que deixou ao menos 19 mortos.

Violência: Eleitores vão às urnas no Quênia em meio a ataques

Agente prisional ajuda a carregar caixas com cédulas para que sejam estocadas após seus votos terem sido apurados em Nairóbi, Quênia
AP
Agente prisional ajuda a carregar caixas com cédulas para que sejam estocadas após seus votos terem sido apurados em Nairóbi, Quênia

Kenyatta: Quênia permite que acusado de crimes contra humanidade concorra às eleições

O atual vice-primeiro-ministro, que enfrenta acusações internacionais de crimes contra a humanidade ligados à última eleição, estava à frente do primeiro-ministro Raila Odinga.

Mas Kenyatta ainda pode ser ultrapassado na contagem dos votos, numa eleição que os quenianos esperam restaurar a imagem do país como um das democracias mais estáveis da África após o derramamento de sangue de cinco anos atrás.

Apesar de a votação ter transcorrido no geral pacificamente e com uma grande participação, o verdadeiro teste será se os candidatos e seus partidários aceitarão o resultado, após a apuração contestada de 2007 que deixou mais de 1,2 mil mortos em conflitos étnicos.

"Ninguém deve comemorar, ninguém deve reclamar", disse o presidente da comissão eleitoral, Isaac Hassan, dizendo que o trabalho está sendo feito para resolver falhas e acelerar a contagem. "Nós, portanto, continuamos apelando pela paciência do público."

A comissão diz que os resultados provisórios não podem ser totalizados até quarta-feira. Ou seja, uma declaração oficial não virá até então.

A vantagem de Kenyatta foi verificada durante a noite, quando, no entanto, mais de 60% dos locais de votação ainda não tinham sido apurados. Os aliados de Odinga disseram que a contagem em seus redutos eleitorais ainda não tinha sido concluída, e um debate sobre o destino de um número considerável de votos anulados pode mudar o resultado.

Os EUA e doadores ocidentais acompanham de perto a eleição, preocupados com a estabilidade de uma nação vista como uma importante aliada regional na luta contra a militância islâmica.

Eles também se preocupam com o que fazer se Kenyatta ganhar, diante das acusações que enfrenta no Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade relacionados à violência de há cinco anos.

Com as lembranças ainda frescas da violência após a última eleição, e o impacto terrível sobre a economia, muitos quenianos estão determinados a não permitir uma repetição dos problemas e os candidatos comprometeram-se a aceitar o resultado.

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