Chávez piora por causa de nova infecção respiratória e situação é 'delicada'

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em comunicado nacional, ministro Ernerto Villegas diz que presidente faz sessões de quimioterapia de 'forte impacto'; Venezuela entra em clima de campanha não-declarada

Duas semanas após retornar a Caracas, o estado de saúde do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é bastante delicado, em consequência de uma nova "severa" infecção respiratória, admitiu o governo na noite desta segunda-feira (4).

"No dia de hoje há uma piora na função respiratória relacionada com o estado de imuno-depressão própria de sua situação clínica (...) atualmente (Chávez) apresenta uma nova e severa infecção", informou o ministro de Comunicação Ernesto Villegas ao ler um comunicado.

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Divulgação
Hugo Chávez, presidente da Venezuela, tira fotos ao lado das filhas (15/02/2013)

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No documento, o Executivo afirma que Chávez está sendo submetido a sessões de quimioterapia de "forte impacto", além de outros tratamentos complementares para tentar combater o câncer contra o qual vem lutando. "O estado geral continua sendo muito delicado", afirmou Villegas.

Chávez não é visto ou ouvido, exceto através de fotos divulgadas pelo governo em fevereiro, desde que foi submetido a quarta cirurgia em Cuba em dezembro para a retirada de um tumor não especificado. Ele foi diagnosticado com a doença pela primeira vez em junho de 2011.

Segundo o governo, ele retornou ao seu país em 18 de fevereiro e, desde então, está internado no hospital militar de Caracas. 

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Villegas afirmou que Chávez estava "junto a Cristo e consciente das dificuldades que enfrenta". Ele também aproveitou a oportunidade para atacar "a direita venezuelana corrupta" pelo que chamou de guerra psicológica que pretende criar "cenários de violência como pretexto para intervenção estrangeira". Ele convocou os partidários de Chávez para estar "em pé de guerra". 

Saques e um suposto levantamento militar foram alvo de intrigas que circularam nas redes e em mensagens de texto enviadas por celular. O impacto dos rumores tem sido tanto que o governo fala de uma "guerra de contra-informação" para desestabilizar o país.

Caso Chávez não tenha mais capacidade de exercer a presidência, a oposição poderia competir com um candidato do governo em uma eleição que, segundo os opositores, deveria ter sido convocada logo que Chávez não tomou posse em 10 de janeiro.

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De fato, a campanha já teve início, apesar de não declarada, com o vice-presidente Nicolás Maduro, que Chávez disse que iria sucedê-lo, frequentemente defendendo em cadeia nacional pela televisão "a revolução".

Chávez foi reeleito em 7 de outubro, e é esperado que seu adversário na ocasião, o governador de Miranda, Henrique Capriles, volte a se candidatar. 

O militante pró-Chávez Enrique Barroso pareceu solene ao atender o telefone na noite de segunda-feira. "Isso não é fácil para ele nem para nós", disse. "Convocamos o povo a rezar e fazer uma vigília pela saúde do presidente."

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Uma das três filhas de Chávez, Maria Gabriela, agradeceu às orações via Twitter. "Venceremos", escreveu, reproduzindo uma frase conhecida de seu pai. "Com Deus sempre."

Silêncio e rumores

Há rumores de que o tumor de Chávez se espalhou para seus pulmões e não pode ser curado. No fim de semana, boatos sobre uma piora de seu estado de saúde e inclusive de seu suposto falecimento dominaram as redes sociais.

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Na semana passada, Maduro disse que o presidente estava sendo submetido a quimioterapia desde janeiro. Em Cuba, Chávez teve uma severa infecção respiratória em dezembro que quase o matou, segundo informou o vice-presidente. Um tubo traqueal foi injetadono presidente e autoridades do governo afirmaram que Chávez tinha dificuldades para respirar.

O governo venezuelano deu sinais confusos sobre os dias de pós-operatório de Chávez e no início de fevereiro, pesquisas de opinião apontavam que três em cada cinco venezuelanos acreditavam que o presidente se recuperaria.

Em Cuba, Chávez foi submetido a diversos tratamentos com radiação e quimioterapia após sua cirurgia. 

Protestos

No fim de semana, chavistas e anti-chavistas realizaram pequenas manifestações em Caracas. Os primeiros para defender o "direito à recuperação" do presidente e os outros para exigir "a verdade" sobre seu estado de saúde. A coalizão opositora exige que uma junta médica avalie a saúde de Chávez para determinar se novas eleições devem ser convocadas.

AP
Manifestantes nas ruas de Caracas pedem informações mais concretas sobre o estado de saúde de Chávez (3/3)

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Na sexta-feira, altos funcionários do governo inauguraram, acompanhado de uma das filhas de Chávez, uma capela no Hospital Militar de Caracas, onde o líder venezuelano está sendo tratado.

O semblante de tristeza visto no rosto dos dirigentes governistas, principalmente o de sua filha Maria Gabriela, foi alvo de especulações sobre o suposto deterioramento da saúde do mandatário. Ao mesmo tempo, o governo envia mensagens de esperança, dando margem à interpretação de que a recuperação de Chávez seria favorável.

"O teminha de hoje: 'o rosto de Maria Gabriela Chávez'. Tristeza? Não posso estar feliz se meu pai está doente! Mas continuo apegada a meu Deus", retrucou a filha do presidente em sua conta no Twitter, em resposta aos comentários nas redes sociais, na sexta-feira.

Com AP e BBC

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