Emboscadas e atentados deixam 19 mortos enquanto cidadãos do país africano enfrentam longas filas para votar para presidente; apuração de urnas começa em algumas regiões

Separatistas armados com armas, machetes, arcos e flexas lançaram ataques que deixaram 19 mortos na costa do Quênia, enquanto atiradores invadiram duas seções eleitorais depois de milhões de quenianos terem esperado em longas filas para depositar seus votos na primeira eleição presidencial a ocorrer cinco anos depois de atentados relacionados a uma votação terem deixado 1 mil mortos no país africano. Os votos começaram a ser apurados em algumas regiões.

Kenyatta: Quênia permite que acusado de crimes contra humanidade concorra às eleições

Violência: Confrontos tribais deixam mais de 30 mortos no Quênia

Eleitores aguardam em fila para votar nas eleições gerais em Ilbissil, Quênia
AP
Eleitores aguardam em fila para votar nas eleições gerais em Ilbissil, Quênia


Colônia: Quenianos poderão processar Reino Unido por torturas

Um grupo de 200 homens portando armas, facões, arcos e flechas lançaram uma emboscada contra a polícia nas primeiras horas da manhã, deixando cinco mortos, incluindo um dos agressores, informou o inspetor David Kimaiyo. O grupo - o Conselho Republicano Mombasa (CRM) - já havia feito ameaças públicas de violência para o dia da eleição. Além desse ataque em Mombasa, a polícia culpou o CRM por outros três atos de violência na vizinha Kilifi.

Conflito: Tropas quenianas invadem reduto de grupo terrorista na Somália

Os dois principais candidatos à presidência condenaram os atos de violência. O premiê Raila Odinga caracterizou os ataques como um "hediondo ato de agressão" durante um momento histórico. O vice-premiê Uhuru Kenyatta disse que estava certo de que a situação da segurança ficaria sob controle.

Autoridades enviaram um reforço de 400 agentes para Mombasa para melhorar as condições de segurança. A ONU restringiu a movimentação de sua equipe na costa por causa da violência. "Pessoas com intenções doentias devem ser impedidas de todas as maneiras", disse Kimaiyo, explicando que orientou a polícia a usar suas armas para impedir a perda de muitas vidas.

Em 2012: Hillary alerta Quênia para custo de agitação durante as eleições

As longas filas nos colégios deixaram os eleitores frustrados nas primeiras horas da manhã. A tecnologia biométrica é utilizada pela primeira vez no país para evitar fraudes, mas aparentemente foi a responsável por retardar o processo de votação. Em diversos lugares, os equipamentos apresentaram falhas.

Odinga votou em uma escola primária e reconheceu o que chamou de "desafios eleitorais". Ele afirmou que funcionários do governo tomavam medidas para "remediar essas anormalidades". "Nunca antes tantos quenianos compareceram às urnas", disse. "Estou certo de que votarão para mudar essa eleição."

Kenyatta deu uma mensagem conciliadora para fazer com que os quenianos aceitassem o resultado da eleição sem violência. "Essa nação terá um presidente que representará todos os quenianos."

NYT: Saída de embaixador dos EUA no Quênia reflete difícil transição da vida militar

O presidente da Comissão Eleitoral Independente, Ahmed Issack Hassan, pediu que os eleitores não se deixassem intimidar pela violência, mas também afirmou a funcionários que eles devem garantir que os cidadãos não ficassem horas na fila - especialmente na errada. Autoridades eleitorais também devem prevenir os eleitores de ficar nervosos ou deixar a seção eleitoral sem votar, acrescentou.

Os líderes quenianos trabalharam por meses para reduzir as tensões eleitorais, mas diversos fatores facilitaram a ocorrência da violência. As tribos dos dois principais candidatos à presidência têm um longo histórico de rivalidade, e 47 votações para novos governadores também são realizadas, o que aumenta os riscos de problemas no nível local.

A rivalidade entre Kenyatta e Odinga remonta há décadas. Kenyatta é da etnia Kikuyu e filho do presidente fundador do Quênia. Odinga é da etnia Luo e seu pai foi o primeiro vice-presidente do país. Pesquisas apontam para uma disputa acirrada. Oito candidatos concorrem à presidência e há grandes chances de ser necessário um segundo turno em abril. Era esperado que 14 milhões de eleitores comparecessem aos colégios eleitorais.

Com AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.