Sem papa, Igreja Católica aguarda conclave que escolherá novo líder

Por AP | - Atualizada às

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Saiba quem cuida da governança do Vaticano durante a chamada 'sede vacante'; cardeais se reúnem segunda-feira de manhã para as primeiras reuniões pré-votação

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A Igreja Católica acordou nesta sexta-feira (1) sem ter um líder após a renúncia de Bento 16, que jurou obediência ao seu sucessor e descreveu a si mesmo como "um simples peregrino" dando início à jornada final de sua vida.

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Foto divulgada nesta sexta pelo jornal do Vaticano mostra o então papa Bento 16 abençoando fiéis da janela da residência papal em Castel Gandolfo (28/02)

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Agora, começa o período da Igreja conhecido como "sede vacante", ou "sé vacante" - a transição do fim de um papado para o começo de um novo.

Durante esse tempo, diversos personagens importantes se encarregam de governar a Santa Sé, guiando o Colégio dos Cardeais em suas deliberações e organizando o conclave dos cardeais que vão escolher o sucessor de Bento 16.

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Com o fim do pontificado de Bento 16 marcado às 20h de terça-feira (16h de terça em Brasília), cada chefe de departamento no Vaticano perde sua função - com exceção daqueles considerados cruciais para o período de transição.

Na segunda-feira (4), os cardeais começam as reuniões para marcar a data do conclave e discutir os desafios que a Igreja Católica inteira. Conheça as figuras importantes que governarão a Igreja nos dias que se seguem:

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Cardeal Tarcísio Bertone (13/2/2013)

O carmelengo: cardeal Tarcisio Bertone

O carmelengo cuida dos atos de rotina da Santa Sé assim que o papado termina. Ele é quem sela os quartos do papa e toma posse do Palácio Apostólico "salvaguardando e administrando os bens e direitos temporários da Santa Sé" até que um novo papa seja eleito. Na noite de terça-feira, Bertone selou o apartamento papal, que não poderá ser reaberto até que um sucessor seja escolhido.

Em 2007, Bento 16 deu a função de carmelengo a Bertone, 78 anos, uma escolha natural dada a posição do cardeal no Vaticano, de secretário de Estado - espécie de número dois do papa. Clérigo da ordem dos salesianos, Bertone se formou canonista e ensinou o direito da Igreja em várias universidades romanas durante vários anos antes de trabalhar para o ex-cardeal Joseph Ratzinger no gabinete da doutrina em 1995.

Como secretário de Estado, Bertone conquistou a confiança de Bento 16, mas seu legado foi difuso. Ele não tinha experiência diplomática e críticos culpam Bertone pelas gafes do papado de Bento 16 e pela governança disfuncional do Vaticano. O vazamento de documentos do papa em 2012 minou sua autoridade, expondo as lutas de poder que ocorriam sob seu comando. Em seu último discurso, entretanto, Bento destacou Bertone em seus agradecimentos.

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Cardeal Angelo Sodano (11/02/2013)

O decano do Colégio de Cardeais: cardeal Angelo Sodano

O decano é o integrante sênior do Colégio dos Cardeais, os chamados "príncipes" da Igreja, que possuem o desafio de eleger um novo papa. Em um de seus primeiros atos como decano, Sodano, na sexta-feira (1), convocou os cardeais a Roma para participar das reuniões pré-conclave, uma formalidade, uma vez que todos que participarão da votação já se encontram na capital italiana. O primeiro encontro começa na segunda-feira, às 9h30 (5h30 em Brasília).

O decano orienta esses encontros, em que os problemas da Igreja são discutidos, e tem deveres dentro do conclave em si, inclusive o de questionar o recém eleito pontífice se ele aceita o cargo. Mas como Sodano tem 85 anos e não pode votar, algumas dessas obrigações serão repassadas ao sub-decano.

Sociável, o cardeal italiano foi, por muito tempo, secretário de Estado do papa João Paulo 2º. Como decano, falou em nome de todos os cardeais durante a despedida final de Bento 16 na quinta-feira (28), agradecendo por seus "serviços".

Ainda assim, Sodano e Bento 16 eram conhecidos por terem protagonizado um confluto quando Bento ainda era cardeal Ratzinger, particularmente durante o escândalo sobre a ordem religiosa Legião de Cristo. Sodano era um defensor do falecido fundador da legião, o reverendo Marcial Maciel, apesar de o Vaticano ter conhecimento de sólidas acusações de que ele molestara seminaristas durante anos. No primeiro ano de Bento 16 no papado, Maciel foi sentenciado pelo Vaticano a uma vida de penitência e orações por seus crimes. No mesmo ano, Bento 16 colocou Bertone no lugar de Sodano como secretário de Estado.

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Cardeal Guido Marini (11/02/2013)

O mestre de cerimônias litúrgicas: monsenhor Guido Marini

O mestre de cerimônias litúrgicas organiza o lado religioso do conclave e a missa para o novo papa, todos rituais cuidadosamente coreografados. Ele está ao lado do decano quando o recém-eleito papa é questionado sobre aceitar ou não o cargo. E como a principal testemunha, ele elabora o documento comprovativo formal que leva o nome do novo papa e sua aceitação do trabalho.

Bento 16 nomeou Marini para a função em 2007, substituindo Piero Marini, que, por duas décadas, foi o braço direito de João Paulo 2º nas questões litúrgicas. A troca foi intencional. Sob Guido Marino, as missas papais ganharam mais reverência, com mais cânticos latinos e gregorianos.

Nas mudanças introduzidas pouco antes da renúncia, Bento deixou claro que ele queria que seu papado carregasse uma visão mais tradicional, o que seria deixado de herança para o sucessor. Ele quis que os ritos de entronação fossem separados da liturgia e que os cardeais fizessem uma promessa pública de obediência ao novo papa durante a missa. Antes, o compromisso de obediência era feito privadamente na Capela Sistina, logo após a eleição.

Reprodução
Jean-Louis Tauran (02/2010)

O protodiácono: cardeal Jean-Louis Tauran

A tarefa principal do protodiácono é anunciar ao mundo que o papa foi eleito. Ele é quem anuncia o "Habemus Papam!" do balcão que dá para a Praça de São Pedro depois que a fumaça branca sai da chaminé da Capela Sistina. Ele, então, apresenta o novo papa, em latim, junto ao nome que o eleito escolheu adotar.

O francês é um veterano na diplomacia do Vaticano que serviu na República Dominicana e no Líbano. Atualmente, ele chefia o gabinete do Vaticano para o diálogo inter-religioso, em outras palavras, é o homem das relações entre os católicos e os muçulmanos.

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