Disputa sobre sionismo aprofunda racha entre ex-aliados Israel e Turquia

Por Reuters |

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Premiê israelense caracteriza como 'falsa' declaração de primeiro-ministro turco de que o sionismo, principal força por trás da criação de Israel, é um crime contra a humanidade

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou seu homólogo turco, Tayyip Erdogan, de fazer uma declaração "escura e falsa" ao chamar o sionismo de crime contra a humanidade, comentário que deve prejudicar os esforços para reparar os laços entre os dois antigos aliados.

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AP
Primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, fala durante coletiva conjunta com chanceler alemã, Angela Merkel, em Ancara, Turquia (25/02)

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A declaração do primeiro-ministro turco, feita em uma reunião da ONU em Viena na quarta-feira, também foi condenada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que a considerou "dolorosa e divisiva", e pela Casa Branca. O chefe do principal grupo de rabinos da Europa a chamou de um "ataque de ódio" contra os judeus.

"Assim como o sionismo, o antissemitismo e o fascismo, tornou-se impossível não ver a islamofobia como um crime contra a humanidade", disse o primeiro-ministro turco no fórum Aliança de Civilizações da ONU, de acordo com relatos da mídia turca.

Os laços entre Israel e Turquia, de maioria muçulmana, estão prejudicados desde 2010, quando nove turcos foram mortos por comandos israelenses que invadiram um navio que transportava ajuda aos palestinos em Gaza.

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Nas últimas semanas, houve uma série de relatos na imprensa turca e israelense sobre os esforços para reparar as relações, incluindo uma reunião diplomática de alto nível no início deste mês em Roma e a transferência de equipamentos militares.

Um comunicado do gabinete do primeiro-ministro israelense disse que Netanyahu "condena veementemente a declaração (de Erdogan) sobre o sionismo e sua comparação com o fascismo". O movimento sionista foi a principal força por trás da criação do Estado de Israel.

"Esse é um pronunciamento escuro e falso, do tipo que pensávamos ter passado à história", disse Netanyahu, segundo o comunicado divulgado na quinta-feira. A chancelaria turca não estava imediatamente disponível para comentar as críticas do primeiro-ministro israelense.

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Pinchas Goldschmidt, rabino-chefe de Moscou e chefe da Conferência de Rabinos Europeus, disse que as críticas de Erdogan ao sionismo remontam ao antissemitismo.

"Esse é um ataque ignorante e odioso sobre o povo judeu e contra um movimento que tem a paz em seu núcleo, que relega o primeiro-ministro Erdogan ao nível de Mahmud Ahmadinejad (presidente iraniano) e dos líderes soviéticos que usaram o antissionismo como um eufemismo para o antissemitismo", disse Goldschmidt em comunicado enviado por email.

A Casa Branca também condenou a declaração. "Rejeitamos a caracterização do primeiro-ministro Erdogan do sionismo como um crime contra a humanidade, o que é ofensivo e errado", disse o porta-voz da Casa Branca Tommy Vietor em comunicado.

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