Conclave traz à tona histórico de transgressões e pecados de cardeais

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Um deles é Roger Mahony, que protegeu religiosos acusados de abuso sexual nos EUA e rejeita pressão popular para que não participe de eleição de novo papa no Vaticano

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A pressão popular aumenta nos EUA e na Itália para manter o cardeal Roger Mahony, da Califórnia, longe do conclave para eleger o próximo papa por seu papel em proteger sacerdotes acusados de abuso sexual, um dos mais proeminentes movimentos contra um grupo de cardeais comprometidos que deverão votar no mês que vem.

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Cardeal Roger Mahony é visto durante serviço religioso na Catedral de Nossa Senhora dos Anjos em Los Angeles, Califórnia (06/02/2008)

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Em meio aos protestos, Mahony deixou claro que vai ao Vaticano, e ninguém poderá forçá-lo a abster-se. Um historiador do Vaticano disse no dia 20 que não há precedentes para que um cardeal não participe por causa de um escândalo pessoal. Mas a crescente campanha de base é uma indicação de que os católicos comuns exigem cada vez mais ter poder de voz para decidir quem está apto a eleger seu papa.

Conclaves sempre conseguem extrair o que há de pior no histórico de um cardeal ao trazer à tona diante da mídia pecados passados e transgressões pouco tempo antes da votação. Dessa vez não é diferente - exceto que as revelações dos pecados de Mahony são atuais e ocorreram durante uma rodada recente de escândalos de abuso sexual na Europa e EUA.

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Na semana semana, a influente revista católica italiana Famiglia Cristiana perguntou a seus leitores se o cardeal Mahony, que fica em Los Angeles, deveria participar do conclave dadas as revelações. "Sua opinião: Mahony no conclave: Sim ou Não", questionou a pesquisa online de uma das revistas mais lidas da Itália. A maioria entre as mais de 350 respostas indicou: "Não."

Essa iniciativa foi seguida por uma petição por um grupo nos EUA, os Católicos Unidos, exigindo que Mahony não participasse da eleição.

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"É a coisa certa a ser feita", disse Andrea León-Grossman, membro dos Católicos Unidos em Los Angeles, em um comunicado no site do grupo. "No interesse das crianças que foram abusadas em sua diocese, ele precisa ficar longe dos olhos do público. Ele já foi destituído de seu ministério. Se ele está realmente arrependido pelo que aconteceu, deveria demonstrar alguma humildade e optar por ficar em casa. "

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Turistas são refletidos em retrato de papa Bento 16 na Praça de São Pedro, no Vaticano (26/02)

Mahony, no entanto, deixou claro que votará. "Contagem regressiva para o conclave papal começou. Suas orações são necessárias para que possamos eleger o melhor papa para a Igreja de hoje e amanhã", twittou, prometendo atualizações diárias no microblog.

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O cardeal também respondeu direta e indiretamente às acusações em seu blog, escrevendo sobre as diversas "humilhações" que Jesus sofreu.

No mês passado, um tribunal de Los Angeles ordenou a libertação de milhares de páginas de arquivos pessoais confidenciais de mais de 120 padres acusados de abuso sexual. Os arquivos mostraram que Mahony e outras autoridades de alto escalão da arquidiocese esquematizaram táticas nos bastidores para proteger os padres acusados e a igreja de um escândalo crescente, deixando os paroquianos no escuro.

O historiador Ambrogio Piazzoni, vice-prefeito da Biblioteca do Vaticano, disse que não há precedente para um cardeal ficar longe de um conclave por causa de um escândalo pessoal, embora no passado alguns tenham sido impedidos, seja por doença ou interferência por parte dos governos.

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Domo da Basílica de São Pedro é refletido em poça d'água enquanto operários preparam audiência semanal do papa Bento 16 no Vaticano (25/02)

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Independentemente disso, ele afirmou que a decisão de não votar teria de ser aprovada pelo Colégio de Cardeais, dado que o principal dever de um cardeal é votar em um conclave. "A única coisa que caracteriza um cardeal é ser um eleitor do papa", disse.

O cardeal Velasio De Paolis, um dos melhores advogados do Vaticano, disse à Associated Press que, sem a restrição de quaisquer impedimentos canônicos, Mahony tem o direito e o dever de votar no conclave. Na melhor das hipóteses, afirmou, alguém poderia convencê-lo a não ir, acrescentando que não dizia isso como uma sugestão.

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Os jornais italianos foram preenchidos com perfis dos cardeais cuja presença no conclave seria uma "vergonha" para o Vaticano. Eles incluíram o irlandês Sean Brady, acusado de encobrir abusos sexuais; o belga Godfried Danneels, cujos escritórios foram vasculhados em 2010 em meio a uma ofensiva contra os padres pedófilos; e o cardeal Justin Rigali; que se aposentou como arcebispo na Filadélfia em desgraça depois que um grande júri o acusou de manter agressores acusados empregados.

Também houve ocorrências na corrida para o conclave de 2005 que elegeu o cardeal Joseph Ratzinger como papa.

O cardeal argentino Jorge Bergoglio, por exemplo, foi citado em um processo criminal poucos dias antes do conclave, sob a alegação de que teve envolvimento nos sequestros de 1976 de dois colegas jesuítas durante os anos sombrios da ditadura militar da Argentina. O porta-voz do cardeal chamou a alegação feita por um advogado de direitos humanos de "calúnia". Segundo o único relato publicado do voto secreto de 2005, Bergoglio ficou em segundo lugar.

*Por Nicole Winfield

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