Resultados parciais apontam impasse em eleição da Itália

Por iG São Paulo |

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Liderança de centro-esquerda na Câmara e de centro-direita no Senado dificulta formação de novo governo. Se confirmado, resultado pode levar a novas eleições nos próximos meses

A perspectiva de paralisia política assomba a Itália nesta segunda-feira à medida que resultados oficiais parciais de uma eleição crucial mostram fortes ganhos de um movimento de protesto liderado por um comediante e a provável divisão do controle das duas Casas do Parlamento entre as forças tradicionais de centro-esquerda e centro-direita.

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Reuters
Líder do Movimento 5 Estrelas, o comediante Beppe Grillo, dá entrevista depois de votar em Gênova, Itália

Domingo: Itália vota em eleição vista como crucial para recuperação econômica

A história da eleição na terceira maior economia da zona do euro se direciona para a incrível votação para Beppe Grillo, cujo Movimento 5 Estrelas capitalizou uma onda de voto de protesto contra a classe política dominante.

Outra surpresa foi o retorno da força política do bilionário da mídia SIlvio Berlusconi, que foi forçado a renunciar ao cargo de primeiro-ministro em 2011 por causa da crise da dívida italiana e cujas forças agora parecem que capturarão o Senado italiano. Seu principal rival, o centro-esquerdista Pier Luigi Bersani, deve vencer na Câmara dos Deputados.

O resultado obscuro levanta a possibilidade de novas eleições nos próximos meses e dá sinais ruins para os esforços da nação de aprovar duras reformas necessárias para dissipar sua crise econômica.

A eleição italiana foi uma das mais fluidas nas duas últimas décadas graças ao surgimento de Grillo, que se respaldou em um discurso contra a classe política tendo como pano de fundo duras medidas de austeridade impostas pelo premiê interino tecnocrata Mario Monti, que teve um desempenho fraco na votação.

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Muitos eleitores não depositaram seus votos, e um baixo comparecimento é geralmente visto como um protesto contra os partidos estabelecidos. O comparecimento, de menos de 75%, foi o mais baixo nas eleições nacionais desde que a república foi formada na Segunda Guerra Mundial.

As decisões que o governo italiano tomar nos próximos meses prometem ter um forte impacto em como a Europa pode decisivamente coibir sua crise financeira.

O ex-comunista Bersani teria de conquistar as duas Casas do Parlamento para formar um governo estável e, considerando-se as incertezas em relação a possíveis alianças, uma visão clara sobre as perspectivas para uma nova administração poderia levar dias. É quase impossível que Bersani se una em uma "grande coalizão" com seu arqui-inimigo Berlusconi.

AP
Fotógrafos registram momento em que líder do Partido Democrata, Pier Luigi Bersani, deposita voto em Piacenza, Itália (24/02)

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Com as cédulas de mais de dois terços das seções eleitorais apuradas nas disputas pelo Senado, dados do Ministério do Interior mostraram Bersani e seus aliados com pouco mais de 32% dos votos, enquanto Berlusconi e seus parceiros contabilizavam pouco menos de 30%. Grillo obteve mais de 24%. Mais importante do que os números nacionais gerais, porém, é a disputa em amplas regiões - e há projeções indicando a vitória de Berlusconi.

A complexa lei eleitoral italiana pede que os assentos do Senado sejam divididos de acordo com o desempenho dos candidatos região por região, e Berlusconi parece ter altos ganhos na Lombardia e também estar à frente nas regiões da Sicília e Campania, ao redor de Nápoles. Seu triunfo nessas áreas-chave provavelmente lhe daria controle da câmara alta, que no sistema legislativo italiano é tão poderosa quanto a câmara baixa.

Bersani lidera na câmara baixa, em que a lei eleitoral permite que o mais votado conquiste um bônus de mais de 50% dos assentos.

*Com AP

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