Resultados preliminares sugerem que o bloco de Pier Luigi Bersani conseguiu 35,5% dos votos na Câmara, mas disputa no Senado está praticamente empatada com Berlusconi

Pesquisas de boca de urna mostraram nesta segunda-feira uma vantagem da aliança de centro-esquerda na eleição para a Câmara dos Deputados, com uma disputa acirrada pelo controle do Senado. Resultados preliminares sugerem que o bloco de Pier Luigi Bersani conseguiu 35,5%, à frente da aliança de centro-direita do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi , que alcançou cerca de 29% na Casa.

No Senado, porém, projeções indicam a coalizão de Berlusconi levemente à frente com 31%, enquanto a aliança de Bersani conquistou 30%. Em terceiro está o movimento de protesto liderado pelo comediante Beppe Grillo, que conquistou 19% na Câmara e 24,6% no Senado. O partido centrista do premiê interino Mario Monti ficou com 9,5% na Câmara e 9,4% no Senado.

Domingo: Itália vota em eleição vista como crucial para recuperação econômica

Fotógrafos registram momento em que líder do Partido Democrata, Pier Luigi Bersani, deposita voto em Piacenza, Itália (24/02)
AP
Fotógrafos registram momento em que líder do Partido Democrata, Pier Luigi Bersani, deposita voto em Piacenza, Itália (24/02)

Saiba mais: Entenda as eleições na Itália

As sondagens foram divulgadas depois do fim do segundo dia da eleição geral, às 15 horas locais (11 horas em Brasília), em uma votação vista como crucial para os esforços de pôr fim aos problemas econômicos da Itália, assim como os da zona do euro. A Itália luta há três anos contra uma crise da dívida.

Projeções com base na apuração dos votos sairão ao longo da tarde, e o resultado final deve ser conhecido no final da noite ou no começo da madrugada. Há expectativa de uma disputa acirrada pelo Senado em várias regiões, o que pode retardar a divulgação do resultado final. 

Antes da divulgação dos resultados preliminares, as pesquisas davam uma vantagem apertada à coalizão centro-esquerdista de Bersani, mas a disputa parecia ter-se tornado imprevisível por causa do grande número de votos de protesto contra as medidas de austeridade e os escândalos políticos e empresariais.

"Estou farto dos escândalos e da roubalheira", disse o advogado romano Paolo Gentile, de 49 anos, que votou no partido alternativo Movimento 5 Estrelas, de Grillo, que disputa sua primeira eleição geral. "Precisamos de gente jovem no Parlamento, não dos velhos partidos totalmente desacreditados."

Cenário:  Berlusconi e ascensão de comediante tornam imprevisível eleição na Itália

A maioria dos eleitores ouvidos durante dois dias pela Reuters em frente às seções eleitorais previu que o novo governo cairá rapidamente, prejudicando seus esforços contra a crise econômica.

"Estou muito pessimista, não acho que o vencedor, seja quem for, durará muito ou será capaz de resolver os problemas do país", disse Cristiano Reale, de 43 anos, vendedor em Palermo (sul). Ele disse que votaria no grupo Revolução Cívica, de extrema esquerda.

A campanha eleitoral foi travada em torno de temas econômicos e acompanhada de perto pelos mercados financeiros, nervosos com um reinício da crise da dívida que levou a zona do euro para a beira de um desastre e resultou, em 2011, na substituição de Berlusconi pelo tecnocrata Monti .

Manobra: Berlusconi envia pelo correio promessa de restituir impostos

A Itália é a terceira maior economia entre os 17 países que compõem a zona do euro, e a perspectiva de um impasse político pode desatar uma perigosa instabilidade nos mercados.

"Há uma semelhança entre as eleições italianas e as do ano passado na Grécia, em que partidos pró-euro estão perdendo terreno em favor de forças populistas", disse Ricardo Barbieri, economista-chefe da Mizuho. "Uma opinião pública irritada e confusa não vê os benefícios da autoridade fiscal e não confia nos partidos políticos estabelecidos."

Os mercados italianos se mostravam confiantes na segunda-feira, com poucas alternações nas Bolsas e nas cotações dos títulos públicos.

*Com Reuters e BBC

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.