Karzai ordena retirada de forças especiais dos EUA de província do Afeganistão

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Medida é tomada após alegações de que afegãos que trabalham juntamente com militares americanos em Wardak estão torturando e agredindo outros afegãos

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, ordenou neste domingo que todas as forças especiais dos EUA deixem a Província de Wardak, no leste do país, dentro de duas semanas por alegações de que afegãos que trabalham juntamente com elas estão torturando e agredindo outros afegãos. O líder também ordenou que todas as operações das forças internacionais na província sejam paralisadas imediatamente.

Otan: Afeganistão assumirá missões de combate em 2013

AP
Aimal Faizi, porta-voz do presidente afegão, Hamid Karzai, dá coletiva em Cabul

Saiba mais: Entenda por que o Afeganistão é estratégico

Aimal Faizi, porta-voz do presidente, disse que a decisão deste domingo foi tomada durante um encontro do Conselho Nacional de Segurança por causa das supostas ações dos afegãos que estão vinculados às forças especiais americanas.

"Depois de uma longa discussão, tornou-se claro que indivíduos armados nomeados como forças especiais dos EUA estacionadas em Wardak cometeram assédio, tortura e mesmo assassinato de pessoas inocentes", disse o comunicado da adminsitração Karzai.

"Um recente exemplo nessa província é um incidente em que nove pessoas desapareceram em uma operação dessa força suspeita e, em um caso separado, um estudante foi retirado de sua casa à noite, com seu corpo torturado e com um corte na garganta tendo sido encontrado dois dias depois sob uma ponte."

Faizi afirmou que o Karzai quer que os indivíduos suspeitos pelos crimes, os quais não identificou, sejam entregues ao governo. Wardak é uma província central importante localizada perto da capital Cabul que tem sido foco recente de operações contrainsurgência.

Leia também: Invasões e conflitos marcam história do Afeganistão

Um porta-voz dos EUA disse que levou a sério todas as alegações de má conduta, mas não fez nenhum comentário sobre a decisão de Karzai.

Retirada das forças da Otan

O caso surgiu enquanto os EUA e seus aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) se preparam para retirar a maioria de seus soldados do país em 2014. Na sexta, os EUA afirmaram que está em discussão a possibilidade de manter no país uma força de treinamento de entre 8 mil e 12 mil militares após a retirada.

Retirada: Obama e Karzai aceleram transição militar no Afeganistão

As forças militares lideradas pela Otan estão gradualmente entregando a responsabilidade pela segurança a seus colegas afegãos, já que a maior parte das forças de combate estrangeiras se prepara para se retirar até o fim do próximo ano.

"Entre 8 mil e 12 mil tropas foi discutido como o tamanho possível da missão da Otan em geral", disse o porta-voz do Pentágono, George Little, após uma reunião de ministros de Defesa da Otan em Bruxelas.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ainda não decidiu quantos militares americanos permanecerão no Afeganistão depois de 2014, disse acrescentando: "O presidente ainda analisa as opções."

Desafio: Remoção de equipamentos é principal obstáculo na retirada do Afeganistão

O número de soldados é politicamente sensível, já que eleitores em muitos países aliados estão cansados da guerra de quase 12 anos contra a milícia islâmica do Taleban.

Além da missão de treinamento da Otan, os Estados Unidos também levarão adiante uma missão de combate ao terrorismo no Afeganistão depois de 2014, tendo como alvo a Al-Qaeda.

*Com BBC, AP e Reuters

Leia tudo sobre: afeganistãoeuakarzaitalebanretirada do afeganistãowardak

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas