Itália vota em eleição vista como crucial para recuperação econômica

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Vantagem de centro-esquerdista Bersani é ameaçada por ex-premiê Berlusconi e populista Grillo, podendo resultar em governo fraco; votação continua na segunda-feira

Os italianos começaram a votar neste domingo em eleições gerais vistas como cruciais para os esforços do país em pôr fim a seus problemas econômicos, assim como aos da zona do euro.

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Estimativas publicadas antes de uma proibição a pesquisas entrar em vigor no dia 9 indicavam que a aliança de centro-esquerda de Pier Luigi Bersani teria vantagem de cerca de cinco pontos porcentuais em relação ao bloco de centro-direita do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que prometeu a restituição de impostos e fez uma maratona junto à imprensa.

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AP
Eleitor deposita voto para o Senado italiano em Piacenza

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Analistas, porém, duvidam que Bersani seja capaz de formar uma maioria estável que possa levar adiante as reformas econômicas de que a Itália precisa para sair da recessão.

Uma coalizão centrista liderada pelo premiê interino Mario Monti também concorre na votação, que será realizada neste domingo e na segunda-feira. E pesquisas sugerem que poderia haver um forte comparecimento em favor do comediante Beppe Grillo, que lidera um movimento contrário à classe política.

A eleição foi convocada dois meses antes do previsto, depois que o partido de Berlusconi retirou seu apoio do governo tecnocrata de Monti.

A Itália, terceira maior economia da zona do euro, está mergulhada na sua mais prolongada recessão nos últimos 20 anos. Sucessivos governos não conseguiram fazer a economia nacional decolar nesse período. Por causa disso, os mercados financeiros estão atentos à perspectiva de que a eleição leve a um impasse político que poderia reavivar a crise fiscal da zona do euro.

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As campanhas estão proibidas desde a meia-noite de sexta, quando os líderes fizeram seus últimos comícios. Grillo roubou a cena em Roma, atraindo cerca de meio milhão para ouvir suas tiradas contra políticos e banqueiros corruptos.

O Ministério do Interior convocou os cerca de 47 milhões de eleitores a ir às urnas e disse ter-se preparado para o tempo ruim, que pode ter neve em algumas regiões, para garantir que todos tenham a chance de depositar seu voto.

"As eleições são um momento fundamental para uma democracia, e queremos que todos os nossos cidadãos as vivenciem da melhor maneira possível", declarou a ministra do Interior Anna Maria Cancellieri em um vídeo publicado no site da pasta.

Uma pesquisa divulgada na terça-feira indicou que cerca de 28% dos italianos ainda não decidiu em quem votar ou cogita não fazê-lo, mostrando que cerca de 5 milhões de pessoas deveriam se decidir nos últimos dias.

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O sucesso da "Turnê Tsunami" de Grillo aumentou a incerteza. Grandes multidões foram ouvi-lo vociferar contra a corrupção e a austeridade, sublinhando a dimensão da revolta popular contra partidos tradicionais e a capacidade de seu Movimento 5 Estrelas de chacoalhar as eleições.

"Grillo está dizendo as coisas que todos os italianos comuns pensam, está nos dando esperança", afirmou Luca Pennisi, de 41 anos, que faz massas para tortas para um café da capital no qual vários clientes ainda não sabiam em quem votar.

Reuters
Líder do Movimento 5 Estrelas, o comediante Beppe Grillo, chega a comício em Viterbo, norte de Roma (21/02)

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"É hora de mudar o sistema, livrar-se dos políticos antigos e parar de desperdiçar o dinheiro público", disse, acrescentando que assistiu ao comício final de Grillo na internet e com certeza votará em seu grupo.

Grillo tinha16% nas últimas pesquisas, o que faria da sua coligação a terceira maior força eleitoral. Os especialistas acreditam que ele pode ter crescido, auxiliado por uma forte campanha na internet e por uma série de escândalos envolvendo a elite política italiana.

Outros líderes encerraram suas campanhas mais discretamente. Berlusconi cancelou a participação em um comício em Nápoles dizendo estar com um problema no olho. Bersani falou em um teatro em Roma, e o premiê demissionário Monti realizou um evento similar em Florença.

O mais provável - e muitos dizem ser o resultado mais estável e pró-reformas na eleição - parece ser um governo de aliança entre Bersani e Monti, que exigiria que o atual primeiro-ministro conquistasse senadores suficientes para reforçar a centro-esquerda.

*Reuters e BBC

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