Visita de blogueira cubana provoca tumulto no Congresso

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Yoani Sánchez foi recebida por parlamentares da oposição na Câmara para a exibição do documentário 'Conexão Cuba-Honduras'

A chegada da blogueira dissidente cubana Yoani Sánchez ao Congresso Nacional provocou um grande tumulto nesta quarta-feira (20). Convidada para assistir à exibição de um documentário em que ela critica o governo de Cuba, Yoani foi recebida por dezenas de deputados de oposição na chapelaria do Congresso, como é chamado o local de embarque e desembarque de parlamentares.

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Ela chegou em uma van da Câmara dos Deputados, escoltada por agentes da Polícia Legislativa. Por causa do grande número de parlamentares e de jornalistas à espera da blogueira, a passagem de veículos chegou a ser interrompida. Dessa vez, Yoani não foi alvo de protestos. Na entrada da Câmara, apenas duas pessoas portavam faixas com os dizeres: "Bem-vinda, Yoani."

Receberam Yoani integrantes das bancadas do PSDB, DEM, PPS e do PP, entre eles o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Depois de deixar o plenário da Câmara, a blogueira se dirigiu à ala das comissões para dar uma palestra. A oposição tentou derrubar uma sessão da Câmara alegando que a convocação foi feita somente para atrapalhar a transmissão da palestra de Yoani pela TV Câmara.

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Depois de ser hostilizada por manifestantes durante sua passagem por Recife e Feira de Santana, na Bahia – onde foi impedida de ver o documentário Conexão Cuba-Honduras, do cineasta baiano Dado Galvão –, ela recebeu o convite do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) para assistir ao vídeo na Câmara.

A exibição ocorreu no Plenário 1 da Casa, onde são realizadas as reuniões da Comissão de Constituição e Justiça. O cineasta autor do documentário também esteve presente. "Hoje estamos aqui e isso é espetacular. Foram R$ 600 no bolso e uma câmera emprestada. Estou muito emocionado e feliz, porque o cinema documental serviu para fortalecer a liberdade de ir e vir no nosso país", disse Galvão pouco antes do início da exibição.

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A visita da dissidente ao Brasil levou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) a apresentar requerimentos ao Senado solicitando a presença dos ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e do embaixador cubano no Brasil, Carlos Zamora Rodríguez, para esclarecer denúncia feita pela revista Veja, no fim de semana, sobre um possível plano de Cuba para espionar Yoani no Brasil.

Passagem de Yoani

A visita de Yoani foi marcada por diversas manifestações pró-regime cubano. Ao chegar nos aeroportos do Recife e Salvador, a dissidente, uma das mais conhecidas vozes da oposição em Cuba, foi chamada de "mercenária" financiada pela CIA. Alguns jogaram notas falsas de dólar contra ela e um manifestante teria puxado seu cabelo. O grupo União da Juventude Socialista (UJS), que organiza os protestos, negou qualquer tipo de agressão.

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Ela também foi alvo de um protesto durante evento que teria a exibição do Conexão Cuba-Honduras em Feira de Santana (BA). Cerca de 40 manifestantes carregavam faixas com palavras de ordem contra Yoani, o que provocou tumulto. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), presente no evento, conversou com os opositores de Yoani. Ela deu uma palestra, mas a apresentação do documentário foi suspensa.

Em entrevista concedida na terça, Yoani disse não temer a morte, porque, segundo ela, o regime de Raúl Castro quer "matar" sua imagem. "Não temo pela minha vida. Não temo pela minha vida, porque acredito que a estratégia do governo cubano agora contra mim não é matar meu corpo, mas sim minha imagem", disse a autora do blog "Generación Y".

Regime cubano

Yoani, de 37 anos, recebeu seu passaporte há apenas duas semanas, graças a uma reforma de imigração cubana que entrou em vigor neste ano, depois de ter seu pedido para viajar negado mais de 20 vezes nos últimos cinco anos. Ela passará por vários países do mundo durante os próximos 80 dias.

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Alan Sampaio / iG Brasília
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A possibilidade de Yoani deixar Cuba foi vista como um teste das novas leis migratórias do país, que eliminaram a necessidade da permissão para deixar a ilha, imposta aos moradores por cinco décadas.

As autoridades de Cuba podem continuar negando viagens, alegando defesa da "segurança nacional" entre outros motivos, o que explica por que outros dissidentes enfrentarem restrições. Ainda assim, a queda da restrição é vista como uma das reformas mais significativas do presidente Raúl Castro para renovar alguns elementos da economia, do governo e da sociedade de Cuba.

A blogueira, que ganhou uma série de prêmios internacionais pelo blog "Generación Y", mas não conseguiu permissão para viajar e recebê-los, disse que fará isso agora e que pretende usar parte do dinheiro dos prêmios para fundar uma imprensa livre em Cuba.

Com Agência Estado e Agência Brasil

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