Ministério da Defesa da China ataca relatório americano sobre ciberataques

Por iG São Paulo |

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Em comunicado, pasta afirma que empresa de segurança americana produziu informações baseadas em falhas científicas e que, portanto, não são confiáveis

As acusações feitas por uma empresa de segurança de computação dos EUA alegando que uma unidade militar chinesa estaria por trás de uma série de ciberataques são falhas cientificamente e, portanto, não são confiáveis, disse nesta quarta-feira (20) o Ministério de Defesa da China.

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AP
Prédio que abriga a Unidade 61398 do Exército Popular de Libertação fica localizado nos arredores de Xangai, na China


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A declaração veio após a Casa Branca ter emitido comunicado de que o governo do presidente Barack Obama tem levado suas preocupações sobre ataques digitais aos mais altos escalões do governo chinês, incluindo os militares.

A empresa de segurança Mandiant identificou a Unidade 61398 do Exército Popular de Libertação, com sede em Xangai, como a força motriz mais provável por trás dos ataques de hackers. A Mandiant disse acreditar que a unidade tenha realizado ataques "sustentados" contra uma ampla gama de indústrias americanas e de outros lugares do mundo.

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O Minsitério de Defesa da China, que já havia negado as acusações, foi mais longe em uma nova declaração, acusando a Mandiant de confiar em dados espúrios. "O relatório, ao confiar apenas em links de endereços IP para chegar a uma conclusão de que os ataques de hackers partiram da China, carece de prova técnica", disse o ministério em comunicado em site.

"Todo mundo sabe que o uso de endereços IP usurpados para realizar ataques de hackers acontece em uma base quase diária", acrescentou. "Em segundo lugar, ainda não há uma definição clara internacionalmente unificada sobre o que consiste em um 'ataque hacker'. Não há nenhuma evidência legal por trás do relatório subjetivamente induzindo que a concentração diária online (de informações) seja espionagem online."

Como a pirataria online é um fenômeno transnacional, anônimo e escondido por sua própria natureza, é difícil descobrir exatamente onde os ataques se originam, segundo afirmou o comunicado.

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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês Hong Lei, perguntado sobre as conversas entre EUA e China a respeito das preocupações norte-americanas com ciberataques, disse: "A China e os EUA têm mantido comunicação relevante sobre a questão."

Relatório

Segundo a Mandiant, a Unidade 61398 do Ecército Popular de Libertação "roubou sistematicamente centenas de terabytes de dados de ao menos 141 organizações". Em comparação, o arquivo do Twitter da Bilblioteca do Congresso dos EUA, entre 2006 e 2010, com cerca de 170 bilhões de tuítes, possui um total de 133.2 terabytes.

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"Pelas nossas observações, é um dos mais férteis grupos de ciberespionagem em termos de quantidade de informação roubada", afirma a empresa em seu relatório. Ela acrescenta que a unidade está em operação desde 2006.

Para a Mandiant, valeu a pena divulgar os resultados das investigações, apesar do risco de os hacker mudarem suas táticas. "É hora de reconhecer que a ameaça tem origem na China, e queremos fazer nossa parte para armar e preparar profissionais da segurança para combater essa ameaça de forma eficaz", diz o relatório.

A Mandiant afirmou que suas descobertas a levaram a alterar a conclusão de um relatório de 2010 sobre hackers chineses, no qual havia dito que não era possível determinar a extensão do conhecimento do governo do país sobre tais atividades.

"Os detalhes que analisamos durante centenas de investigações nos convence que os grupos que conduzem estas atividades estão na China e que o governo chinês tem conhecimento disso", disse a empresa em um resumo de seu mais recente relatório.

Com AP e Reuters

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