Partidários de Chávez celebram retorno do líder em frente a hospital em Caracas

Por iG São Paulo |

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Cantando e dançando, simpatizantes fazem manifestações em praças públicas e em frente ao hospital militar onde se encontra o líder venezuelano

Dançando, cantando e disparando fogos de artifício, milhares de partidários do presidente venezuelano, Hugo Chávez, comemoraram a volta do líder para a casa mais de dois meses após uma cirurgia contra um câncer realizada em Cuba.

Os funcionários de segurança que trabalham em frente ao hospital militar Carlos Arvelo, para onde Chávez foi levado nesta segunda-feira, tiveram que conter a atmosfera festiva e pedir calma para que outros pacientes não fossem perturbados.

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AP
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Chávez anunciou em sua página no Twitter que havia retornado de Havana, em Cuba, onde passou por dois meses de tratamento após sua quarta cirurgia em pouco mais de um ano e meio. O presidente enfrenta um câncer, cujo tipo e local exato não foram divulgados pelo governo.

"Amo o presidente com toda a minha alma. Graças ao Deus todo poderoso por tê-lo trazido de volta para mim", disse Alexandra Viloria, 43 anos, segurando um boneco de Chávez e usando a cor vermelha de seu Partido Socialista no meio da multidão reunida em frente ao portão do hospital.

Enquanto centenas iam para o hospital, situado em uma parte pobre de Caracas, perto de uma favela, outros invadiram as praças públicas em toda a Venezuela, e a mídia estatal incitava a atmosfera com a cobertura ao vivo. Os ministros pediram que os venezuelanos hasteassem bandeiras nacionais.

"Ele voltou!"

Em seus 14 anos de governo, Chávez usou constantemente suas raízes humildes, linguagem comum e popular em seus discursos famosamente longos e canalizou as rendas do petróleo em projetos de bem-estar social em favelas negligenciadas.

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Os adversários dizem que ele deveria ter feito muito mais pelos pobres, dada a inédita bonança nas rendas de petróleo do membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A oposição, entretanto, foi incapaz de romper a ligação emocional dele com um grande número de venezuelanos, fazendo com que Chávez fosse reeleito com tranquilidade em outubro do ano passado.

Dando a notícia da volta de Chávez ao vivo na televisão estatal antes do amanhecer, o ministro da Informação, Ernesto Villegas, chegou até mesmo a cantar, gritando animadamente "ele voltou! Ele voltou!" - um slogan usado depois de o presidente sobreviver a um breve golpe em 2002.

Alguns rabiscaram a frase famosa nos ônibus de Caracas. Uma grande faixa com o rosto de Chávez adornava uma das paredes do hospital militar. Seus arredores movimentados contrastavam com a paz arborizada do hospital Cimeq de Havana, onde Chávez foi tratado nos últimos dois meses.

Um dos motivos de Chávez ter buscado tratamento em Cuba desde que seu câncer foi diagnosticado, em meados de 2011, foi limitar vazamentos de informação para a mídia. Isso pode ficar mais difícil agora que ele está de volta à Venezuela.

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Houve uma reação relativamente silenciosa de partidos da oposição, que há tempos lutam para igualar o carisma de Chávez e obter apoio significativo entre os pobres.

O líder da oposição, Henrique Capriles, lhe deu as boas vindas, mas também criticou o vice-presidente Nicolás Maduro e outros ministros, a quem acusa de negligenciar os vários problemas cotidianos da Venezuela - de crimes a aumentos de preço - enquanto sua atenção estava voltada à saúde de Chávez.

"Espero que a volta do presidente signifique que o senhor Maduro e os ministros trabalhem, há milhares de problemas para resolver", disse Capriles. "Espero que a volta do presidente seja definitiva e signifique a suspensão imediata do ‘pacote vermelho'", acrescentou ele, usando uma referência zombeteira a recentes medidas econômicas, incluindo uma desvalorização da moeda bolívar.

Histórico

O presidente de 58 anos não falou publicamente desde que partiu para Cuba em 10 de dezembro. Ele foi submetido à sua quarta cirurgia em 11 de dezembro e o governo informou que ele está respirando através de um tubo traqueal, o que dificulta a fala. Chávez também passa por "tratamentos complementares" que não foram especificados.

Ele vem se tratando em Cuba desde junho de 2011, quando descobriu o câncer. Ele afirmou ter retirado tumores e passou por sessões de quimioterapia e radioterapia.

Chávez foi reeleito para um novo mandato de seis anos em outubro, e sua posse marcada para 10 de janeiro foi prorrogada por tempo indeterminado pela Suprema Corte devido ao seu estado de saúde delicado após a cirurgia.

Antes de deixar Cuba, Chávez reconheceu os riscos e disse que se sua doença o impedisse de governar como presdiente, o vice-presidente Nicolás Maduro seria seu candidato em novas eleições.

Maduro viajou diversas vezes a Havana nas últimas semanas e mostrou documentos assinados por Chávez, para comprovar que o presidente continuava no comando. Na semana passada, Maduro disse que Chávez havia sido submetido a tratamentos "extremamente duros e complexos".

Com AP e Reuters


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