Milhares protestam no Paquistão após ataque que deixou mais de 80 mortos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ao menos 15 mil xiitas foram às ruas de Quetta, onde ocorreu atentado de grupo radical; atentados sectários aumentam no país e preocupam autoridades

Ao menos 15 mil muçulmanos xiitas foram às ruas no sudoeste do Paquistão nesta segunda-feira (18) no segundo dia de protestos após um atentado que deixou 89 mortos. Parentes das vítimas se recusaram a enterrar seus entes queridos enquanto o Exército não tomar uma atitude contra os insurgentes responsáveis pelo ataque.

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Paquistanesa xiita lamenta as mortes de seus companheiros muçulmanos mortos em um ataque no sábado em Quetta


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Também nesta segunda-feira, militantes vestindo coletes suicidas e disfarçados de policiais atacaram o gabinete de um alto funcionário público no noroeste do país, deixando seis mortos.

O Paquistão vem sendo alvo de ataques de militantes nos últimos anos, a maioria deles perpetrados pelo Taleban, que clama por uma insurgência sangrenta contra o governo. Grupos de radicais sunitas também têm ampliado seus ataques contra os xiitas por causa de sua visão distinta sobre o Islã.

Muitos desses ataques sectários ocorreram na província do Baluquistão, que possui grande concentração de xiitas no Paquistão. A maioria deles pertence à etnia hazara, um grupo que migrou do Afeganistão há mais de um século.

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A bomba explodiu no sábado em um mercado na capital provincial do Baluquistão, Quetta. Esse foi o segundo ataque contra xiitas que deixou dezenas de mortos na cidade em menos de um mês. Em janeiro, uma dupla explosão deixou 86 mortos.

Nesta segunda-feira, o número de mortos no atentado de sábado subiu para 89, depois que oito feridos morreram no hospital, de acordo com akbar Hussain Durrani, autoridade da província.

A indignação com os ataques tem crescido no Paquistão, e manifestações ocorreram em mais de dez cidades nesta segunda, incluindo Quetta. Mas não ficou claro se os protestos terão influência em ações para que os xiitas fiquem mais protegidos.

Grupos de direitos humanos criticaram o governo por não fazer o suficiente para impedir esses ataques. Eles afirmam que a apatia das autoridades se explica por causa das ligações entre militantes e militares anti-xiitas no país. Alegam também que os grupos sectários são vistos como uma ameaça menor que o Taleban, porque seus atentados não são voltadas contra o Estado em si.

Apesar das críticas, os xiitas em Quetta enxergam no Exército paquistanês o único salvador em potencial e pedem que o controle da cidade seja dado aos generais. Eles responsabilizam o governo local e a polícia por não conseguir protegê-los e querem que o Exército tome uma atitude localizada contra grupos sectários como o Lashkar-e-Jhangvi, que reivindica responsabilidade pelos dois recentes ataques na cidade.

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"Não enterraremos nossos mártires até que nossas demandas sejam cumpridas", disse um líder xiita Amin Shaheedi.

Saumbal, um policial, estimou que o protesto reuniu ao menos 15 mil participantes. Alguns foram às ruas próximas ao local onde ocorreu o ataque carregando faixas e gritando palavras de ordem contra o terrorismo. Outros permaneceram dentro de uma mesquita ao lado dos corpos de seus parentes, que estavam cobertos com lençóis. Uma jovem escreveu em seu rosto, "Não me mate. Eu sou xiita."

Após o ataque em janeiro que deixou 86 mortos, os xiitas fizeram manifestações por quatro dias ao lado dos caixões de seus parentes. Eventualmente, o primeiro-ministro do país ordenou uma repaginação na administração regional, colocando o governador local a cargo de toda a província. Entretanto, o governador expressou frustração, dizendo que o recente ataque foi resultado de um problema na segurança da província e nos serviços de inteligência.

AP
Xiitas sentam durante protesto após ataque no sábado que deixou mais de 80 mortos em Quetta, Paquistão


Durrani disse que o governo não tinha planos de convocar o Exército e continuaria a contar com os 3 mil membros da Corporação de Fronteira que estão em Quetta, assim como a polícia.

Os protestos mais significativos que ocorreram fora de Quetta na segunda foram em Karachi, maior cidade do Paquistão, localizada na costa sul do país. Centenas de xiitas paralisaram regiões importantes da cidade, bloqueando as avenidas principais, incluindo a que leva para o aeroporto.

Com AP

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