Em cidade recapturada do Mali, islâmicos passam a ser caçados

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Membros de uma milícia de jovens conhecida como Patrulheiros Gao foram de casa em casa buscar antigos líderes de Gao, uma das cidades recapturadas após intervenção francesa

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Na recém-libertada cidade de Gao, no Mali, havia chegado a hora da vingança. Moradores locais passaram a caçar e espancar suspeitos de serem extremistas islâmicos que não haviam fugido com os seus camaradas de armas quando forças militares francesas e malianas retomaram a cidade.

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Suposto extremista islâmico deita atrás de um caminhão do Exército após ter apanhado de uma multidão em Gao


Tropas do Mali prenderam a maioria dos islâmicos, colocando os homens em um caminhão do Exército com as mãos amarradas atrás das costas. Durante quase um ano, os extremistas da Al-Qaeda haviam proibido a música, insistido que as mulheres usassem o véu e começado a realizar execuções públicas e amputações nas cidades do norte do país que controlavam.

Agora o seu controle chegou ao fim, com as capitais provinciais de Gao e Timbuktu voltando ao poder da autoridade do governo rapidamente com a chegada de tropas francesas e locais. Eles também perderam o controle de uma terceira cidade chave, Kidal.

A França, antiga metrópole do país no período colonial, começou a enviar tropas, helicópteros e aviões de guerra para Mali no dia 11 de janeiro na tentativa de mudar a situação depois que islâmicos armados começaram a invadir o sul em direção à capital. Tropas francesas e malianas tomaram Gao durante o fim de semana, e foram recebidas por alegres multidões. Elas tomaram Timbuktu na segunda-feira. Os islâmicos desistiram de ambas as cidades e se retiraram para o deserto. Mas nem todos partiram.

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Membros de uma milícia de jovens conhecida como Patrulheiros Gao foram de casa em casa caçando suspeitos de serem extremistas islâmicos. Abdul Karim Samba, porta-voz do grupo, disse que os homens estão vasculhando a cidade em busca de remanescentes do grupo extremista islâmico conhecido como Movimento para a Unidade e Unicidade da Jihad, ou MUJAO.

"Alguns deles se esconderam em suas casas, por isso temos que caçá-los para entregá-los aos militares", disse.

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O Movimento Nacional de Libertação de Azawad - Azawad é o nome tuareg para sua terra natal - parece ter aproveitado a ofensiva militar liderada pela França para afirmar-se em Kidal. A perda de Kidal significaria que os islâmicos já não controlam qualquer das capitais provinciais do norte que tinham capturado em abril passado.

Nações africanas e ocidentais prometeram mais de US$ 450 milhões para financiar uma força militar liderada pelos africanos para continuar sua luta contra os extremistas islâmicos no Mali. As promessas de dinheiro e equipamentos foram feitas na capital etíope, Addis Abeba, em uma conferência realizada pela União Africana, que determinou que US$ 960 milhões serão necessários para financiar a campanha no Mali.

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A operação militar francesa até agora encontrou pouca resistência, mas especialistas advertem que será mais difícil manter as cidades do que foi tomá-las dos islâmicos. O ministro da Defesa da França disse que o trabalho ainda não foi concluído.

"As operações não acabaram, e nós precisamos trabalhar ao lado de tropas africanas", afirmou Jean-Yves Le Drian ao parlamento francês na tarde de terça-feira.

Por Jerome Delay e Krista Larson

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