Quênia permite que acusado de crimes contra humanidade concorra às eleições

Por iG São Paulo |

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Suprema Corte do país disse não possuir jurisprudência necessária para impedir o vice-premiê Uhuru Kenyatta de disputar a presidência da República em 4 de março

O vice-primeiro-ministro do Quênia, Uhuru Kenyatta, acusado de crimes contra a humanidade, poderá disputar as eleições que ocorrerão no próximo mês. A Suprema Corte do país rejeitou ação impetrada por grupos que buscavam retirá-lo da disputa do dia 4 de março.

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AP
Candidato à presidência Uhuru Kenyatta na chegada a um debate eleitoral em Nairóbi (11/2)



Kenyatta e o primeiro-ministro Raila Odinga são os favoritos das eleições. Kenyatta e seu companheiro de chapa William Ruto negam as acusações que pesam contra eles no Tribunal de Haia. Os dois se preparam para ir ao Tribunal Penal Internacional (TPI) em abril, devido aos episódios de violência que tomaram conta do país após as eleições de 2007.

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Na ocasião, mais de mil pessoas foram mortas e outras 300 mil foram forçadas a deixar suas casas depois da vitória do presidente Mwai Kibaki, que se prepara para deixar o poder após dois mandatos.

Kenyatta enfrenta cinco acusações de crime contra a humanidade, incluindo assassinato, estupro, perseguição, deportação e outros atos desumanos. Pesam contra Ruto três acusações.

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Um painel de cinco juízes afirmou em um comunicado lido na corte que "o Supremo Tribunal não possui jurisprudência necessária para lidar com a questão relativa à eleição de um presidente". "Essa é uma questão que é da competência exclusiva da Suprema Corte", disseram os juízes.

O anúncio provocou celebrações nas ruas da capital, Nairóbi.

O processo do TPI contra quatro quenianos - incluindo Kenyatta e Ruto - foi um dos temas centrais do primeiro debate presidencial na semana passada entre os oito principais candidatos ao cargo.

Kenyatta foi forçado a negar as alegações de impunidade durante o confronto, mas ficou o tempo todo nos holofotes, com os moderadores e seus adversários questionando por que ele não saía da corrida presidencial para se concentrar em seu processo em Haia. Kenyatta respondeu que ele e Ruto são inocentes e se defenderiam com vigor no tribunal internacional.

Segundo Kenyatta, o caso não impediriam que ele exercesse seus deveres presidenciais, caso seja eleito.

Com BBC

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