Placas em homenagem a ex-escravas sexuais provocam polêmica nos EUA

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As 'mulheres de conforto', na maioria japonesas e coreanas, eram obrigadas a fazer sexo com soldados na 2ª Guerra Mundial; governo do Japão tenta impedir exposição de memoriais

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Após ter notado placas no tribunal local em memória a escravidão, o Holocausto e outras atrocidades, o líder comunitário coreano-americano Chejin Park teve a ideia de acrescentar uma homenagem às "mulheres de conforto", escravas sexuais da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945)

Para sua surpresa, o gesto para homenagear as mais de 200 mil mulheres, principalmente coreanas e chinesas, que foram forçadas a fazer sexo com soldados japoneses, transformaria sua cidade, Nova Jersey, no centro de uma polêmica internacional.

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Uma placa em homenagem a 'mulheres de conforto' da Segunda Guerra Mundial é exposta em biblioteca pública de Palisades Park


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O governo local rejeitara um pedido de autoridades japonesas para impedir a exposição da primeira placa há quase dois anos em Palisades Park, nos arredores de Nova York, onde a maioria dos residentes são de origem coreana.

Mas agora a exposição de uma segunda placa, desta vez no tribunal, aguarda até que o texto seja alterado para remover uma referência ao governo japonês. Kathleen Donovan, alta autoridade do governo no condado de Bergen, disse que o atraso não se deve a uma nova pressão por parte dos oficiais japoneses.

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Kathleen e o órgão legislativo do município solicitaram que a placa citasse o Exército imperial do Japão e não o governo japonês como tendo sido responsável pelo que aconteceu com as mulheres, disse.

"Nosso monumento não é contra o governo japonês. É pró-mulheres", disse. "Queremos deixar muito claro que foi o Exército Imperial Japonês e não o governo que, de acordo com a nossa pesquisa histórica, cometeram esses atos."

Historiadores afirmam que as mulheres, principalmente da península da Coreia e China, foram obrigadas a fazer sexo com soldados japoneses em bordéis militares. Mas direitistas no Japão têm questionado se as mulheres foram coagidas pelos militares a se prostituírem.

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A questão é importante no condado de Bergen, onde a população coreana quadruplicou desde 1990 e agora é responsável por cerca de 8% para os mais de 900 mil habitantes do condado. No ano passado, Kathleen fez uma visita oficial à cidade irmã do condado, Dangjin, na Coreia do Sul, e se reuniu com algumas idosas que, há décadas atrás, foram forçadas a terem relações sexuais com os soldados.

"Foi uma experiência incrível poder sentar com elas e tomar chá", disse Kathleen. "Eu perguntei a elas se eu poderia contar suas histórias; estas são mulheres que viveram essa experiência horrível e eu gostaria que o mundo as conhecessem."

Park, um advogado, trabalhou com uma comissão de memorial para construir e financiar os memoriais. "Esses memoriais estão simplesmente informando um fato que aconteceu e o Japão está argumentando que isso não aconteceu", disse Park. "Nós apenas enxergamos a questão como uma questão de direitos humanos. Vemos estas mulheres de conforto que sobreviveram gritando por justiça."

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Quando perguntado sobre a polêmica em Nova Jersey, o consulado japonês em Nova York emitiu uma declaração em nome do governo afirmando que o primeiro-ministro Shinzo Abe "está profundamente triste quando pensa no que as 'mulheres de conforto' sentiram, a dor imensurável e o sofrimento que passaram, um sentimento compartilhado por seus antecessores."

O comunicado acrescentou que o Japão pediu desculpas pelo sofrimento que causou às "pessoas de muitos países, especialmente para aquelas em países asiáticos".

Sobre a questão das mulheres, o governo japonês disse: "Nós sinceramente esperamos que possamos nos concentrar em trabalhar juntos construtivamente e seguir em frente, e não politizar essa questão."

Park disse que acredita que o que essas mulheres sofreram têm um lugar ao lado das maiores injustiças da história. "O tráfico de pessoas é uma grave violação dos direitos humanos, e as 'mulheres de conforto' foram o maior caso de tráfico humano organizado pelo governo no século 20", disse.

"Nós devemos entender o memorial para as mulheres de conforto como sendo parecido com os outros memoriais nos Estados Unidos, que nos lembra das muitas outras violações dos direitos humanos que aconteceram em muitos lugares do mundo."

Por Associated Press

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