Obama promete reaquecer economia e faz apelo por controle de armas em discurso

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em discurso sobre o Estado da União, presidente americano anuncia retirada de 34 mil soldados do Afeganistão em um ano e reiterou pedido por reforma da imigração

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu nesta terça-feira (12), durante seu discurso sobre o Estado da União, que o dividido Congresso americano incentive a criação de empregos e fortaleça a classe média por meio de um pacote de propostas apoiadas pelo seu governo.

Durante seu pronunciamento dirigido aos congressistas, Obama requeriu um aumento do salário mínimo e maiores investimentos em infraestrutura e educação infantil. Como já era esperado, Obama prometeu a retirada de 34 mil soldados americanos do Afeganistão no próximo ano e fez um apelo emocionado para que os deputados aprovem leis para o controle de armas de fogo no país.

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O presidente dos EUA, Barack Obama, faz seu discurso sobre o Estado da União

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"Mais de mil aniversários e formaturas foram roubados por causa de uma bala", disse o presidente, relembrando o caso de Hadiya Pendleton, 15 anos, que foi morta com um tiro em um parque em Chicago. "Gabrielle Giffords merece um voto, as famílias em Newtown merecem um voto. Eles merecem um simples voto", afirmou o presidente, em referência à deputada americana baleada durante evento no Arizona e ao massacre de 26 pessoas em uma escola primária em uma cidade de Connecticut.

Com um discurso majoritariamente voltado a assuntos domésticos, Obama disse que o desafio de sua geração é "reacender o verdadeiro motor para o crescimento da América - uma classe média crescente e próspera". Segundo o presidente, o crescimento da economia e o aumento do número de empregos será "a estrela norte que guiará nossos esforços", e que reaquecer o país é uma "tarefa ainda não concluída". Ele prometeu um governo "mais inteligente" em vez de maior que esteja voltado para os interesses "de muitos, não somente de poucos".

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O presidente americano também renovou seus pedidos por uma reforma global do sistema de imigração. "Vamos fazer isso", disse aos congressistas. Ele prometeu que quando o pacote de leis chegar em seu gabinete, será assinado "no mesmo instante". Obama quer uma legislação capaz de trilhar um caminho rumo ao concedimento de cidadania para cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem nos EUA. Oito senadores democratas e republicanos estão trabalhando na finalização da legislação para o mês que vem.

Impostos

Obama afirmou que suas propostas para reaquecer a economia não aumentariam o déficit "em um único centavo". Ele pontuou que com a taxa de desemprego ainda alta e com a confiança do consumidor em queda, é necessário que Washigton assuma seu papel na questão.

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Obama faz seu discurso diante o Congresso reunido no Capitólio, em Washington

Aos republicanos, Obama disse que ainda está disposto a reduzir o déficit, mas somente se isso for feito com um aumento misto dos impostos e com a redução dos gastos, oferta feita por ele durante a discussão do orçamento no final do ano passado. Os republicanos dizem rejeitar um aumento ainda maior das receitas fiscais.

Obama reiterou que pretende reduzir o gasto em US$ 900 bilhões e aumentar a receita dos impostos em US$ 600 bilhões através de uma reforma tributária. A combinação de US$ 1,5 trilhão em redução do déficit também diminuiria os pagamentos do governo sobre a dívida. Obama quer usar parte dessa reserva para bancar iniciativas que criam empregos.

Política externa

Apesar de a política externa ter ocupado um espaço de tempo tímido na quase uma hora de pronunciamento, Obama se ocupou rapidamente de questões importantes que pairam sobre os EUA.

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Ele anunciou planos para retirar 34 mil soldados do Afeganistão em um ano e reforçou que, após 2014, a função dos EUA no país será a de treinar as tropas locais e derrotar os "remanescentes da Al-Qaeda". Obama disse que a organização terrorista "que nos atacou em 11 de Setembro" é hoje uma "sombra do que foi um dia" e não é mais uma ameaça para os EUA que faça jus ao envio de milhares de soldados para territórios estrangeiros.

Obama reconheceu que vários grupos afiliados da Al-Qaeda cresceram na Península Arábica e na África, em países como o Iêmen e a Somália. Mas ele sugeriu que em vez de enviar tropas, os EUA devem ajudar esses países a investir na própria segurança para derrotar a Al-Qaeda, como a França vem fazendo no Mali.

No mesmo dia em que a Coreia do Norte anunciou a realização de seu terceiro teste nuclear, Obama afirmou que os líderes do país "devem saber que só alcançarão segurança e prosperidade quando cumprirem suas obrigações internacionais". Ele acrescentou que "provocações" como o teste só trarão mais isolamento para a Coreia do Norte "enquanto estamos ao lado de nossos aliados, fortalecendo nossa defesa antimísseis e incentivando o mundo a responder firmemente a essas ameaças".

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Obama também prometeu trabalhar com a Rússia para buscar reduções em arsenais nucleares. Ele disse ainda que os EUA "manterão pressão sobre o regime da Síria, que vem matando seu próprio povo, e apoiarão os líderes da oposição que respeitem os direitos dos sírios".

Ciberataques

Obama também fez um apelo ao Congresso para que aprove a legislação que fortalecerá a proteção das redes de computadores dos EUA de ataques de países estrangeiros, hackers e outros inimigos. Ele lembrou que nesta terça-feira assinou uma ordem executiva que dá o primeiro passo no desenvolvimento de normas para proteger setores essenciais como de energia, de transportes e os bancos de ameaças cibernéticas.

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O presidente assinalou que os EUA enfrentam um crescimento da ameaça de seus inimigos, que estão aprendendo cada vez mais como sabotar a rede de energia, as instituições financeiras e o sistema de controle do tráfego aéreo.

Mudanças climáticas

Sobre o tema, Obama prometeu trabalhar com os deputados na busca de soluções bipartidárias, mas garantiu que se o Congresso não agir, ele ordenará que seu gabinete tome medidas em relação ao assunto. "Pela salvação de nossas crianças e de nosso futuro, devemos fazer alguma coisa em relação às mudanças climáticas."

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Obama afirmou que supertempestades, inundações e incêndios que têm atingido os EUA podem ser considerados como "uma coicidência estranha, ou podemos escolher acreditar no que diz a esmagadora maioria da comunidade científica - e agir antes que seja tarde demais".

Barack Obama cumprimenta o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, antes de discurso sobre o Estado da União. Foto: APObama faz discurso sobre Estado da União mais centrado em temas domésticos, como economia e controle de armas de fogo. Foto: APMichelle Obama, primeira-dama dos EUA, é aplaudida antes do início do discurso do presidente sobre o Estado da União. Foto: APCarolyn Murray, mãe de jovem que morreu baleado, limpa lágrimas durante discurso emocionado de Obama sobre controle de armas de fogo. Foto: APCapitólio instantes antes de o presidente Barack Obama dar seu discurso sobre o Estado da União diante do Congresso americano. Foto: ReutersO vice-presidente dos EUA, Joe Biden, chega ao Capitólio, em Washington, para o discurso sobre o Estado da União. Foto: AP

Membro ausente

O secretário da Energia dos EUA, Steven Chu, não esteve presente durante o discurso de Obama. Tradicionalmente, um membro do gabinete não vai até o Congresso para o pronunciamento justamente para preservar o governo e mantê-lo funcionando, caso haja alguma calamidade. Membros do Congresso, o gabinete e a Suprema Corte sempre participam do evento anual.

Chu, vencedor do prêmio Nobel, anunciou no início desse mês que está renunciando ao cargo. Ele esteve à frente da pasta durante todo o primeiro mandato de Obama.

Com AP

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