Conclave para definir próximo papa começa a partir de 15 de março

Por iG São Paulo |

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Processo de escolha do substituto de Bento 16, que anunciou que renunciaria ao cargo no fim do mês, dá largada à 'campanha' sem candidatos declarados

O conclave que vai decidir o sucessor do papa Bento 16 vai começar a partir do dia 15 de março, informou o Vaticano nesta quarta-feira (13). O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que a reunião, na qual os cardeais elegem o novo papa, tem início de 15 a 20 dias depois que o cargo papal ficar vago, o que acontecerá em 28 de fevereiro.

O papa Bento 16 surpreendeu a Igreja Católica e o mundo na segunda-feira (11) ao anunciar sua renúncia, a primeira de um papa em cerca de seis séculos. Ele, que se tornou papa em 2005, deu como justificativa para sua decisão a idade avançada e a falta de vigor físico.

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A escolha do papa é precedida por uma campanha política como qualquer outra, com a diferença de que os candidatos não são declarados e os que desejam ocupar o cargo mais alto da Igreja Católica não podem dizer isso abertamente. Apesar disso, as estratégias já estão sendo montadas e um dos cotados para ocupar a vaga deixada por Bento 16, um cardeal africano, declarou na terça-feira que agora é o momento ideal para o próximo papa vir do mundo em desenvolvimento - e que ele estava livre se essa fosse a vontade de Deus.

O ritual da escolha do novo papa inclui um misterioso processo a portas fechadas dentro da Capela Sistina, onde os cardeais com idade inferior a 80 anos votam no conclave. Uma vez iniciado, os representantes da Igreja depositam seus votos em cédulas secretamente até que a maioria de dois terços escolha o novo líder para 1,2 bilhão de católicos.

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Como tradição, as cédulas são queimadas: quando sai fumaça preta da chaminé significa que nenhum papa foi escolhido e quando sai fumaça branca significa que um novo papa foi eleito.

Na corrida até o conclave, os cardeais realizam uma delicada dança, dando declarações em termos gerais sobre as qualidades necessárias para o futuro papa e os problemas enfrentados pela Igreja. É muito raro que alguém fale em nomes ou se declare como candidato. Quando questionado, a maioria dos cardeais repete a frase: "Quem entra em um conclave papa sai cardeal."

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Tais declarações públicas escondem, entretanto, as divisões existentes dentro do Colégio de Cardeais que determinam o resultado da votação. Não é só porque os cardeais vestem as mesmas roupas vermelhas e fazem as mesmas orações que eles pensam da mesma maneira. Eles têm diferentes visões sobre as necessidades da Igreja Católica, visões diferentes sobre temas polêmicas e formam laços distintos: sejam eles geográficos, sentimentais e teológicos.

E, desta vez, parece que a geografia interfirirá muito na escolha, ou pelo menos é o que o debate público sugere.

O cardeal de Gana Peter Turkson disse que esse era o momento certo para a eleição de um pontífice do mundo em desenvolvimento e que ele estaria disponível para o cargo "se essa for a vontade de Deus". Turkson disse que "igrejas jovens" na África e na Ásia se tornaram sólidas o suficiente para produzir "clérigos maduros capazes de exercer a liderança nessa instituição mundial".

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Segundo ele, os católicos do mundo em desenvolvimento não precisam de um papa de sua região para prosperarem. Mas Turkson, que chefia o gabinete de paz e justiça do Vaticano, disse que um papa do hemisfério sul "percorreria um longo caminho para fortalecê-los".

Se Turkson realmente tem chances de se tornar papa, no entanto, é uma questão ainda em aberto. No ano passado, ele divulgou um vídeo durante um encontro de bispos de todo mundo, alertando sobre as incursões do Islã na Europa e no mundo.

Ele pediu desculpas posteriormente, mas a gafe pode custá-lo o papado. Até mesmo a rádio Vaticano caracterizou o filme como um "apresentação pífia de estatísticas".

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Por sua parte, o cardeal venezuelano Jorge Urosa disse esperar que o próximo papa seja da América Latina, que abriga 40% dos católicos do mundo. O arcebispo de Berlim, cardeal Rainer Maria Woelki, afirmou não se importar "se o papa será africano, asiático, latino ou europeu". O mais importante, segundo Woelki, é que "devemos tratar com misericórdia a pessoa que assumir esse cargo, a fim de não esperar dele... possivelmente 20, 25 ou mais anos". 

Norberto Rivera, o cardeal mexicano, falou com o mesmo tom de humildade, pedindo orações a todos os fiéis "para que o Espírito Santo nos ajude a escolher o melhor candidato para guiar a Igreja".

É necessário notar que somente ao falar em público sobre o assunto, os cardeais podem prejudicar suas chances - o que pode ser intencional uma vez que o papado é um trabalho que desperta pouco interesse. Mas nos dias de hoje, em que os cardeais e até o próprio papa usa o Twitter, permanecer em silêncio não é uma opção - ao menos até que os cardeais entrem na Capela Sistina.

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Depois, o que ocorre na Capela Sistina fica na Capela Sistina. A violação do voto de segredo feito no conclave leva a excomunhão.

O reverendo Thomas Reese, que escreveu sobre o conclave no livro "Dentro do Vaticano" (tradução livre), de 1996, disse que cada cardeal busca três características em um candidato a papa. "Alguém que tenha os mesmos valores e visões que ele tem, alguém com quem ele tenha um bom relacionamento. Todos querem que o papa seja um amigo e que os escute. E alguém também que represente bem o seu país."

Com AP e Reuters

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