Carvalho nega descaso do governo com renúncia de Bento 16

Por Luciana Lima - iG Brasília |

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Em conversa com a CNBB, ministro disse que a carta do Papa divulgada durante a campanha de Dilma é um “episódio isolado” e relevado pela presidenta

Escalado pela presidenta Dilma Rousseff para desfazer qualquer mal intendido com a Igreja Católica, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da República, negou que haja um desconforto da Igreja Católica com o governo.

Hoje (13), ao participar do lançamento da Campanha da Fraternidade, o ministro tratou de desfazer a ideia de que houve descaso do Planalto em relação à renúncia de Bento 16 e que a relação do governo da presidenta Dilma com o Papa não seria das melhores devido ao posicionamento de Bento 16 em relação ao aborto, divulgado em plena campanha, em 2010.

“A minha presença aqui hoje, além de dignificar a nossa posição, é também um gesto de solidariedade nossa com a igreja nesse momento”, disse Carvalho.

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O anúncio da renúncia do Papa foi feito pelo Vaticano na última segunda-feira (11)e desde então, a única manifestação do governo brasileiro foi uma rápida menção feita pelo ministro de Relações Exteriores Antônio Patriota.

AP
Papa Bento 16 chega à Basílica de São Pedro na ocasião da celebração da missa da quarta-feira de cinzas no Vaticano

Carvalho conversou reservadamente com o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Steiner sobre o assunto hoje, para desfazer qualquer mal entendido.

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“Não houve desconforto. Dom Leonardo fez questão de me chamar, momentos antes desse lançamento, para dizer que de maneira alguma houve nenhum desconforto da CNBB frente à ausência de uma nota do governo do Brasil”, disse o ministro ao sair da reunião.

Segundo o ministro a avaliação do governo foi a de que não caberia qualquer manifestação oficial em relação ao um gesto considerado de “foro íntimo” do Papa Bento 16. “Nós não vimos que tínhamos que falar”, disse o ministro. Não há nenhuma desconsideração, nenhuma demora”, rebateu.

“É uma posição de respeito de não querer fazer qualquer tipo de especulação a respeito de um evento que é de foro muito íntimo do Papa e também da economia interna da Igreja”, explicou Carvalho ao deixar a sede da CNBB, em Brasília.

A proximidade de Gilberto Carvalho com a Igreja Católica é grande e a presidenta Dilma Rousseff não teria nome melhor para desfazer possíveis desentendimentos. Carvalho pertence à ala chamada no PT de “igrejeira”. Ele estudou Teologia por três anos no Studium Theologicum de Curitiba e militou na Pastoral Operária Nacional, movimento ligado à Igreja Católica, entidade da qual foi secretário-geral entre 1985 e 1986. Carvalho foi também coordenador do Movimento Fé e Política, entre 2001 e 2003.

Além de desfazer os rumores de problemas do Planalto com a Igreja, a presença de Carvalho ao lado dos bispos serviu para demonstrar que não há, por parte da presidenta Dilma Rousseff, mágoas em relação à atitude de Bento 16 de divulgar em 2010 uma carta convocando os católicos e se posicionarem politicamente contra o aborto.

A divulgação da carta ocorreu em um momento da campanha de Dilma na qual a questão de legalização do aborto no Brasil era alvo de grande discussão. “É um episódio isolado e nem se sabe se quando o papa fez aquilo ele tinha em mente a campanha eleitoral. Nós relevamos completamente esse episódio”, disse o ministro.

Segundo Carvalho, a prova de Dilma tem boa relação com os bispos se dá pelo tratamento determinado por ela, assim que tomou posse. “Assim que tomou posse, ela determinou que nós fizéssemos o mesmo tipo de parceria que nós tínhamos no governo Lula com as igrejas, recebeu a direção da CNBB e tem mantido um intenso contato seja com a CNBB, seja coma Santa Sé, através de nossa embaixada”, disse o ministro.

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