O que motiva a corrida armamentista da Coreia do Norte?

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Analista fala das razões do país para manter programa que gera retaliações

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As suspeitas levantadas pelo registro de um tremor na Coreia do Norte foram confirmadas nesta terça-feira: Pyongyong anunciou que o sismo foi decorrente do seu terceiro teste nuclear. O país já havia realizado outros dois testes atômicos, em 2006 e em 2009.

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Oficialmente, o novo teste seria uma resposta de Pyongyang a sanções adotadas pela ONU contra a Coreia do Norte em retaliação ao lançamento de um foguete pelo país. Mas o que exatamente está por trás dessa escalada armamentista? À pedido da BBC, John Swenson-Wright, especialista em Ásia do centro de estudos britânico Chatham House, fez uma lista de três fatores que estariam impulsionando a Coreia do Norte nessa direção. Confira:

Dissuasão:
"Há cinco décadas, a Coreia do Norte tem se esforçado para se tornar um Estado nuclear para se defender de seus adversários - em especial dos Estados Unidos, com o qual Pyongyang permanece em estado de guerra desde os anos 50. Mais recentemente, o caso do líbio Muamar Kadafi - que concordou em abandonar seu incipiente programa nuclear e terminou derrubado por uma oposição local apoiada por Washington e a comunidade internacional - serviu de alerta para os líderes norte-coreanos.

Os americanos têm cerca de 28.000 soldados na Coreia do Sul e mantêm sólidas relações com o governo de Seul. Além disso, o Japão, governado pelo conservador Shinzo Abe, parece empenhado em aumentar seus gastos na área de Defesa - o que é percebido como mais uma ameaça regional pela Coreia do Norte.

Legitimidade interna:
"A passagem da Resolução 2087 do Conselho de Segurança da ONU, que impõe sanções sobre a Coreia do Norte pelo lançamento de um foguete em dezembro, irritou líderes norte-coreanos e foi vista internamente como uma afronta a soberania do país. Desde a morte de seu pai (Kim Jong-il), em 2011, o novo líder norte-coreano Kim Jong-un, de apenas 29 anos, vinha se esforçando para consolidar e dar legitimidade a sua autoridade, assumindo posições de destaque na hierarquia do Estado, do partido e das Forças Armadas.

Nesse contexto, avanços nos programas de lançamento de foguetes e de armas nucleares podem ser vistos como uma demonstração de força não só do Estado norte-coreano, mas também de seu novo líder. Meses depois de Kim-Jong-il assumir, a Coreia do Norte modificou sua Constituição definindo-se oficialmente como uma "nação nuclear". Os esforços para melhorar os ativos nucleares do país também podem ser vistos como uma forma de dar equilíbrio ao jogo de forças dentro da hierarquia do Estado, impedindo uma proeminência dos quadros militares."

Avanço técnico:
"Fontes de inteligência dos EUA acreditam que Pyongyang poderia estar desenvolvendo secretamente um programa nuclear com base em urânio enriquecido que lhe permitiria produzir duas bombas atômicas por ano. Os dispositivos nucleares testados em 2006 e 2009 seriam à base de plutônio e a tecnologia para o uso do urânio poderia ser um passo importante para o país. Além disso, um teste tecnicamente bem sucedido (por exemplo, realizado sem a detecção de gases radioativos) poderia despertar o interesse de parceiros potenciais para o programa nuclear norte-coreano, como o Irã.

O teste também era considerado útil na convergência dos ativos nucleares do país com sua tecnologia de construção de mísseis balísticos, embora não faça com que tal convergência se torne imediatamente uma ameaça para países vizinhos. Apesar do lançamento do foguete em 12 de dezembro, os avanços da Coreia do Norte nessa área ainda parecem ser limitados. Fontes de inteligência dos Estados Unidos, por exemplo, acreditam que Pyongyang tenha no máximo 30 mísseis de médio alcance e poucos profissionais treinados para o seu lançamento."

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