Poliglota, amante da música clássica e conservador, religioso alemão foi figura importante do Vaticano décadas antes de substituir João Paulo 2º

A renúncia de Bento 16, o 265º papa da história, representa um novo marco na trajetória do religioso alemão famoso por sua visão conservadora e que, durante o papado, enfrentou diversos escândalos e polêmicas.

Joseph Ratzinger nasceu em uma família tradicional da Baviera em 1927, filho de um policial. Oitavo alemão a se tornar papa, ele é poliglota, estudou piano e fã dos compositores Mozart e Beethoven. 

Aos 14 anos, passou a integrar a Juventude Hitlerista, como todos os jovens alemães eram obrigados na época. Seus estudos no seminário de Traunstein foram interrompidos durante a Segunda Guerra Mundial, quando foi convocado. No fim do conflito, desertou do Exército alemão e foi brevemente mantido como prisioneiro pelos Aliados em 1945.

Ratzinger foi ordenado junto com o irmão em 1951. Sua visão conservadora e tradicionalista foi intensificada por suas experiências nos anos 1960, quando passou a ser professor de teologia da Universidade de Tuebingen. Revoltado com a influência do marxismo em seus alunos, ele acreditava que a religião estava sendo submetida a uma ideologia política que considerava “tirânica, brutal e cruel”.

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Depois, Ratzinger liderou uma campanha contra a teologia da libertação, o movimento para envolver a Igreja no ativismo social, o que para ele era uma aproximação do Marxismo. Em 1969, passou a ser reitor e vice-presidente da Universidade de Regensburg, na Baviera.

Antes de se tornar papa, Ratzinger foi durante 24 anos uma figura importante do Vaticano. Seu antecessor, o papa João Paulo 2º, o nomeou em 1981 para liderar a Congregação para a Doutrina da Fé, um dos órgãos da Santa Sé que chegou a ser conhecido como “Escritório Sagrado da Inquisição”. Lá, ganhou o apelido de “Rottweiler de Deus”, dada a paixão com que defendia a doutrina católica.

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Em 2005, quando o então papa João Paulo 2º morreu, Ratzinger tinha 78 anos e considerava a aposentadoria. Ao ser escolhido para o cargo, tornou-se um dos papas mais velhos da história – acredita-se, porém, que ele não tvesse real vontade de ocupar a posição.

Como papa, Bento 16 assumiu a liderança da Igreja em um momento tumultuado, quando as denúncias de que padres exploravam crianças sexualmente começavam a surgir. O escândalo, que chegou ao auge em 2009 e 2010 foi uma das marcas do papado do religioso alemão, que também teve de enfrentar o chamado Vatileaks , vazamento de documentos confidenciais do Vaticano.

Ele deixará o cargo em 28 de fevereiro, citando não ter forças para desempenhá-lo.

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