Entenda o processo de escolha do líder máximo da Igreja Católica, após a renúncia do alemão Bento 16

Bento 16 em abril de 2005,  quando foi eleito Papa
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Bento 16 em abril de 2005, quando foi eleito Papa

A renúncia do papa Bento 16, anunciada em 11 de fevereiro, coloca em andamento um complexo processo para a escolha do novo líder da Igreja Católica.

As regras para a sucessão serão as mesmas adotadas no caso da morte de um pontífice, como aconteceu com João Paulo 2º.

Veja as etapas do processo de seleção do novo papa:

1 - O Vaticano convoca o conclave, reunião de cardeais que escolhe o novo papa. No total, existem 209 cardeais. Desses, 117 têm menos de 80 anos e, por essa razão, conquistam o direito de votar e serem votados. Com a renúncia do cardeal O'Brien e a impossibilidade de Dom Julius Darmaatmadja ir a Roma por motivos de saúde, o conclave contará com 115 cardeais eleitores. O número máximo de cardeais votantes no conclave é 120.

Pelas regra canônica anterior, o conclave deveria começar com um mínimo de 15 dias após a morte ou renúncia de um papa. Bento 16 alterou a lei por meio de um decreto e ofereceu aos cardeais a possibilidade de antecipação, não sendo mais necessário esperar a quinzena.

2 - Os cardeais aptos a votar ficam isolados no Vaticano e fazem um juramento para que nenhuma informação seja divulgada. Qualquer homem católico batizado pode ser eleito papa, mas desde 1378 só cardeais foram escolhidos.

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3 -  A eleição de um papa é considerada um dos eventos mais secretos do mundo. Os cardeais não podem revelar as suas preferências, nem detalhes do que acontece na Capela Sistina. Durante o conclave, fica ainda proibido o acesso a jornal, telefone ou internet. Todo esse sigilo é garantido pelo cardeal carmelengo, uma espécie de administrador do Vaticano.

Os cardeais escrevem cada voto em uma cédula de papel. Não é permitido o voto em si mesmo e, para manter o sigilo, utilizam caligrafia diferente da habital. As cédulas são depositadas em uma urna de bronze. Nove cardeais eleitos assumem as funções administrativas de escrutinadores (contam as cédulas); revisores (recontam as cédulas) e infirmarii (recolhem as cédulas dos ausentes).

4- Duas votações são realizadas pela manhã e à tarde todos os dias, dentro da Capela Sistina. Para ser eleito, um nome deve conseguir uma maioria de dois terços. Essa é uma regra antiga que Bento 16 colocou em prática novamente em 2007. Antes, em 1996, João Paulo 2º determinara que a escolha fosse decidida por maioria simples se a votação seguisse inconclusiva após 30 votações.

5 - Após a revelação dos votos, caso haja indefinação, as cédulas são queimadas e sai fumaça escura da chaminé da Capela Sistina: é o sinal para os fiéis na Praça São Pedro saberem que ainda não foi um escolhido um novo papa. Caso haja definição, as cédulas são queimadas e a fumaça que sairá da chaminé da Capela Sistina terá cor branca. Este é o sinal de que a congregação católica tem enfim um novo líder. Esse processo é feito com produtos químicos

6 - O novo pontífice é apresentado na arcada da Praça São Pedro, com as palavras "Habemus Papam!", latim para "temos um papa!". Em seguida, ele trasmite sua primeira benção.


Com AP e Agência Brasil

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