Jornais e sites repercutem o surpreendente anúncio do papa, que deixa o cargo no dia 28

Jornais do mundo todo destacam o anúncio da  renúncia do papa Bento 16 , que irá acontecer no dia 28 de fevereiro. O pontífice informou sobre a decisão em reunião com cardeais, no Vaticano, nesta manhã, e justificou a saída por sua "idade avançada" e "falta de vigor". Os principais noticiários trazem análises da situação política conturbada da igreja e reações ao comunicado do papa, considerado "surpreendente" por diversas publicações.

No espanhol El País, uma análise classifica o pontífice como "um pastor rodeado por lobos". Para a publicação, "intrigas e lutas de poder preparam a sucessão de um Bento 16 sozinho e enfermo". O periódico lembra casos de corrupção e denúncias de pedofilia nos quais a igreja esteve envolvida nos últimos anos, além de mencionar o  susposto complô para matar o papa , revelado recentemente pela mídia europeia.

Para o britânico The Independent, a renúncia vai mandar "ondas de choque" através da comunidade católica global. O jornal lembra que o fato é "extremamente raro", uma vez que a última renúncia papal ocorreu há quase 600 anos.

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O Washington Post, dos EUA, também destacou a surpresa que o anúncio causou entre católicos  do mundo todo. O jornal lembra, ainda, que Bento 16 foi eleito papa aos 78 anos, tendo se tornado o mais velho indicado ao posto desde o século 18. No New York Times e o Wall Street Journal, o destaque também foi dado à "chocante" e "rara" decisão do pontífice. 

No Bild, editado na Alemanha, onde nasceu Bento 16, a notícia teve grande destaque e o pontífice foi chamado de "o nosso papa".

No The Telegraph, também do Reino Unido, o colunista especializado Damian Thompson destaca que a alegação de problemas de saúde para a renúncia é "quase além do crível", embora exista o precedente do papa Celestino VI, em 1294. "Católicos ficarão profundamente chocados e, na maioria dos casos, abatidos pela decisão, na qual vejo um ato de auto-sacrifício de um homem não preparado para ver a igreja sofrer, como resultado de sua crescente fragilidade", diz o texto. 

No argentino Clarin, uma análise especula se o próximo papa poderia vir de fora da Europa. Sob o título de "Virá agora um papa da América, Ásia ou África?", o texto diz que "não se trata apenas de uma disputa geográfica, mas uma questão de fundo: a Europa – de onde sempre saíram os papas – tem um catolicismo praticamente em retirada, com igrejas vazias".

Na Itália, o Corriere de La Sierra lembra a trajetória de Bento 16, marcada por escândalos de pedofilia contra padres e bispos católicos e o vazamento de informações financeiras do Vaticano.

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