Microapartamentos são tendência em Nova York

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Cidade americana pode derrubar uma exigência criada em 1987 de que todos novos apartamentos construídos precisam ter pelo menos 37 m²

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Sam Neuman brinca que não tem como pendurar seu casaco quando chega em casa à noite – isso ocuparia metade de seu apartamento. Essa é a vida em sua casa, localizada a poucos quarteirões da movimentada Times Square de Manhattan, que com 26 m² tem espaço suficiente para uma cama, uma mesa, um suporte de TV em uma parede e uma pequena cozinha.

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Modelo de microapartamento disponível no Museu da Cidade de Nova York, nos EUA


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"Eu desenvolvi como se fosse uma Síndrome de Estocolmo, na qual você se identifica com seus sequestradores", disse o publicitário de 31 anos de idade. "Quando eu me encontro no apartamento de outras pessoas, eu penso, 'Por que será que precisam mais do que um quarto?" Eu estou realmente muito feliz no meu apartamento. Realmente não tenho como acumular coisas ou eu não teria onde colocar."

A cidade de Nova York é famosa por suas legiões de moradores que vivem em apartamentos extremamente pequenos. Muitos deles tem orgulho disso e até encaram esse fato com um certo humor. Agora, a cidade está prestes a presenciar o quão pequeno os apartamentos dos nova-iorquinos se tornarão.

Nova York, que já tem 8,2 milhões de habitantes, deve ter um aumento populacional de 600 mil pessoas até 2030. Um terço dos domicílios da cidade tem apenas uma morador, uma percentagem de 46% na ilha de Manhattan. Moradores pagam uma média de aluguéis de US$ 2 mil por mês por um quitinete e US $ 2,7 mil por mês por um apartamento de um quarto.

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Com o aumento da população e do aluguel, os construtores de Nova York desafiam arquitetos a projetarem formas de ser tolerável - e até confortável - residir em habitações de 23 a 32 m²

A cidade pretende incorporar esses projetos em um complexo de apartamentos que deverão ser construídos na zona leste de Manhattan no ano que vem, chamados de "microunidades".

O objetivo é disponibilizar esses apartamentos minúsculos por toda a cidade como opções acessíveis para jovens solteiros, moradores com um orçamento limitado e pessoas sem família que estão cada vez mais excluídos de um dos mercados imobiliários mais caros do país.

Se o programa-piloto for bem sucedido, Nova York pode derrubar uma exigência criada em 1987 de que todos novos apartamentos construídos precisam ter pelo menos 37 m². Este é um conceito já aprovado por algumas cidades. São Francisco aprovou recentemente a construção de apartamentos de 20,5 m². E Tóquio e Hong Kong há muito tempo oferecem moradia em microunidades.

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Closet de roupas fica próximo de cozinha em microapartamento exposto no Museu da Cidade de Nova York

Como tentativa para que os nova-iorquinos comecem a reconsiderar o tamanho de seus apartamentos, o Museu da Cidade de Nova York inaugurou uma exposição no início de janeiro com um apartamento totalmente mobiliado de 30 m², que incorpora os mais recentes projetos de economia de espaço .

Um sofá cama, uma poltrona que possui quatro cadeiras dobradas guardadas, uma mesa dobrável sob o balcão da cozinha e uma televisão que desliza para revelar um bar.

Neuman ficou espantado com o quão espaçoso e arejado o apartamento parecia ser em comparação com o seu. "Se eles tivessem TV a cabo e encanamento, eu me mudaria amanhã", disse durante um passeio através da exposição com um repórter. "Você pode realmente dar uma festa sem se sentir como se estivesse no metrô na hora do rush."

No lado oeste de Manhattan, não demora muito tempo para que Jack Sproule, 67 anos, diretor financeiro de uma escola, dê uma demonstração do quitinete em que mora com sua esposa. Com 27 m², há espaço suficiente para uma cama que dobra na parede, uma cozinha e um banheiro adequadamente decorado, que Sproule brinca ser o único lugar para escapar quando há uma briga entre o casal.

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Mas um dos principais atrativos do apartamento é a vista de sua janela. "Olha só esta vista," disse Linda Sproule, apontando para a vista que dava para enxergar desde o Central Park até o Museu Metropolitano de Arte a distância.

A iniciativa das microunidades apela para este fator - um apartamento pequeno pela oportunidade de viver em uma das grandes cidades do mundo. Espera-se que o preço dos apartamentos minúsculos recém construídos, dependendo da localização, custem o mesmo valor que um quitinete, mas seriam equipados com instalações modernas e práticas.

Sproule disse que viver em um espaço pequeno tem seus benefícios pessoais. "Isso nos ajuda a focar um no outro", disse. Sem muita manutenção, “é incrível quanto tempo livre temos para passar um com o outro. Ele também nos permite explorar mais Nova York".

Neuman não disse o quanto ele paga por seu pequeno quitinete, a não ser que paga menos do que o valor de mercado em seu bairro. Depois de cinco anos vivendo em seu apartamento, a claustrofobia foi substituída por um medo muito diferente. "Talvez a cada dois anos eu tenha um pesadelo que o meu apartamento é enorme", disse Neuman. "É completamente aterrorizante."

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Jack Sproule abre uma cama em um microapartamento exposto no Museu da Cidade de Nova York

Por Ula Ilnytzky

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