Execução de militante da Caxemira por ataque de 2001 provoca protestos na Índia

Governo é acusado de prática eleitoreira por enforcar o militante Mohammad Afzal Guru, que em 2001 participou de um ataque no parlamento indiano

iG São Paulo |

A Índia enforcou um militante da Caxemira neste sábado (9) por sua participação em um ataque à sede do Parlamento do país que aconteceu em 2001, causando conflitos entre centenas de manifestantes e policiais na disputada região. Os agentes usaram cassetetes e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

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AP
Estudantes da Caxemira participam de um protesto contra a execução de Mohammed Afzal Guru em Nova Délhi, na Índia


Em 2011: Paquistão e Índia retomam diálogo de paz

O presidente Pranab Mukherjee rejeitou uma petição de misericórdia enviado por Mohammad Afzal Guru e ele foi enforcado nesta madrugada na prisão de Tihar, na Nova Délhi. Prevendo a agitação, as forças de segurança impuseram um toque de recolher em partes da Caxemira, assolada por distúrbios, e determinou que os moradores não deixassem suas casas.

A Índia culpou os militantes apoiados pelo Paquistão pelo ataque de 2001 ao Parlamento, cujos alvos seriam o primeiro-ministro, o ministro do Interior e legisladores - no que foi considerado um dos piores ataques de militantes no país.

O Paquistão negou qualquer envolvimento e condenou o ataque, mas a tensão aumentou drasticamente e colocou os dois países rivais - que têm poderio nuclear - perigosamente perto de sua quarta guerra. Quase 1 milhão de soldados foram mobilizados nos dois lados da fronteira e temores de guerra só foram dissipados alguns meses depois, em junho de 2002.

O enforcamento foi determinado menos de três meses depois de a Índia executar o único pistoleiro sobrevivente do ataque de 2008 à cidade de Mumbai, que deixou 166 mortos.

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Com a execução de Guru, as críticas contra o governo no Congresso indiano devem diminuir em meio aos preparativos para as eleições estaduais e de olho na eleição geral de 2014. A oposição acusa o partido governante de ser benevolente demais coma militância.

"O Congresso decidiu ser mais pró-ativo devido às eleições, não só em termos de política econômica, mas também em questões como o enforcamento de Afzal Guru," disse Amulya Ganguli, analista político. "O Congresso agora privou o BJP de uma plataforma política," ele disse, se referindo ao principal partido de oposição.

Autoridades do governo rejeitaram as insinuações de que a política eleitoral tenha influenciado na decisão de executar Guru.

Nas maiores cidades da Caxemira indiana, onde as forças de segurança lutam contra uma insurgência separatista há décadas, foram erguidas barricadas e centenas de policiais e membros da força paramilitar ficaram de prontidão. "O enforcamento de Afzal Guru é uma declaração de guerra da Índia", disse Hilal Ahmad War, líder de uma facção separatista.

As autoridades bloquearam os serviços de internet e sites de redes sociais para tentar evitar que a agitação se espalhasse. O ministro-chefe de Jammu e da Caxemira, Omar Abdullah, fez um apelo na TV pedindo calma.

Com Reuters

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