Em prisão americana, batalha solitária contra filmes eróticos

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Por 'dez anos miseráveis', carcereira lutou para impedir que presos em Iowa assistissem a filmes que os encorajavam a assediá-la sexualmente e ter comportamento agressivo

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Os administradores da prisão estadual de Iowa permitiram durante anos que os reclusos de uma de suas unidades mais perigosas assistissem a filmes violentos e sexualmente explícitos apesar de denúncias de uma carcereira que disse que eles encorajavam os presos a assediá-la sexualmente.

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Registro interno mostra programação de filmes operada pela penitenciária estadual em Fort Madison, Iowa (28/12/2012)

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Assassinos, predadores sexuais e outros homens abrigados em uma unidade para presos doentes mentais na prisão estadual de segurança máxima em Fort Madison podiam assistir a longas como "Deranged – Mente Assassina", filme de terror que inclui uma cena em que uma mulher é espancada, estuprada e pendurada de cabeça para baixo sem pele. De acordo com registros, outros filmes assistidos pelos presos foram o erótico "Delta de Vênus", "Coffey", que mostra sadismo e tentativa de estupro, e "Segundas Intenções".

Apesar das queixas da funcionária correcional Kristine Sink, os administradores lhe disseram para não suspender a exibição dos filmes ou dos programas de televisão. Quando ela o fez, eles a acusaram de insubordinação, de acordo com registros do departamento fornecidos para a Associated Press. Um carcereiro culpou Kristine por ter causado problemas ao reclamar, enquanto outro supervisor sugeriu que suas roupas – um uniforme padrão de policial – atraía os presos.

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Kristine relatou ter travado uma luta solitária contra a diretoria da prisão contra filmes que faziam com que os presos se tornassem sexualmente agressivos - durante "dez anos miseráveis". Ela entrou com uma ação contra os funcionários da prisão alegando assédio sexual, discriminação e retaliação no local de trabalho, e buscando uma quantidade não especificada de indenização em 30 de novembro. "É inconcebível. Se não tivesse passado por isso, não teria acreditado que isso seria possível", disse.

Kristine, que começou a trabalhar na prisão em 2003 após o fechamento da fábrica onde trabalhava, afirmou que os filmes passavam várias vezes por dia numa televisão localizada em uma área comum, onde 45 detentos podiam assistir. Alguns presos se masturbavam abertamente e faziam comentários sexualmente abusivos em relação a ela.

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A funcionária correcional Kristine Sink, que disse que filmes eróticos em prisão do Iowa encorajavam presos a assediá-la sexualmente

A funcionária disse que em setembro de 2011, quando os funcionários da prisão finalmente levaram suas queixas em consideração e restringiram os filmes com conteúdo sexualmente explícito, os presos passaram a culpá-la e a insultá-la - com alguns proferindo ameaças. Um jogou urina nela. Apesar das ameaças, Kristine afirmou que seus supervisores se recusaram a transferi-la para um cargo em que não estivesse em contato com os presos. Ela finalmente foi transferida para um escritório em dezembro, depois de ter apresentado sua ação judicial.

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A advogada de Kristine, Brooke Timmer, disse que o processo visa a forçar mudanças para permitir que funcionários possam fazer denúncias sobre o seu local de trabalho sem sofrer retaliação. "Nenhum empregador devia sair ileso de ações como essa", disse.

"O que estamos dizendo aos criminosos sexuais já condenados por esses crimes com a exibição desse tipo de conteúdo, que lhes permite fantasiar ou agir da mesma maneira?", Kristine escreveu a John Ault, diretor da prisão na época. Ela afirmou que esperou por mais de quatro anos um posicionamento por parte da administração da prisão "para que corrigissem essa falha".

Ela disse a Ault, que se aposentou em 2010, que os presos a acusavam de tentar acabar com seus filmes e sugeriram que um supervisor os havia avisado de sua reclamação.

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Ault respondeu que havia ficado "ofendido" com sua afirmação de que a administração foi a responsável por sua identificação e disse: "Você, e apenas você foi culpada por sua exposição", ao tentar acabar com os filmes e reclamar. Ele disse que foi ela que havia ficado chateada e apresentou a denúncia mesmo quando medidas eram tomadas para selecionar filmes mais adequados.

Fred Scaletta, porta-voz do Departamento Correcional, declarou que não comentaria as alegações de Kristine. Ele afirmou que a agência proíbe a exibição de filmes com a classificação NC-17 e requer que quaisquer vídeos recomendados para adultos tenham um "valor compensatório". Programas não classificados devem ser revistos para garantir que são apropriados, disse.

Em 2009, Ault adotou orientações para que os filmes permitidos fossem exibidos nas celas dos detentos após as 21 horas, e não na área comum. Mas Kristine disse que o sucessor de Ault, Nick Ludwick, afrouxou a restrição a pedido dos presos. Ault e Ludwick recusaram pedidos de entrevista.

Em 2011, os presos foram autorizados a assistir à série do canal Showtime "Californication". Kristine disse ter se oposto a cenas de sexo que "estimulavam" os presos e interrompeu a exibição apesar de uma ordem para não fazê-lo. Kristine disse que foi investigada por insubordinação e mais tarde recebeu uma advertência disciplinar, que já foi removida de sua ficha.

Por Ryan J. Foley

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