Durante 'terapia' de cinco minutos, visitante tem direito de destruir cadeira, mesa, cama, cabide, prateleira de livros e outros itens pagando US$ 6 na cidade sérvia de Novi Sad

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Savo Duvnjak olhou ao redor da sala, pegou um taco de beisebol de metal e destruiu tudo - cama, mesa, prateleiras, cadeira - até que não sobrou mais nada. Mas não se tratava de um ato criminoso e sim da “Sala da Fúria”, que faz muito sucesso na Sérvia, um visitante de cada vez.

Savo Duvnjak se prepara para sessão de destruição em Sala da Fúria em Novi Sad, Sérvia (27/12/2012)
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Savo Duvnjak se prepara para sessão de destruição em Sala da Fúria em Novi Sad, Sérvia (27/12/2012)

"Isso é tão bom!", disse Duvnjak enquanto admirava a destruição que havia feito – pagando apenas uma taxa modesta. "Sinto ter descarregado toda minha energia negativa. O último ano foi difícil e queria terminá-lo com estilo!", afirmou.

Desde sua abertura na cidade de Novi Sad, no norte da Sérvia, em outubro, a "Sala da Fúria" chamou muita atenção no país balcânico, onde duas décadas de crise resultante da guerra, da política e das dificuldades econômicas deixaram muitos à beira de uma crise de nervos.

Inspirada por uma "Sala da Fúria" similar em Dallas, Texas, a versão da Sérvia foi criada por dois adolescentes que viram a original na internet e perceberam que poderia ser uma boa oportunidade de ganhar dinheiro.

"Em média, temos um usuário por dia, o suficiente para nos manter", disse Nikola Pausic, um jovem de 18 anos que administra a sala com um amigo.

A versão da sala em Dallas custa até US$ 75 por sessão e tem uma variedade de objetos para destruir, incluindo computadores e móveis de escritório. A Sala da Fúria da Sérvia, organizada em uma garagem remodelada, é muito mais básica - e mais barata.

Incluído na taxa de cerca de US$ 6 está o direito de destruir uma cadeira, uma mesa, uma cama, um cabide e uma prateleira de livros, juntamente com itens como fotografias emolduradas, latas vazias e recipientes de plástico. Os clientes devem usar um capacete, óculos de proteção e luvas. Depois podem relaxar com música, deixando a limpeza do local para a equipe da sala.

"Temos visitantes de diversas regiões do país", disse Pausic, "e pessoas de todas as idades" - acrescentando que a sala também é popular entre as mulheres. Ele disse que os visitantes geralmente precisam de cerca de cinco minutos para destruir tudo que está dentro da sala.

Embora possa ser uma maneira fácil de desabafar, especialistas advertem que projetos como esse não substituem a terapia de controle da raiva.

Sanja Marjanovic, uma psicóloga de Belgrado, afirmou que a ciência moderna procura maneiras de controlar frustrações antes de se tornarem ataques de raiva. Ela explicou que "esse tipo de válvula de escape dá às pessoas uma sensação imediata de alívio, mas, em longo prazo, a raiva não desaparece".

Savo Duvnjak destrói móveis e outros itens domésticos em sessão de destruição na Sala da Fúria de Novi Sad, Sérvia (27/12/2012)
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Savo Duvnjak destrói móveis e outros itens domésticos em sessão de destruição na Sala da Fúria de Novi Sad, Sérvia (27/12/2012)

"Em uma situação estressante, pode-se contar até dez ou se acalmar respirando fundo ", disse. "É muito mais útil praticar ioga, por exemplo."

Pausic relatou que cada visitante deve assinar um documento que inclui uma cláusula dizendo que a Sala da Fúria não tem o objetivo de oferecer assistência médica. E, após o término de cada sessão, os clientes recebem um CD que inclui informações sobre terapeutas profissionais e como contatá-los.

Duvnjak encontrou um valor terapêutico na Sala da Fúria. Ele disse que a sessão o ajudou a lidar com a pressão que havia acumulado por causa de seus estudos - acrescentando que muitos de seus amigos compartilhavam do mesmo sentimento. "Isso faz muito mais bem do que brigar", concluiu.

Por Jovana Gec

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