Plano de Obama para controle de armas pode enfrentar resistência no Congresso

Por AP |

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Maioria republicana na Câmara pretende rejeitar ideias do presidente para limitar armas de assalto, enquanto aliados democratas no Senado estão longe de prometer ação imediata

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A proposta do presidente Barack Obama de controlar a posse de armas de assalto enfrenta um futuro incerto no Congresso americano, no qual a maioria dos republicanos na Câmara pretende rejeitar suas ideias enquanto aliados do presidente no Senado, controlado pelos democratas, estão longe de prometer uma ação imediata.

O plano de Obama de US$ 500 milhões marca um dos maiores esforços para controlar as leis de armas em quase duas décadas, enquanto tenta lidar com emoções elevadas devido ao massacre no final do ano passado na escola em Connecticut, quando um homem armado com um rifle de alta potência comprado legalmente deixou 20 crianças e seis adultos mortos. Obama disse que esse foi o pior dia de seu mandato como presidente do país.

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No anúncio ocorrido no início de janeiro, o presidente apelou para o bom senso e a consciência dos congressistas, mas observadores afirmam que a crescente divisão partidária tem provocado muita pouca mudança apesar dos acontecimentos.

"Para fazer uma diferença real e duradoura o Congresso deve agir", disse Obama. "E o Congresso deve agir logo."

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O lobby pró-armas mais poderoso do país, a Associação Nacional de Rifles, já está rejeitando muitas das propostas de Obama à medida que ele insiste em uma leitura absoluta da Segunda Emenda da Constituição, que garante o direito de possuir e portar armas de fogo. O grupo, representante também uma indústria de armas que, desde a Guerra de Secessão (1861-1865), promove a cultura de armas nacionalmente, há muito tempo vem alertando os proprietários de armas que Obama quer tirar o seu direito à posse.

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O problema chegou ao exterior quando o então secretário de Defesa Leon Panetta falou a soldados americanos na Europa. "Quem precisa de armas a não ser vocês que estão no campo de batalha?", perguntou Panetta a soldados na Itália. "Eu não sei por que as pessoas precisam de armas de assalto."

Panetta, que disse acreditar na Segunda Emenda e praticar caça, foi questionado sobre o assunto por um soldado que queria saber quais os passos que o governo de Obama iria tomar sem ter que "rasgar a nossa Segunda Emenda".

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O chefe da Associação Nacional do Rifle disse que a organização não tem nenhum problema com controles que reforcem a verificação de antecedentes criminais dos compradores de armas, outra proposta de Obama. Mas David Keene disse ao canal CBS que foi colocada muita ênfase sobre a proibição de armas de fogo e que certos oficiais deveriam se concentrar no problemático "sistema de saúde mental do país".

No início desta semana, a NRA publicou um vídeo online no qual chamou Obama de "hipócrita elitista" por permitir que suas filhas fossem protegidas por agentes do Serviço Secreto armados, mas não estar de acordo com a implementação de guardas armados nas escolas. Um porta-voz da Casa Branca chamou o vídeo de "repugnante" e "covarde".

O destino do plano de Obama contra as armas poderá eventualmente depender de alguns senadores democratas moderados. Embora eles não estejam tendendo a apoiar o apelo do presidente para a proibição de armas de assalto, eles podem concordar com outras propostas, como a exigência de antecedentes e a limitação da venda de pentes com 10 balas ou menos.

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Vários desses senadores responderam com cautela depois que Obama revelou sua proposta. Muitos republicanos criticaram a ideia. "Portar armas é um direito, apesar do desdém do presidente Barack Obama pela Segunda Emenda", disse o deputado Tim Huelskamp.

Apesar da incerteza no Congresso e da poderosa oposição da NRA, grupos externos são estimulados por pesquisas que mostram que existe um apoio público para a mudança na lei. Segundo levantamento da Associated Press-GfK, 84 % dos americanos apoiaram verificações de antecedentes mais abrangente.

A mesma pesquisa mostrou que quase seis em cada 10 americanos querem leis mais rigorosas de armas, com maiorias favoráveis a uma proibição nacional de armas de estilo militar. "Agora cabe a nós", disse Dan Gross, presidente da Campanha Brady Para Prevenir Violência de Armas. Ele disse que seu grupo está trabalhando "para apoiar da melhor maneira possível o projeto durante este processo, pois, sem isso, nada irá mudar."

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