Mali tem primeiro atentado suicida desde intervenção da França

Por iG São Paulo |

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Homem-bomba detonou explosivos perto de grupos de soldados deixando apenas um ferido; tropas francesas ocupam a cidade de Tessalit, dominada por insurgentes islâmicos

Um homem-bomba atacou a cidade de Gao, no norte de Mali, nesta sexta-feira (8) no primeiro atentado suicida desde o início da campanha das tropas francesas no país contra insurgentes islâmicos. O ataque ocorreu no mesmo dia em que as forças do país europeu atacaram a cidade de Tessalit, perto da fronteira da Argélia, tirando-a do controle dos militantes.

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O homem-bomba se aproximou de um grupo de soldados em uma motocicleta antes de detonar os explosivos presos em seu corpo, deixando um ferido, segundo testemunhas ouvidas pela rede britânica BBC. Um grupo aliado à Al-Qaeda reivindicou responsabilidade pelo ataque, ocorrido na cidade mais populosa do país.

Residentes que ouviram a explosão descreveram o ataque. "O barulho foi tão forte que eu achei que a explosão tinha atingido minha casa", disse Agali Ouedrago.

Também nesta sexta-feira, Aicha Belco Maiga, a presidente do corpo do governo que representa a região de Tessalit, confirmou da capital de Bamako que a sua cidade foi retomada pelas tropas francesas. Ela conseguiu fazer contato com um colega que está em Tessalit e pôde verificar a informação. "Desde às 8h (6h em Brasília) tropas francesas estão em Tessalit. Eles controlam a entrada da cidade, bem como os prédios do governo", disse.

Na capital do país, Bamako, distante do sul, soldados de uma unidade aliada ao líder do golpe militar sofrido pelo país no ano passado, invadiu o acampamento da guarda presidencial nesta manhã, deixando ao menos um morto e cinco feridos. 

A antiga guarda presidencial, os "boinas vermelhas", com base no acampamento Djicoroni, em Bamako, foi desarmada meses atrás pelos agentes leais ao capitão Amadou Hayna Sanogo, líder do golpe, os "boinas verdes". Seu acampamento foi atacado em diversas ocasiões pelas tropas de Sanogo, que capturaram as armas da guarda presidencial.

Quando as tropas dos "boinas verdes" chegaram ao acampamento militar nesta sexta, encontraram mulheres e crianças e dispararam gás lacrimogêneo, segundo informou Batoma Dicko, mulher que vive no local. O acampamento também possui casas para os familiares dos "boinas vermelhas". As tropas conseguiram adentrar o acampamento e incendiaram as enfermarias.

O médico Amadou Diallo, que trabalha na enfermaria do acampamento, conhecido como Para Acampamento Djicoroni, disse que o ataque deixou ao menos um morto e cinco feridos. "Um jovem de aproximadamente 20 anos foi atingido por uma bala na cabeça. A bala entrou pela sua bocheca e saiu pela seu pescoço", disse. "ele ficou completamente desfigurado. Também há duas mulheres e três jovens, com idades de 11, 17 e 15 anos que ficaram feridos."

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Os "boinas vermelhas" eram uma guarda presidencial de elite que proegiam Amadou Toumani Toure, que foi derrubado por um golpe em março do ano passado por oficiais de baixa patente.

Os temores sobre a violência no Mali aumentaram desde a descoberta de uma indústria de explosivos em Gao no início dessa semana.

A França interveio em sua antiga colônia depois que grupos de islâmicos armados tomaram o controle do norte do país em abril, e começaram a expandir seu comando para o sul, em direção à capital. Várias nações africanas também enviaram tropas para contribuir com a intervenção.

O país europeu também apresentou para o Conselho de Segurança a possibilidade de se estabelecer um comando de forças de paz da ONU em Mali. O embaixador francês na ONU, Gerard Araud, afirmou aos jornalistas que ele começou a discutir a questão durante um conselho de consultas na quarta-feira. Ele disse que uma força da ONU iria desembarcar no país assim que as condições permitissem.

Herve Ladsous, chefe das forças de paz da ONU, afirmou que havia um apoio internacional para substituir a atual operação militar por uma ação da ONU, mas que, para isso, era necessária uma aprovação do governo do Mali.

Com AP

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