Venezuela enfrenta escassez esporádica de alimentos

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Venezuelanos apontam controle de preço e da moeda feito pelo governo como causa de situação, mas autoridades afirmam que a culpa é dos empresários

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Mireya Bustamante passou a maior parte do dia tentando encontrar farinha para fazer um bolo de aniversário para seu filho de 4 anos. Mas foi em vão.

Como a maioria dos venezuelanos, a mãe solteira e funcionária pública de 33 anos tem lutado com a escassez de alimentos há anos. E, como muitos no país, ela acredita que a situação está cada vez pior. Ela culpa o controle de preço e da moeda pelo governo, embora as autoridades afirmem que a culpa é dos empresários.

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Funcionário pesa sacola com alimentos subsidiados do governo para uma clinete em mercado estatal de Caracas, Venezuela (15/12/2012)

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"É como uma odisseia que parece não ter fim", disse Mireya sobre o desafio diário de encontrar alimentos básicos. "Para que servem os controles se é tão difícil encontrar produtos básicos? A culpa é do governo, não dos donos das mercearias de bairro."

Os venezuelanos há muito tempo precisam se aventurar para encontrar alimentos escassos e, ultimamente, consumidores locais estão tendo dificuldade em achar produtos como frango, açúcar, óleo e café, assim como papel higiênico e alguns medicamentos. A falta de alimentos apresenta uma potencial vulnerabilidade política para o governo no momento em que o presidente Hugo Chávez está hospitalizado em Cuba depois de sua quarta operação relativa a um câncer.

Tais questões econômicas sobre o seu modelo socialista estão aumentando a incerteza política desencadeada pela doença de Chávez e sua longa ausência. No entanto, até agora não há sinais de que a crise política seja responsável pela agravação da situação econômica do país.

O governo de Chávez já foi responsável pela venda de alimentos baratos, subsidiados em mercados estatais durante anos para reforçar seu apoio entre os pobres. Ele diz que o controle de preços, estabelecido em 2003, é essencial para proteger os pobres contra a inflação enquanto as taxas de câmbio das moedas estrangeiras estabelecidas pelo governo são necessárias para evitar a fuga de capital. Essas moedas, principalmente o dólar americano, são usadas para pagar pelo petróleo venezuelano.

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Muitos economistas disseram que a escassez decorre da má gestão da economia por meio dos controles de preços e da moeda. Acusações oficiais de corrupção e especulação de preços têm como objetivo desviar a culpa pelas falhas da política econômica, argumentaram críticos do governo.

"Desde a eleição presidencial de outubro, o governo restringiu a quantidade de dólares atribuídos ao setor privado. Isso fez com que o dólar paralelo subisse e também aumentasse a escassez de alimentos e produtos essenciais", disse David Smilde, da Universidade da Geórgia, sociólogo e analista do Gabinete para a América Latina, em Washington. Muitos analistas acreditam que os gastos do governo com programas sociais e a distribuição de presentes antes da eleição prejudicou o caixa federal.

As importações de alimentos aumentaram rapidamente no país que tem a maior reserva mundial de petróleo. A produção nacional de alguns produtos diminuiu, enquanto a inflação subiu, chegando a 20% no ano passado, a maior da América Latina.

Em 2007, Chávez também intensificou nacionalizações de indústrias e expropriações de propriedades privadas.

Jorge Roig, que representa a maior câmara de negócios da Venezuela, solicitou no dia 14 que o governo liberasse mais dólares que pudessem ser usados para comprar mais bens importados.

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Roig disse que, em outubro, líderes de negócios haviam alertado o órgão estadual responsável pela comercialização de dólares para empresas na taxa de câmbio oficial que a escassez de alimentos e outros produtos aconteceria no primeiro trimestre de 2013 se o governo não liberasse mais moeda. "O mercado está com falta de produtos, e isso é visível nas prateleiras", disse.

Empresas privadas que importam alimentos e outros produtos recebem dólares do governo bimestralmente, mas recentemente houve atrasos nos pagamentos. Roig disse que o governo muitas vezes apenas entrega uma pequena porcentagem do que as empresas solicitaram.

Mais consumidores estão sendo obrigados a ir de mercado em mercado em diferentes regiões da cidade de Caracas para encontrar itens básicos de suas listas de compras.

Beatriz Romero, 44, dona de casa, tinha um olhar exasperado ao sair de uma pequena mercearia no movimentado centro de Caracas com sacolas plásticas cheias de produtos enlatados.

"Não encontrei tudo de que precisava", disse Beatriz, que queria comprar farinha de milho, arroz e açúcar. "Terei de procurar esses outros produtos em outro lugar."

Por Christopher Toothaker e Vivan Sequera

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