Líder supremo do Irã rejeita negociações diretas com EUA

Por iG São Paulo |

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Aiatolá Ali Khamenei afirma que americanos estão 'apontando uma arma para o Irã' e refutou proposta levantada pelo vice Joe Biden de um diálogo direto sobre programa nuclear

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, rejeitou nesta quinta-feira (7) uma oferta dos EUA para negociações diretas entre os dois países. Em um comunicado publicado em seu site na internet, o aiatolá afirma que o diálogo não resolveria nenhum problema.

"Vocês (EUA) estão apontando uma arma para o Irã, dizendo: 'ou conversamos ou atiramos'. A nação iraniana não ficará amedrontada com tais ameaças", disse, em alusão às sanções econômicas ocidentais aplicadas contra o Irã pelo seu controverso programa nuclear.

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AP
Aiatola Ali Khamenei acena para seus seguidores em frente a um retrato do aiatolá Khomeini no campus da Universidade de Teerã, no Irã (3/2/2012)


Ministro: Irã indica estar aberto a conversações diretas com EUA na questão nuclear

Esta é a primeira declaração de Khamenei em relação a oferta americana para negociações diretas, feita na semana passada pelo vice-presidente dos EUA, Joe Biden. A oferta havia recebido elogios cautelosos do chanceler iraniano, mas é o líder supremo do país que tem a palavra final sobre a política externa.

A declaração de Khamenei pode prejudicar as próximas negociações que acontecerão no Cazaquistão ente o Irã e um grupo de seis nações que compõem o Conselho de Segurança permanente da ONU e a Alemanha. A referência feita às sanções americanas sugere que os enviados iranianos irão condicionar às demandas a um relaxamento das punições econômicas antes de considerar qualquer concessão em seu programa nuclear.

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Washington já indicou que está preparado para conversar diretamente com o Irã sobre o programa nuclear, mas até agora não obteve sucesso. Enquanto isso, as negociações com outras potências também tiveram pouco progresso. As três rodadas de diálogos ocorridas no ano passado terminaram em impasse, com Teerã pressionando por um relaxamento das sanções econômicas em troca de concessões.

O Ocidente e seus aliados temem que os laboratórios de enriquecimento de urânio no Irã tenham fins militares. A República Islâmica garante que seu programa nuclear tem fins pacíficos, como geração de energia e aplicações médicas.

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O Irã e os EUA romperam seus laços após a invasão da Embaixada dos EUA em Teerã no ano da Revolução Islâmica, 1979. Os militantes iranianos mantiveram, na ocasião, 52 americanos reféns por 444 dias. "Eu não sou um diplomata. Sou um revolucionário e expresso minhas palavras honestamente", teria dito Khamenei.

Ele notou que algumas facções dentro do Irã defendem o diálogo direto com os EUA por causa de sua "ingenuidade". Ele não deu mais detalhes, mas apelou para a necessidade de desafiar os esforços que os EUA fazem para voltar a dominar o Irã - uma referência ao antigo xá próximo ao Ocidente que foi derrubado pela Revolução Islâmica.

Khamenei, entretanto, mostrou alguma flexibilidade no passado em relação ao diálogo com Washington. O Irã e os EUA participaram de diálogos sobre o Iraque e o Afeganistão.

Com AP e BBC

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