Expectativa de vida americana é abalada por violência

Por AP |

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EUA é campeão de mortes violentas entre os países desenvolvidos em parte porque 89 em cada 100 civis possuem armas de fogo e as guardam em lugares de fácil acesso

AP

Os Estados Unidos têm um índice de mortes causadas pela violência maior do que qualquer outro país desenvolvido. Isso se deve em parte à posse generalizada de armas de fogo e à prática de guardá-las em casa em lugares de fácil acesso, segundo informou um relatório divulgado no início de janeiro por duas das principais instituições de pesquisa em saúde do país.

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A violência armada é apenas um dos muitos fatores que contribuem para diminuir a expectativa de vida americana, mas a descoberta chamou atenção, pois o relatório foi divulgado menos de um mês após a morte de 26 pessoas em uma escola primária em Newtown, Connecticut.

Os EUA têm cerca de seis mortes violentas para cada 100 mil habitantes. Nenhum dos outros 16 países incluídos no relatório sequer chegaram perto desse número. A Finlândia foi o que chegou mais próximo da classificação dos Estados Unidos com pouco mais de duas mortes violentas para cada 100 mil habitantes.

Há muitos anos, os americanos estão morrendo cada vez mais jovens do que em qualquer outro país desenvolvido. Além do impacto da violência armada, os americanos consomem mais calorias e são mais vítimas de acidentes que envolvem álcool. Os EUA também possuem taxas mais elevadas de mortes relacionadas com drogas, mortalidade infantil e aids.

O resultado é que a expectativa de vida para homens nos EUA teve a pior classificação entre os 17 países analisados, em 75,6 anos, enquanto a expectativa de vida para as mulheres dos EUA foi a segunda menor em 80,7 anos. Os países analisados incluíram Canadá, Japão, Austrália e grande parte da Europa Ocidental.

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As desvantagens da saúde da nação têm consequências econômicas. Elas elevam os custos para os consumidores e contribuintes, assim como possui uma força de trabalho que continua sendo menos saudável do que a de outros países de alta renda.

"Com vidas e dinheiro em jogo, os EUA não se podem dar ao luxo de ignorar este problema", disse o relatório do Conselho Nacional de Pesquisa e do Instituto de Medicina.

Na tentativa de explicar por que os americanos são tão pouco saudáveis, os pesquisadores analisaram três categorias: o sistema nacional de saúde, comportamentos prejudiciais à saúde e as condições sociais e econômicas. Os pesquisadores observaram que os EUA têm uma grande população sem seguro de saúde em comparação com outros países com economias parecidas, e acesso mais limitado a cuidados de saúde primários.

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E embora a renda dos americanos seja, em média, maior do que a de outros países desenvolvidos, os EUA também têm um maior nível de pobreza, especialmente entre as crianças.

Os pesquisadores revisaram uma série de estudos realizados ao longo dos anos. Eles estimaram que o homicídio e o suicídio, juntos, respondem por cerca de um quarto dos anos de vida perdidos para os homens americanos em relação aos de outros países. Notaram também que o homicídio é a segunda principal causa de morte entre os adolescentes e jovens adultos entre 15 a 24 anos. A grande maioria dos homicídios envolvem armas de fogo.

Os pesquisadores disseram que há pouca evidência de que os atos violentos ocorrem mais frequentemente nos EUA do que em outros lugares. É a letalidade desses ataques que se destaca.

"Um comportamento que provavelmente explica a letalidade como excesso da violência e lesões não intencionais nos EUA é a posse de armas de fogo e a generalizada prática comum de guardá-las (muitas vezes de maneira descuidada) em casa. As estatísticas são dramáticas", disse o relatório.

Por exemplo, os EUA possuem a maior taxa de posse de armas entre os países analisados - 89 civis possuem armas de fogo para cada 100 americanos, e os EUA são lar de cerca de 35% a 50% das armas de fogo do mundo pertencentes a civis, observou o relatório.

O Congresso está revisando a legislação de armas, mas os pesquisadores disseram em uma conferência que também estavam preocupados com fatores que não tinham nada a ver com armas, tais como o alto índice de doenças entre os adolescentes e jovens adultos. Eles particularmente citaram uma alta incidência de aids e a alta taxa de mortalidade infantil do país.

A Associação Nacional de Rifles não retornou as ligações feitas para que comentasse o relatório.

Por Kevin Freking

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