Em carta, Chávez pede que venezuelanos mantenham espírito de combate

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Presidente em exercício, Nicolás Maduro leu mensagem enviada de Havana para o povo venezuelano referente aos 21 anos de um rebelião fracassada liderada por Chávez

O presidente em exercício da Venezuela, Nicolás Maduro, leu na noite de segunda-feira (4) uma mensagem do presidente Hugo Chávez, que se recupera de uma cirurgia contra um câncer em Havana, Cuba. Direcionada ao povo venezuelano, a carta diz que o "espírito de combate" deve ser mantido para levar adiante os princípios da Revolução Bolivariana.

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Vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, segura uma carta enviada pelo presidente Hugo Chávez durante aniversário do golpe fracassado de 1992 (4/2/2013)

A mensagem se refere aos 21 anos de rebelião cívico-militar de 1992. "Nada é terminado quando ainda há a fazer", disse Chávez no seu texto. "Nós ainda temos muito na pátria para libertar e é por isso que precisamos estar cada vez mais unidos como um povo", acrescentou. Maduro, que é vice-presidente do país, leu o texto na Praça Pagüita, próximo ao Palácio de Miraflores, sede do governo federal, em Caracas.

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Maduro lembrou que foi a primeira vez em 21 anos que Chávez não pôde estar presente na comemoração da data, marcada por uma marcha que reunir centenas de partidários do governo vestindo camisetas vermelhas. Desde dezembro, o presidente está em tratamento em Cuba para o combate a um câncer. Ele foi submetido a uma terceira cirurgia para a retirada do tumor e sofreu uma série de complicações.

A rebelião, ocorrida há 21 anos, foi liderada por Chávez. Na mensagem ontem, o presidente disse que "naquele dia memorável todas as lutas foram reivindicadas". "Todos somos arquitetos de um país que finalmente tomou em seus braços a bandeira bolivariana para renascer na luz da dignidade e das profundezas do coração do povo", diz ele no texto.

A televisão estatal passou imagens de 1992, quando Chávez teve o direito de falar em cadeia nacional após sua captura e incitou seus seguidores a abandonar suas armas, dizendo que seus esforços haviam fracassado "neste momento".

O discurso curto de Chávez na ocasião, e essas duas palavras, ajudaram-no a lançar sua carreira política. Ele foi eleito presidente pela primeira em 1998, sendo reeleito para mais um mandato de seis anos em outubro, apesar de sua luta contra o câncer.

O ex-presidente de Cuba Fidel Castro afirmou no domingo que Chávez está "muito melhor agora, se recuperando" depois de sua última cirurgia. "Tem sido uma luta difícil, mas ele está melhorando", disse Castro, segundo o jornal do Partido Comunista Granma. "Temos que curá-lo. Chávez é muito importante para seu país e para a América Latina".

O presidente da Assembleia venezuelana, Diosdado Cabello viajou para Havana na semana passada para visitar Chávez, e na segunda-feira disse que o presidente o falou para mandar abraços para seus "camaradas de armas". "O comandante está lutando por sua recuperação, ficando melhor a cada dia, assinando documentos, dando instruções e ordens", disse. "E de Havana, ele manda um abraço para vocês e um muito obrigado por todo esse amor."

Cabello, um influente líder no partido de Chávez, também desmentiu as acusações dos opositores de Chávez de que líderes cubanos estariam influenciando nas decisões do governo com a ausência do presidente. "Agora, somos uma colônia de Cuba de acordo com eles", disse Cabello a soldados e partidários do governo. "Hoje, estão atacando nossa irmã Cuba, país que somos muito agradecidos pela enorme deteminação para curar nosso comandante."

Cabello incitou a multidão dizendo: "Nós todos somos Chávez. Somos soldados da pátria."

Mas a oposição ao governo criticou o evento comemorativo de segunda-feira, dizendo que não há valor em celebrar uma tentativa de golpe que deixou dezenas de mortos.

O governador de Miranda, Henrique Capriles, principal figura da oposição a Chávez, disse em mensagens em seu Twitter que a data marca simplesmente um golpe fracassado e nada mais. Ele afirmou se sentir solidário com os membros das Forças Armadas pelo que caracterizou como "espetáculo dantesco do Al Capone". Capriles não especificou se estava se referindo a Maduro ou Cabello.

Com Agência Brasil e AP

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