Paquistão está preparado para diálogo de paz com Taleban, diz ministro

Por iG São Paulo |

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Rehman Malik sinalizou que governo pode ir à mesa de negociações com militantes apesar de o grupo não ter abandonado as armas, exigência feita anteriormente

O ministro do Interior paquistanês afirmou nesta segunda-feira (4) que o governo do seu país estava preparado para estabelecer diálogos de paz com militantes do Taleban, cuja insurgência deixou milhares de mortos no país nos últimos anos.

A afirmação de Rehman Malik foi o mais recente sinal de que o diálogo pode acontecer e veio após um líder do Taleban paquistanês ter indicado que está preparado para sentar na mesa de negociações.

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AP
Ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, conversa com repórteres do lado de fora da Suprema Corte, em Islamabad


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Com isso, o governo aparentemente desistiu da exigência de que o Taleban abandonasse as armas e renunciasse aos métodos violentos para a realização do diálogo, uma posição rejeitada pelos militantes. "Estamos prontos para começar a conversar com vocês", disse Malik aos repórteres, acrescentando que balas "não são a resposta".

"Você nos dizem com que equipe gostariam de conversar e vamos programar uma agenda", disse Malik na capital paquistanesa, Islamabad.

Parlamentares da situação disseram que a principal razão de o governo realizar esse movimento em direção ao diálogo - que tem o apoio do poderoso Exército do país - é a preocupação quanto à violência em meio à aproximação das eleições parlamentares. Os congressistas falaram em condição de anonimato, pois não estavam autorizados a tratar desse assunto com a mídia.

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Os militares paquistaneses promoveram uma campanha agressiva contra o Taleban em seus redutos localizados próximos à fronteira com o Afeganistão desde 2009, mas os militantes se provaram resilientes. Houve um agravemento da violência nos últimos meses e o Taleban vem realizando uma série de ataques, incluindo dois contra bases aéreas do país.

Ainda não ficaram claras as motivações do Taleban para realizar as negociações - se eles o fazem porque se sentem em uma posição de força ou de fraqueza. Até então, os militantes desprezaram as ofertas do governo para o diálogo e negaram alegações de que o grupo tenha tido discussões secretas com autoridades.

O Taleban exige que o Paquistão rompa os laços com os EUA e que estabeleça a lei islâmica no país. O brigadeiro Asad Munir, ex-líder da agência de inteligência paquistanesa na região noroeste, disse que achava que as conversas fracassariam e que a única solução seria uma operação no reduto Taleban no Waziristão do Norte. "Não é possível para nenhum Estado aceitar suas condições", disse Munir.

Mesmo que um acordo seja alcançado, não está claro se ele teria duração, especialmente por causa das divisões entre os militantes do Taleban. Os acordos feitos no passado foram criticados por permitir que os militantes se reagrupassem e recuperassem sua força para recomeçar a luta contra o governo e as tropas estrangeiras no Afeganistão.

O Taleban paquistanês e afegão são aliados, mas tem priorizado seus ataques em lados opostos da fronteira. O Taleban paquistanês também treinou o americano que tentou detonar um carro bomba na Times Square, em Nova York, em 2010.

Esse recente movimento em direção ao diálogo de paz começou com uma carta do Taleban paquistanês enviada a um jornal local no fim de dezembro, na qual se listavam as condições para um cessar-fogo, incluindo a imposição da lei islâmica e um rompimento com Washington.

O líder paquistanês Hakimullah Mehsud depois divulgou um vídeo no qual ele disse que o grupo "consideraria todas as ofertas sérias para conversar", mas nunca concordaria em deixar as armas como um pré-requisito.

O porta-voz do Taleban paquistanês Ahsanullar Ashan disse no domingo que o grupo respondeu de forma positiva à oferta do governo para negociações, mas está desconfiado de que as autoridades não estejam agindo seriamente. Ele disse aos jornalistas que o Taleban quer que o Exército e três políticos importantes "garantam" o diálogo, embora não tenha especificado o que quis dizer com isso.

Dentre os políticos estão o principal líder da oposição, o ex-premiê paquistanês Nawaz Sharif, e os líderes de dois partidos islâmicos extremistas Maulana Fazlur Rehman e Munawar Hasan.

O governo pediu a Rehman, chefe do Jamiat Ulema-e-Islam, que atuasse como um mediador no diálogo com o Taleban. Rehman disse que quer fazer isso, contanto que o governo dê a ele total autoridade. Ahsan também exige que o governo liberte o ex-porta-voz do Taleban Muslim Khan e outros seis militares que, segundo ele, seriam parte integrante da equipe de negociações.

Com AP

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