Irã indica estar aberto a conversações diretas com EUA na questão nuclear

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Declaração é feita após vice dos EUA afirmar que Washington está pronto para encontro bilateral; Teerã, porém, diz que só aceitará proposta após ver comprometimento americano

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O Irã anunciou neste domingo que está aberto a um aceno dos EUA de conversações diretas sobre seu programa nuclear e à sugestão feita por seis potências mundiais de uma nova rodada de negociações nucleares neste mês. O país, porém, não se comprometeu de imediato com nenhuma das duas propostas.

No sábado: Joe Biden levanta a possibilidade de negociações diretas entre EUA e Irã

The New York Times
Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad (centro), visita a usina de enriquecimento de urânio de Natanz, a 322 km de Teerã (08/04/2008)

Os esforços diplomáticos para resolver a disputa sobre o programa nuclear - que o governo iraniano diz ser pacífico, mas o Ocidente suspeita que se destina a dar ao país a capacidade de fabricar uma bomba nuclear - têm permanecido em impasse há anos, ao mesmo tempo em que o Irã continua a anunciar avanços em seu programa.

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O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ali Akbar Salehi, considerou "um passo à frente" a sugestão feita no sábado pelo vice-presidente dos EUA, Joe Biden, de que o governo americano está pronto para conversações diretas com o Irã se os iranianos estiverem falando sério sobre as negociações.

"Recebemos essas declarações de modo positivo. Acho que esse é um passo à frente, mas todas as vezes que viemos e negociamos, foi o outro lado, infelizmente, que não manteve seu compromisso", disse Salehi na Conferência de Segurança de Munique, na qual Biden se pronunciou no dia anterior.

Em declarações à emissora de TV iraniana que transmite em inglês, Salehi também se queixou de "sinais contraditórios", apontando para a retórica dos EUA de "manter todas as opções sobre a mesa", usada por autoridades americanas para indicar que estão dispostas a usar a força para impedir que o Irã consiga fabricar uma arma nuclear.

"Isso não combina com esse gesto (de negociações), por isso teremos de esperar um pouco mais e ver se eles são realmente dignos de crédito dessa vez", declarou Salehi.

O Irã é alvo de duras sanções. Israel também deixou claro que pode atacar o país se as sanções e a diplomacia internacional não impedirem o avanço nuclear iraniano.

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Em Washington, o general do Exército Martin Dempsey, o oficial no posto mais elevado na hierarquia militar dos EUA, disse em uma entrevista transmitida neste domingo que os EUA têm a capacidade de impedir qualquer esforço iraniano para fabricar armas nucleares, mas as "intenções iranianas têm de ser influenciadas por outros meios".

Dempsey fez os comentários num programa da TV NBC, tendo ao lado o secretário de Defesa Leon Panetta, que está deixando o cargo. Panetta afirmou que informações do setor de inteligência dos EUA indicam que os líderes iranianos ainda não tomaram uma decisão quanto a prosseguir com o desenvolvimento de uma arma nuclear.

"Mas tudo indica que eles querem continuar a aumentar a sua capacidade nuclear", disse Panetta. "E isso é uma preocupação. E é isso que nós estamos lhes pedindo para parar de fazer."

O novo secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou que dará à diplomacia todas as chances de resolver o impasse com o Irã.

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