Joe Biden levanta a possibilidade de negociações diretas entre EUA e Irã

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Vice-presidente americano afirmou que a proposta é clara e real, mas é necessário que haja "uma real intenção de negociar" por parte da liderança iraniana

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Joe Biden discursa durante conferência de segurança em Munique, na Alemanha

Os Estados Unidos estão dispostos a manter conversações diretas com o Irã, caso o país esteja levando a sério sua intenção de negociar, disse o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, no sábado (2), apoiando contatos bilaterais que muitos veem como sendo cruciais para amenizar a disputa internacional sobre o programa nuclear de Teerã.

Falando em uma conferência de segurança em Munique, na Alemanha, Biden disse que o Irã - que diz estar enriquecendo urânio apenas para uso pacífico - enfrenta agora "as maiores sanções da história", que visam garantir que o país não utilize o seu programa para desenvolver armas nucleares.

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"Mas também deixamos bem claro que os líderes do Irã não precisam impor ao seu povo privações econômicas e isolamento internacional", disse Biden. "Ainda há tempo, ainda existe espaço para que a diplomacia apoiada pela pressão seja bem sucedida. A bola está no campo do governo do Irã."

O progresso nas negociações com o Irã poderia ajudar a aliviar a tensão na região, enquanto os EUA se preparam para retirar a maioria das suas tropas de combate do Afeganistão, país vizinho ao Irã, até o fim de 2014.

Ao ser perguntado se Washington consideraria ter conversações diretas com Teerã, Biden disse: "Quando a liderança iraniana, o Líder Supremo (Ayatollah Ali Khamenei) estiver levando o assunto a sério."

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"Nós deixamos claro desde o início que estamos preparados para um encontro bilateral com a liderança iraniana, não é nenhum segredo que estamos fazendo isso, avisaremos nossos parceiros, caso surja oportunidade."

"A proposta continua valendo, mas ela precisa ser real e tangível e é necessário que haja uma real intenção de negociar. Não estamos dispostos a fazer disso um exercício apenas."

As negociações com o Irã até agora foram supervisionadas pela chefe de política exterior da UE, Catherine Ashton, em nome da França, Grã-Bretanha, China, Alemanha, Rússia e EUA. Mas houve pouco progresso, o que aumentou os temores que o Irã esteja simplesmente ganhando tempo, enquanto desenvolve seu conhecimento nuclear.

Muitos acreditam que não existe uma possibilidade de acordo sem conversações diretas entre os EUA e o Irã sobre uma variedade de assuntos, fontes de desconfianças e hostilidades mútuas, que existem desde a Revolução Islâmica do Irã, em 1979, e da crise dos reféns da embaixada americana em Teerã.

Irã tem evitado conversações diretas com os EUA, embora alguns sugiram que Teerã eventualmente possa ver com bons olhos a oportunidade de acabar com o seu isolamento internacional.

Ano decisivo para o Irã
Com as eleições presidenciais iranianas marcadas para junho, a esperança de progresso antes disso é limitada.

Porém, os EUA e seus aliados não têm um tempo indefinido para negociar. Não obstante o impasse atual, o programa nuclear do Irã está avançando e pode ser difícil de manter um consenso internacional sobre as sanções.

Israel, que descreve como ameaça a possibilidade de o Irã usar o urânio enriquecido para fazer armas, já deixou claro que estaria pronto para bombardear as instalações nucleares do seu arqui-inimigo para evitar que isso ocorra. Os EUA também disseram que não descartam o uso da força militar.

Falando na conferência de Munique, o ministro de Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, disse que "2013 é um ano decisivo para o Irã, especialmente por motivos políticos."

"Tivemos eleições nos EUA e Israel, teremos eleições em junho, no Irã; vemos capacidades crescentes, especialmente na questão do enriquecimento - sejamos bem francos, não tivemos nenhum progresso nos últimos 12 meses, portanto, é óbvio que precisamos usar este ano..."

A Rússia tem sido impaciente com as décadas de hostilidade dos EUA com Teerã desde a Revolução Islâmica de 1979, mas tem apoiado as sanções do Conselho de Segurança da ONU desde 2006 e reforçou no sábado a necessidade de que uma solução diplomática seja encontrada.

"O Irã precisa conhecer o plano estratégico geral, eles precisam ver o que existe para eles neste processo. Precisamos convencer o Irã que isso não tem nada a ver com uma mudança de regime... essa desconfiança precisa ser superada," disse o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, na conferência.

A declaração foi apoiada por Westerwelle.

"Se queremos atingir este objetivo, seria errado discutir todas essas opções e possibilidades militares. Agora é importante focar nossa atenção, todo o nosso esforço para uma solução diplomática e política."

Isso teria que incluir um alívio das sanções, assim como o reconhecimento do direito do Irã enriquecer urânio para o menor nível necessário para o combustível nuclear civil, dizem analistas de segurança.


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