França captura aeroporto no último reduto de radicais islâmicos no norte do Mali

Por iG São Paulo |

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Segundo autoridade malinense, soldados franceses já teriam entrado na cidade de Kidal, que é uma posição-chave no país, mas Paris diz que operação ainda está 'em andamento'

Forças francesas tomaram o controle do aeroporto de Kidal, capturando uma posição-chave em uma de três capitais provinciais que militantes islâmicos ocuparam no ano passado, disseram autoridades nesta quarta-feira. De acordo com um oficial malinês, os soldados franceses teriam até mesmo entrado na cidade, que era o último reduto urbano sob controle dos islamitas no norte do Mali.

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Reuters
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Os soldados franceses e do Mali também recapturaram em dias recentes Timbuktu e Gao, duas outras capitais provinciais, e foram recebidos por multidões em júbilo. Entretanto, já surgem preocupações sobre se os radicais tentarão retornar assim que a França entregar a operação militar para o Mali e soldados de países vizinhos.

Haminy Maiga, o presidente interino da assembleia regional de Kidal, disse que as forças francesas não encontraram resistência quando chegaram na terça-feira à noite.

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"Os franceses chegaram às 21h30 em quatro aviões, que aterrissaram um após o outro. Depois disso, eles tomaram o controle do aeroporto e entraram na cidade, e não houve combates", disse Maiga, que esteve em contato com pessoas na cidade por meio de telefones por satélite já que as redes normais de telefonia caíram. "Os franceses patrulham a cidade, e dois helicópteros fazem sovrevoos", acrescentou.

Em Paris, o coronel Thierry Burkhard confirmou que o aeroporto foi ocupado durante a madrugada e descreveu a operação em Kidal como "em andamento".

Na terça-feira, um grupo rebelde secular tuaregue afirmou que estava em controle de Kidal e de outras pequenas cidades no norte do Mali. Maiga disse que esses militantes deixaram Kidal e estavam nos postos de entrada nas estradas e Gao e Tessalit.

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A França, o ex-poder colonial do Mali, começou a enviar tropas, helicópteros e aviões de guerra em 11 de janeiro para reverter a situação depois que islâmicos armados começaram a se dirigir ao sul, a caminho da capital. Forças francesas e malinenses capturaram Gao durante o fim de semana e Timbuktu na segunda. Os radicais abriram mão das duas cidades e recuaram para o deserto que fica nos arredores.

Para ajudar a combater os islâmicos em seus esconderijos no deserto, um militar americano disse que o Pentágono considera estabelecer uma base de aviões não-tripulados (drones) no nordeste da África para aumentar a coleta de informações de inteligência.

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O presidente francês, François Hollande, disse que as forças do país ficariam no Mali o quanto for necessário, mas os franceses também disseram esperar que as tropas das nações africanas assumam a liderança assim que possível. Agora há cerca de 2,9 mil soldados africanos no Mali, incluindo 1,4 mil do Chade que são usados para lutar em terreno desértico como o do norte do Mali.

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O Exército malinês foi severamente afetado pelo golpe de Estado do ano passado e tem uma reputação de desorganizado e indisciplinado. Soldados do país já foram acusados de matar civis suspeitos de vínculos com os islâmicos. O Exército prometeu investigar as alegações.

*Com AP

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