Confrontos no Egito sobre sentenças de morte deixam pelo menos 30 mortos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Distúrbio foi uma reação à condenação de 21 à morte por massacre em estádio de futebol

Pelo menos 30 pessoas foram mortas em Port Said, neste sábado (26), durante distúrbios provocados por manifestantes revoltados pelo fato de um tribunal ter condenado 21 pessoas à morte por causa de um desastre num estádio de futebol, intensificando a sangrenta desordem nas ruas enfrentada pelo presidente islâmico Mohamed Mursi.

Reuters
Egípcios reagem ao anúncio da sentença de morte de 21 envolvidos no massacre do estádio Port Said

Veículos blindados e policiais militares foram mobilizados nas ruas de Port Said, cidade mediterrânea. Um general disse que os militares foram enviados ao local para "restabelecer a calma e a estabilidade em Port Said e para proteger as instituições públicas".

Leia também: Justiça egípcia condena 21 à morte por massacre em estádio

As manifestações em Port Said, um dos eventos mais sangrentos desde a queda de Hosni Mubarak dois anos atrás, ocorre um dia depois de demonstrações anti-Mursi na sexta-feira, onde nove pessoas foram mortas. O saldo de mortes dos últimos dois dias chega a 39.

Moradores corriam desordenamente pelas ruas de Port Said, indignados com o fato de que homens de sua cidade foram culpados pelo desastre no estádio, e houve relatos de tiros próximos à prisão onde estavam cativos a maior parte dos réus. A matança no estádio aconteceu em 1º de fevereiro de 2012, quando 74 pessoas morreram após uma partida local de futebol, muitos deles torcedores da equipe visitante.

As manifestações tornam mais difícil para Mursi, que foi criticado no ano passado por ampliar seus poderes e levar adiante uma constituição com inspiração islâmica, conseguir consertar uma economia cambaleante e esfriar os ânimos o suficiente para garantir uma eleição parlamentar sem percalços.

A votação está sendo esperada para os próximos meses.

O Conselho Nacional de Defesa do Egito, liderado pelo presidente Mohamed Mursi, condenou a violência nas ruas e fez um apelo por diálogo nacional para resolver as diferenças políticas, disse o ministro da Informação, Salah Abdel Maqsoud, após reunião do conselho.

O conselho, que inclui o ministro da Defesa, que é um general encarregado do exército, também pode considerar declarar estado de emergência ou toque de recolher em áreas de violência se necessário, disse Maqsoud.

O conselho pediu um "amplo diálogo nacional que conte com a presença de personagens independentes nacionais" para discutir as diferenças políticas e garantir uma eleição parlamentar "justa e transparente", disse o ministro em declarações televisionadas.

Apelos do presidente e de seu governo por diálogo nacional foram desprezados pelo principal grupo liberal de oposição, que acusa Mursi e seus aliados de ignorar quaisquer posições de oposição.

*Com Reuters e AP 

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