Europa orienta cidadãos a deixarem Benghazi, na Líbia

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Escalada de violência de militantes islâmicos no Mali e na Algéria causaram preocupação entre os governos europeus

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Integrantes do Exército Nacional Líbio durante parada militar em Benghazi (15/5/2012)

Países europeus orientaram na quinta-feira (24) seus cidadãos para que deixem a cidade de Benghazi, no leste da Líbia, onde a Grã-Bretanha disse haver uma ameaça "específica e iminente" a ocidentais, dias depois de um ataque de militantes islâmicos na vizinha Argélia.

As autoridades não entraram em detalhes, mas a Grã-Bretanha vem alertando para uma crescente ameaça militante no norte da África, região descrita pelo primeiro-ministro David Cameron como um "ímã para jihadistas".

Os líbios reagiram com irritação ao alerta dos governos europeus, num momento em que o país tenta atrair investimentos estrangeiros para reconstruir sua infraestrutura e modernizar a indústria petrolífera, depois da revolução que derrubou Muamar Kadafi em 2011.

"O embaixador britânico me falou ontem sobre essa decisão, e eu lhe disse para me dar as razões para esse medo, e ele disse que temos ameaças e temores aqui. Pedi a ele algo por escrito, e ele ainda não forneceu", disse à Reuters o vice-ministro líbio do Interior, Omar al Khadrawi.

"Eles têm o direito de serem temerosos por sua gente, e é nosso dever proteger a eles e aos nossos cidadãos. As ameaças das quais eles estão falando nós levamos a sério. A decisão britânica deveria ser tomada junto com o governo líbio."

Em nota, a chancelaria britânica disse: "Estamos agora cientes de uma ameaça específica e iminente aos ocidentais em Benghazi, e pedimos aos cidadãos britânicos que permanecem lá contra nosso conselho para que saiam imediatamente".

Alemanha e Holanda fizeram alertas semelhantes.

Desde o começo deste ano, a França iniciou uma intervenção militar contra o avanço de forças islâmicas no Mali, e militantes jihadistas mataram pelo menos 38 reféns ao ocuparem uma usina de gás no sul da Argélia.

O ministro alemão de Relações Exteriores, Guido Westerwelle, descreveu a situação em Benghazi - berço da revolta contra Gaddafi - como "séria e delicada".

"O alerta foi feito por causa de uma série de informações. Temos nossas razões, mas gostaríamos de não falar em detalhes. A segurança é o mais importante", disse ele a jornalistas durante visita a Lisboa.

Acredita-se que haja poucos ocidentais em Benghazi, cidade que vive uma onda de violência contra militares, policiais e diplomatas - incluindo o ataque de setembro que resultou na morte do embaixador dos EUA na Líbia e de outros três norte-americanos.

Na semana passada, a Itália havia fechado seu consulado em Benghazi e retirado seu pessoal, depois de um ataque a tiros contra o prédio.

A Líbia está inundada de armas desde a guerra civil, e suas ainda precárias instituições por enquanto se mostram incapazes de dominar as milícias do país.

Cerca de 80 por cento do petróleo líbio é extraído no leste do país, mas as instalações petrolíferas ficam longe de Benghazi.

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