Coreia do Norte planeja terceiro teste nuclear e admite ter EUA como alvo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em resposta à punição na ONU, principal órgão de Pyongyang diz que manterá lançamentos de foguetes, afirmando que objetivo é carregar ogivas contra seu 'inimigo declarado'

O principal órgão de governo da Coreia do Norte advertiu nesta quinta-feira que o regime realizará seu terceiro teste nuclear em desafio à recente punição imposta pelo Conselho de Segurança da ONU e deixou claro que seus foguetes de longo alcance não têm como objetivo carregar apenas satélites, mas também ogivas com o objetivo de atacar os EUA, que classificou de "inimigo declarado".

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AP
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A Comissão de Defesa Nacional, que é chefiada pelo líder Kim Jong-un, criticou a resolução da ONU patrocinada pelos EUA que condenou a Coreia do Norte e reforçou as sanções contra o país pelo lançamento de um foguete em dezembro. A comissão reafirmou sua declaração de que o lançamento tinha a intenção pacífica de pôr um satélite em órbita, mas também claramente indicou que os disparos de foguetes têm um propósito militar: atacar e atingir os EUA.

A comissão prometeu manter as ações com satélites e foguetes e conduzir um teste nuclear como parte de uma "nova fase" do combate com os EUA, que culpou por liderar a medida de punição da ONU contra o regime de Pyongyang. Ela indicou que o teste atômico está "próximo", mas não especificou quando ou onde será realizado.

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"Não escondemos que uma variedade de satélites e foguetes de longo alcance que serão lançados por Pyongyang um após o outro e um teste nuclear de alto nível que será realizado em breve são uma nova fase do combate anti-EUA que dura século após século, e têm como alvo os EUA, o inimigo declarado da população coreada", disse a comissão.

Foi uma rara declaração da poderosa comissão antes liderada por Kim Jong-il, morto em 2011, e agora comandada por seu filho. O comunicado deixou claro o compromisso de Kim Jong-un de continuar desenvolvendo os programas nuclear e de mísseis em desafio ao Conselho de Segurança, mesmo sob risco de um maior isolamento internacional.

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A alusão norte-coreana a um teste nuclear de "nível mais alto" provavelmente se refere a um artefato produzido com urânio altamente enriquecido, que é mais fácil de miniaturizar do que as bombas de plutônio que testou em 2006 e 2009, disse Cheong Seong-chang, analista no Instituto Sejong na Coreia do Sul. Especialistas dizem que os norte-coreanos podem conduzir testes adicionais de seus artefatos atômicos e aprimorar as técnicas para torná-los menores antes de que sejam montados como ogivas para ser carregados em mísseis de longo alcance.

A Coreia do Norte alega o direito de construir armas nucleares como uma defesa contra os EUA, seu inimigo da Guerra da Coreia (1950-1953). O amargo conflito de três anos terminou com um cessar-fogo, e não um tratado de paz, e deixou a Península da Coreia dividida pela zona desmilitarizada mais fortemente armada do mundo. Os EUA lideram o Comando da ONU que governa o cesssar-fogo e têm mais de 28 mil soldados na aliada Coreia do Sul, presença que Pyongyang aponta como uma razão-chave para sua necessidade de construir armas atômicas.

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Durante anos, os vizinhos da Coreia do Norte negociaram com Pyongyang para fornecer ajuda em troca do desarmamento. Pyongyang abandonou as negociações em 2009, e na quarta-feira reiterou que o diálogo está fora de questão.

Aliada da Coreia do Norte, a China pediu cautela após a ameaça norte-coreana. O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Hong Lei, que fez a declaração, também apelou aos EUA para que não tomem nenhuma medida que aumente as tensões.

*Com AP e Reuters

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