Netanyahu luta para manter cargo após empate da direita e do centro em Israel

Por iG São Paulo |

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Divisão surpreendente de 60 das 120 cadeiras do Parlamento entre cada bloco obriga premiê a voltar-se a partido de centro-esquerda que quer processo de paz com palestinos

Um dia depois de a eleição de Israel acabar em um surpreendente empate, o extremamente enfraquecido primeiro-ministro Benjamin Netanyahu lutou nesta quarta-feira para manter seu emprego ao estender a mão a um novo partido de centro-esquerda que defende um movimento mais vigoroso para fazer a paz com os palestinos.

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Yair Lapid fala a partidários na sede do centrista Yesh Atid em Tel-Aviv

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Os resultados da votação desafiaram pesquisas de intenção de voto que indicavam que o novo governo israelense tenderia ainda mais à direita no momento em que o país enfrenta um crescente isolamento internacional, aumento dos problemas econômicos e turbulência regional. Apesar de isso abrir uma possibilidade inesperada para os esforços de paz, uma coalizão que reúna partidos com visões tão dramaticamente divergentes sobre o processo de paz, a economia e o serviço militar poderia facilmente se direcionar para o impasse - e, talvez, ter uma vida curta.

Com quase todos os votos apurados, cada bloco conseguiu conquistar 60 dos 120 assentos do Parlamento. Comentaristas disseram que Netanyahu, que convocou eleições antecipadas há três meses com a expectativa de uma vitória fácil, seria chamado a formar o próximo governo pelo fato de o campo rival ter entre suas 60 cadeiras 12 de partidos árabes que tradicionalmente são excluídos da formação das coalizões.

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O desempenho surpreendentemente bom do novato partido de centro Yesh Atid, ou Há um Futuro, representou um golpe contra Netanyahu. O líder do Yesh Atid, Yair Lapid, disse que apenas se uniria a um governo comprometido com amplas mudanças econômicas e um sério esforço para começar negociações de paz com os palestinos, que passaram por vários percalços nos quatro anos de Netanyahu.

Os resultados ainda não são oficiais, e os números finais de cada bloco poderiam mudar antes de a comissão central eleitoral terminar sua contagem na quinta-feira. Com os blocos tão igualmente divididos, há uma remota possibilidade de que Netanyahu não forme o próximo governo, embora ele e Lapid tenham pedido a criação de uma ampla coalizão.

Sob o sistema parlamentar de Israel, os eleitores depositam seus votos nos partidos, e não em candidatos individuais. Como nenhum partido em toda a história de 64 anos de Israel conquistou uma maioria total de assentos, o país sempre teve de ser governado por coalizões.

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Tradicionalmente, ao partido que obtém o maior número de cadeiras é dada a primeria chance de formar uma aliança de governo por meio de negociações centradas na promessa de cargos no gabinete e em concessões políticas. Se essas negociações são bem-sucedidas, o líder dessa legenda se tornar o premiê. Se não, a tarefa recai sobre uma facção menor. O presidente Shimon Peres tem até meados de fevereiro para pôr esse processo em ação, embora ele possa começá-lo antes.

A aliança Likud-Yisrael Beitenu, de Netanyahu, teve o resultado mais forte da eleição de terça, conquistando 31 cadeiras. Mas o número representa 11 assentos a menos do que os 42 do último Parlamento e está abaixo das previsões de 32 a 37 das pesquisas de intenção de voto. Havia a expectativa de que o Yesh Atid obteria 12 assentos, mas conquistou 19, tornando-se a segunda força no Parlamento.

AP
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, vota em seção eleitoral de Jerusalém (22/01)

Na manhã desta quarta-feira, Netanyahu prometeu formar uma ampla coalizão assim que possível. Ele disse que o próximo governo seria construído sobre princípios que incluam a reforma do contencioso sistema de isentar os judeus ultraortodoxos do serviço militar e a busca "responsável" de uma "paz genuína" com os palestinos. Ele não entrou em detalhes, mas a mensagem pareceu ser direcionada a Lapid.

Os resultados da eleição surpreenderam os israelenses. Netanyahu pode ter sofrido por causa de seus vínculos estreitos com os ultraortodoxos e talvez por complacência. Muitos eleitores escolheram partidos menores, acreditando que a vitória de Netanyahu estava assegurada.

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Tensões com os EUA, o aliado mais importante de Israel, também podem ter sido um fator a favorecer Lapid. Na semana passada, o presidente Barack Obama foi citado como dizendo que Netanyahu minava os próprios interesses israelenses ao manter a construção de assentamentos judeus em terras ocupadas que os palestinos querem para seu futuro Estado.

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