Aliança de EUA com Israel fracassa em reduzir diferenças de Obama e Netanyahu

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Visões divergentes sobre processo de paz com palestinos e ataque militar ao Irã devem manter tensão entre aliados se premiê israelense mantiver cargo após eleição

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O segundo mandato do presidente Barack Obama tem o peso de um governo americano que enfrenta um impasse partidário e também uma relação improdutiva com o líder de Israel, a base aliada dos EUA no tumultuado Oriente Médio. A questão é que a relação entre os EUA e Israel se torna cada vez mais complexa.

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Obama e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, são vistos durante reunião no Salão Oval da Casa Branca em 20/05/2011

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"É complicada (a relação). É o maior problema entre grandes líderes que já vi em meus 40 anos de profissão", disse Aaron David Miller, acadêmico do Centro Woodrow Wilson, que serviu seis secretários de Estado em governos republicanos e democratas e esteve envolvido em negociações entre Israel, Jordânia, Síria e os palestinos.

"Não acho que nos depararemos com um confronto", disse, "mas a relação continuará difícil" no segundo mandato de Obama e se Netanyahu continuar no cargo após as eleições de 22 de janeiro.

Apesar disso, os EUA sempre apoiaram Israel, mesmo quando grande parte do mundo criticava o Estado judeu. Por exemplo, Washington esteve entre os poucos países que se opuseram à proposta bem-sucedida dos palestinos para elevar seu status na ONU e não criticou a ofensiva lançada por Israel em novembro contra o Hamas em retaliação a ataques de foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza.

Ainda assim, uma série de questões perturbam a aliança.

Netanyahu é rígido em relação a acordos de paz com os palestinos, algo que Obama disse ser uma das principais metas em sua agenda de política externa no início de seu primeiro mandato.

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Além disso, Netanyahu tem pressionado Washington para que adote políticas específicas que desencadeiem um ataque militar caso o Irã não pare com seu programa nuclear - suspeito de ter como objetivo o desenvolvimento de uma bomba atômica. O Irã afirma que seu programa é para produzir eletricidade.

Uma outra complicação é a indicação do ex-senador republicano Chuck Hagel como secretário de Defesa.

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Conhecido como um político independente, Hagel é visto por muitos em Washington e Israel como alguém que não apoia o Estado judeu. Ele criticou o que chamou de "lobby judaico" nos EUA, o que levou alguns a rotulá-lo de antissemita. Embora tenha votado para arrecadar bilhões de dólares em ajuda para Israel, também pediu que houvesse negociações com o Hamas e o grupo libanês Hezbollah, inimigos de Israel.

Além disso, Hagel se opôs a sanções americanas unilaterais contra o programa nuclear do Irã, que o governo de Netanyahu acredita ser uma ameaça existencial para Israel.

Reuven Rivlin, presidente do Parlamento e membro do partido Likud de Netanyahu, disse à AP que os israelenses estão preocupados com as "declarações de Hagel no passado, e sua postura em relação a Israel."

A oposição por parte de legisladores republicanos em relação a Hagel é a mais recente das batalhas partidárias que acontecem dentro do governo americano. As disputas sobre o orçamento quase levaram a um aumento de impostos que nenhum dos partidos queria. Outras divergências sobre cortes de gastos e a autoridade de empréstimo do governo ainda estão pendentes - ambas com consequências potencialmente desastrosas para a economia.

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O Congresso recém-eleito, com Câmara de Representantes de maioria republicana e Senado liderado por democratas, é semelhante ao anterior, que foi um dos que menos aprovaram leis desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Miller, do Centro Woodrow Wilson, disse que Obama estará muito ocupado batalhando contra o Congresso em questões de orçamento, legislações de controle de armas e outras questões para se preocupar com divergências entre ele e Netanyahu.

"Será que ele apoiará negociações de paz entre Israel e palestinos ou da guerra com o Irã considerando-se todos os seus desafios domésticos?", questiona Miller. "Ele sem dúvida fará o possível para evitar a guerra com o Irã."

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Segundo ele, os dois líderes estão se distanciando cada vez mais sobre a questão palestina, mas encontraram algum consenso sobre o Irã. "Durante os próximos seis a oito meses, não acho que o presidente pressionará essas questões."

Mas Ori Nir, da organização judaica Paz Agora, disse que o tempo está se esgotando para um acordo de paz com os palestinos, e Israel pode enfrentar outro levante armado como o que atingiu a região em 2000.

"Há cada vez mais uma sensação entre os palestinos de que não há horizonte político", disse, "um sentimento de que a diplomacia não está funcionando."

Por Steven R. Hurst

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