Netanyahu tenta reeleição enquanto israelenses vão às urnas

Por iG São Paulo |

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Segundo pesquisas, população deve eleger Parlamento cuja composição levará à formação de coalizão ainda mais voltada para a direita e menos disposta às negociações de paz

Israelenses começaram a votar nesta terça-feira na eleição parlamentar em que, segundo pesquisas de intenção de voto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deve sair vitorioso e o poder deve ser consolidado na direita, o que se opõe a um Estado palestino.

As urnas abriram às 7 horas (3 horas de Brasília) e fecharão às 22 horas (18 horas de Brasília). Os resultados oficiais devem sair na manhã de quarta-feira, abrindo caminho para diálogos sobre coalizões entre lideranças partidárias que podem durar mais de um mês.

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AP
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, vota em seção eleitoral de Jerusalém

De acordo com as últimas estimativas, os israelenses deverão eleger um Parlamento cuja composição levará à formação de uma coalizão ainda mais voltada para a direita do que a atual e com menos disposição para fazer qualquer concessão que possibilite um acordo de paz.

As pesquisas de opinião indicam que o partido Likud-Beiteinu, de Netanyahu deverá obter o maior número de votos e chefiar a próxima coalizão governamental.

Com expectativas de 34-37 cadeiras (entre 120) no Parlamento, o Likud-Beiteinu, que constitui uma junção do partido governista Likud com o Israel Beiteinu, liderado pelo ex-chanceler Avigdor Lieberman, deverá fazer acordos de coalizão com outros partidos considerados seus "aliados naturais" – o religioso-nacionalista Habait Hayehudi (O Lar Judaico) e os ultraortodoxos Shas e Yahadut Hatorah.

Esses partidos deverão formar um bloco de direita, extrema direita e partidos religiosos, que poderá obter 67-70 cadeiras no Parlamento. Tal resultado não representaria um aumento dramático em relação ao número de assentos que a coalizão tem hoje - 65. Mas, além desse aumento quantitativo, também é esperada uma mudança qualitativa, pois dentro do bloco governista se nota um fortalecimento da extrema direita.

O Lar Judaico, por exemplo, deverá dobrar sua força política de 7 para pelo menos 14 cadeiras no próximo Parlamento, segundo as pesquisas. No Likud, os liberais, como o ex-ministro Dan Meridor, perderam as prévias para candidatos de extrema direita que apoiam a anexação de parte da Cisjordânia, como Danny Danon e Tzipi Hotobeli.

Para "equilibrar" o governo e ampliar sua base de apoio no Parlamento, Netanyahu poderá convidar o partido de centro Yesh Atid, que tem a expectativa de obter 9-12 cadeiras, para fazer parte da coalizão.

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Se esse quadro se confirmar, na oposição restarão cerca de 43 deputados de centro, de esquerda e dos três partidos que representam a minoria árabe de Israel.

Segundo as pesquisas, o Partido Trabalhista deverá liderar a oposição com uma expectativa de crescimento no número de seus deputados de 8 para 17. Durante a campanha, o partido deu ênfase a questões socioeconômicas, praticamente ignorando o conflito israelo-palestino.

Nessas circunstâncias, Lev Grinberg, cientista político da Universidade Ben Gurion, espera um "congelamento ainda maior" nas negociações de paz. "A direita ganhou força atemorizando a população com ameaças externas - a ameça iraniana, a ameaça palestina - e quem consegue desencadear mais medo obtém mais força política", disse Grinberg à BBC Brasil.

Colonos

Mesmo antes dos resultados da votação, o grupo dos colonos israelenses que moram em assentamentos nos territórios ocupados já é considerado o principal ganhador dessas eleições.

Para o analista politico Akiva Eldar, do portal Al-Monitor, os colonos formam um "grupo homogêneo e disciplinado que trabalhou em duas frentes, dentro do próprio Likud e por intermédio do Lar Judaico".

"Eles (os colonos) conseguiram conquistar posições de força dentro do Likud e também deram uma nova roupagem ao partido Lar Judaico, atraindo eleitores seculares com a imagem moderna de Bennet", disse Eldar à BBC Brasil.

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O fortalecimento do Lar Judaico é atribuído à imagem de Naftali Bennet, líder do partido. Bennet é um milionário bem-sucedido na área da tecnologia e ex-comandante de uma unidade de elite do Exército – características que levaram eleitores seculares a apoiá-lo.

Na lista de candidatos do Lar Judaico encontram-se ativistas de extrema direita como Jeremy Gimpel, que já defendeu abertamente a explosão da mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém.

Causas

Segundo Eldar, questões étnicas e culturais ajudaram a impulsionar o fortalecimento da direita em Israel. Uma dessas questões seria o voto dos imigrantes da ex-União Soviética (que são quase 20% dos eleitores) em partidos de direita. "Os imigrantes têm menos tendência para visões liberais e tolerantes", afirmou Eldar. "A maioria deles vota na direita."

Outra grande fatia da população é o público ultraortodoxo, que vota nos partidos indicados por seus lideres espirituais, os rabinos, e constitui cerca de 15% dos eleitores.

A votação em massa dos ultraortodoxos e dos nacionalistas-religiosos, com um índice de cerca de 80% de comparecimento às urnas, também contribui para o fortalecimento do bloco da direita.

Já os seculares, que não obedecem a líderes espirituais como os religiosos, apresentam um índice de participação bem inferior. Em Tel Aviv, cidade considerada reduto dos liberais israelenses, o índice de participação nas eleições anteriores, em 2009, foi de apenas 58%.

*Com BBC e Reuters

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