Comunidade internacional faz apelo por segurança de reféns na Argélia

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Crise com reféns em fábrica de gás na Argélia entra no quarto dia; militantes e reféns estão cercados de refinaria no Saara

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AP
Imagem de satélite de 8/10/2012 mostra campo de gás de Amenas, que foi atacado por terroristas na Argéli

Representantes de vários países fizeram neste sábado um apelo ao governo da Argélia para que tome todas as medidas possíveis para garantir a segurança dos reféns que ainda estão sendo mantidos por militantes islâmicos em uma refinaria de gás no deserto do Saara.

Os governos dos Estados Unidos e do Japão pediram que a vida dos reféns seja prioridade máxima do governo argelino.

O Conselho de Segurança da ONU condenou o incidente e afirmou que a tomada de reféns na Argélia destaca a necessidade de levar a julgamento os responsáveis pela invasão e sequestro, os organizadores da ação e os financiadores do grupo.

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O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, também afirmou neste sábado que a segurança dos reféns ainda é "prioridade máxima" do governo até que cada cidadão britânico tenha sido localizado.

Ainda não se sabe exatamente o número de reféns sendo mantidos dentro da refinaria de Amenas e nem quantos morreram. Estados Unidos e França confirmaram a morte de um americano e um francês.

Mas, segundo o Ministério da Defesa da França, não há mais cidadãos franceses entre os reféns.

Na manhã deste sábado, a agência estatal de notícias argelina, a APS, informou que os militantes e os reféns estão cercados pelas forças especiais do país em uma oficina dentro da refinaria.

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A APS ainda afirma que os militantes estão armados com lançadores de foguetes e metralhadoras e que 12 argelinos e estrangeiros já morreram desde que as tentativas de resgate começaram na quinta-feira.

Os militantes atacaram dois ônibus que levavam funcionários estrangeiros para a refinaria na quarta-feira e tomaram como reféns funcionários argelinos e de outros países.

Os sequestradores divulgaram uma declaração afirmando que o ataque contra a refinaria foi lançado como uma retaliação pela intervenção francesa no país vizinho, o Mali.

O governo da Argélia afirma que os militantes na refinaria estão obedecendo ordens de um ex-comandante da Al-Qaeda. Mokhtar Belmokhtar era um dos comandantes importantes da Al-Qaeda do Magreb islâmico até 2012.

As Forças Armadas da Argélia atacaram o local na quinta-feira, enquanto os militantes tentavam transferir alguns dos reféns para outra parte da refinaria.

Sem refúgio
O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, disse em entrevista à BBC que não pode haver refúgio para a Al-Qaeda no norte da África.

"A Al-Qaeda precisa saber que não tem um esconderijo, na Argélia, no Mali, onde for, não vamos permitir que eles tenham um refúgio no qual possam organizar estes atos terroristas."

Panetta também afirmou que nenhuma opção será descartada para evitar que a organização estabeleça uma base no norte do continente.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou neste sábado que a situação na Argélia é "extremamente difícil e perigosa".

Um argelino que foi libertado da refinaria descreveu à agência de notícias Associated Press o que testemunhou.

"Disse a eles (os militantes) que era um argelino muçulmano e eles disseram 'Ok, ok, não tenha medo. Não viemos aqui por você'", afirmou.

Um dos reféns britânicos que foi libertado, Ian Strachan, já voltou para a Escócia e, em uma entrevista à BBC, afirmou que ele e o outro refém que voltou, Alan Wright, "ainda não sabem o que está acontecendo na refinaria".

Strachan afirmou que a assistência do Exército argelino foi "fantástica".

"Nunca fiquei tão aliviado como quando eles vieram e nos tiraram daquele lugar", afirmou.

Cerca de 30 estrangeiros ainda estão desaparecidos, entre eles, dez britânicos.

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